minas gerais

E não vamos acabar com as (des) organizadas?

Logo mais, no Pacaembu, e, possivelmente, com transmissão para todo o Brasil, teremos a assinatura do atestado de óbito da sociabilidade. Alguém pode dizer: “Moço presunçoso esse Eduardo...” E vos responderei que, para os outros, pode apenas ser mais uma do mundo do futebol, mas, para mim, o fato de o time campeão do mundo jogar a primeira partida em casa do torneiro de futebol mais importante do continente sem torcida – e isso não representar uma sacudida no mundo do futebol, da política e da sociedade brasileira – é a mais clara confirmação do que a gente já vem sentindo: o prazer da reunião, o direito de conviver em público, o lazer coletivo, e, em especial, a manifestação mais apaixonada do mundo, que é assistir, num estádio, uma partida de futebol, todas essas coisas simples que fazem a nossa felicidade estão nos sendo tiradas, dia após dia.

Considerando a origem e a essência do homem é de se admitir que alguns marginais, travestidos de torcedores, viagem para outro país levando ódio no coração e sinalizadores de navio na bagagem. Embora inaceitável, não é impossível que alguns deles tenham coragem de disparar o objeto contra a torcida do outro time. O problema é a nossa reação. A Confederação Sul Americana de Futebol está fazendo o que tinha de fazer: a primeira medida, administrativa, é castigar o Corinthians que hoje joga sem torcida. O problema é que estão punindo dezenas de milhões de brasileiros pelo crime que uns poucos – os mesmos de sempre – praticaram.

Meu Deus, quando é que a gente vai acabar com esse agrupamento que chamam de torcida organizada e que se resume a um bando de infelizes sem rumo comandados por alguns delinquentes capazes de qualquer coisa? Será que todos os assassinatos, especialmente o bárbaro praticado em plena Avenida Nossa Senhora do Carmo, em área nobre de Belo Horizonte, em frente a câmaras, quando os bandidos friamente espancaram até a morte um torcedor rival, ainda não são suficientes para a gente dizer um basta?

Que vexame! O mundo inteiro ficou sabendo que Kevin Espada, de 14 anos, morreu só porque foi ver seu time jogar. E, não bastasse a frieza com que 12 acusados se deixam filmar na prisão boliviana, ainda aparece um menino, sob os cuidados do advogado de uma “organizada” para dizer que ele fez tudo... Que espetáculo! Que vergonha! Que nojo!