minas gerais

Carnaval de insanidades

O amigo Luiz Carlos Alves avisa: “Depois de ouvi-lo com certa preocupação desancando o Carnaval de Belo Horizonte, nos últimos anos, estou também prestes a jogar a toalha”. Eu não vi, não li, não conheço o recém-eleito Rei Momo de Belo Horizonte, mas, segundo o Luiz, está mais para faquir (palavra que nos remete a pessoa muito magra). Ele pode falar, pois, além de ter coordenado nosso Carnaval, é desses cidadãos raros que pensam e, sobretudo, têm coragem de dizer o que pensam.

De fato, nos últimos anos, tenho adotado comportamento diferente do que fiz durante três décadas. Irritavam-me profundamente aqueles que, no Carnaval, viajavam para Escarpas ou Angra dos Reis e deitavam falação na nossa folia. Acompanhei o esplendor de nossos desfiles, lá no começo dos anos 80 do século passado, quando Maurício Campos era prefeito; sofri com a incapacidade de Hélio Garcia de compreender as manifestações verdadeiramente populares; testemunhei a indiferença de Eduardo Azeredo, Fernando Pimentel, Ruy Lage, Márcio Lacerda e outros administradores e cheguei à conclusão de que nosso Carnaval precisa de outro caminho.

Não há qualquer estrutura de apoio a escolas e blocos. Quando se aproxima o Carnaval, sai uma verba oficial que é esmola para alguns e prato cheio para espertalhões que, historicamente, lucram com manobras. O resultado são desfiles desfigurados, com sambas enredo que ninguém conhece (ou canta), um faz de conta danado e todo mundo deitando falação.

Cansei. Durante 30 anos toda vez que se aproximava a folia, alguém perguntava: E aí, Eduardo, vai prá onde? E eu respondia: “Vou para a Bahia... Bahia com Afonso Pena, cobrir nosso Carnaval”. Juro que vi bloco caricato em cima de um jipe com mulheres que calçavam ki chute, conga, tênis e até descalças...  Vi cada topless inacreditável...  Buracos de uma hora entre uma escola e outra...  Dependesse de mim e daria todo apoio à Banda Mole, além de prestigiar os blocos que nascem naturalmente nos bairros... E sem verbas... Só com fechamento de trânsito, banheiros móveis, apoio... Sem meter o bedelho da administração pública no que só o povo sabe fazer. Ah, e Rei Momo, só gordo!