minas gerais

Espíritos armados

Se você está com medo da violência, evita lugares desertos e sombrios, além de manter sempre os vidros do carro fechados e já não desfruta do prazer de morar em uma casa, arejada, ampla, isolada para preservar sua família, estamos no mesmo barco. Se você exerce uma profissão que exige posturas mais contundentes e, em consequência, às vezes pode desagradar outros, gerando ameaças de toda ordem, posso compreender sua apreensão porque já experimentei desse veneno.

Fiz questão do preâmbulo para deixar claro o quanto respeito as pessoas que querem se armar. Mas, preciso me unir aos brasileiros que são contra a flexibilização do Estatuto do Desarmamento, quero reiterar o velho apelo no sentido de que tenhamos uma sociedade sem armas. Este ano promete ser de intensa batalha no Congresso Nacional onde tramitam nada menos que 88 projetos de alteração do Estatuto, sendo a maioria para a concessão de porte de armas a categorias como agentes de trânsito, auditores fiscais, oficiais de justiça, agentes socioeducativos, guardas municipais e até advogados públicos.

Tenho enfrentado desgastes com alguns servidores, como os guardas municipais, que veem na minha postura uma ação contra a categoria. Ao contrário, tenho o maior respeito, acho que podem ser ainda mais uteis – e olha que já mudaram o panorama em prédios públicos, especialmente postos de saúde e escolas – e, os mais idosos, vão se recordar do quanto cobrei do então candidato a prefeito Célio de Castro a criação da guarda na capital. O problema é um só: já temos armas demais no mundo. Os Estados Unidos que o digam: lá, o presidente não sabe o que fazer, dada a força do lobby da indústria beligerante, mas, diante de tragédias absolutamente inexplicáveis em escolas, chamou o vice-presidente, montou uma comissão e adotou medidas, convencido de que é preciso fazer alguma coisa. Entre nós, todos os dias temos as mais contundentes provas de que as armas legalizadas matam tal como as não registradas e, em mãos despreparadas, servirão para armar ainda mais os bandidos. Enfim, vamos partir para o olho por olho em praça pública? Devíamos todos, aproveitando o bom momento econômico do país, com ampla oferta de empregos, criar uma cultura de paz, de tolerância e crescimento espiritual, não de mais guerra.