minas gerais

É preciso viver na cidade

O prefeito Eduardo Paes desfilou nas seis escolas vencedoras, no sábado passado no Rio de Janeiro. Que inveja! Explico melhor: assim como a nossa presidenta da República, o governador de Minas e o prefeito de Belo Horizonte são recatados – até tímidos – e sempre viveram num ambiente mais reservado, ou seja, não têm culpa de não terem crescido na periferia, frequentado um botequim e participado de roda de samba. Na verdade, sequer são dados a prazeres comuns, como frequentar um mercado, tomar café na Praça Sete, essas coisas que a maior parte das pessoas fazem.

Aonde quero chegar? Penso que faria bem à cidade um governante que visitasse o zoológico uma vez por ano, para constatar como está mal cuidado; alguém que caminhasse no Parque Municipal aos domingos, para ver o tamanho da fila no banheiro das mulheres; que fosse a um enterro em qualquer cemitério público e passasse pelo desconforto, pelo medo de assalto e o assédio de flanelinhas que os comuns experimentam; alguém que, pelo menos uma vez no ano, fosse a uma Unidade de Pronto Atendimento para ver o que o povo costuma viver na UPA; um político poderoso que visitasse uma escola pública par a sentir um pouco da pressão que afasta os professores da vocação; como seria bom se um de nossos mandachuvas viajasse uma vez só de ônibus pela rodoviária para perceber as falhas... Ah, se forem de avião de carreira já vão sentir o drama de nosso aeroporto internacional que tem salgadinho caro, garagem sempre empoeirada e ensolarada e algumas coisas inacreditáveis com o fato de que se chegam dois voos internacionais ao mesmo tempo um dos aviões tem de permanecer na pista, por 40, 50 minutos porque só despacham um de cada vez.

Seria ótimo se nossos políticos passassem uma vez por semana no Anel Rodoviário, para sentir o calafrio da aproximação da morte ou fizessem uma viagem – só uma – pela BR 381 para sentir a proximidade com a eternidade em cada curva. Enfim, como eu queria que essa gente que toma as decisões que mudam nossa vida caminhasse num sábado à noite por qualquer via da cidade para perceber o tamanho de nosso medo de ir e vir. Voltando ao começo do texto: como seria bom se, como os cariocas, a gente tivesse um governante que chegasse junto das pessoas, brincasse Carnaval, tocasse nos eleitores fora do período eleitoral, vivesse de verdade a vida da cidade.