minas gerais

Eu amo Belô!

Durante todo o ano, neste espaço, estamos sempre refletindo sobre as mazelas do nosso dia-a-dia e as tristezas que diminuem a qualidade de vida dos que habitam a capital de todos os mineiros. Mas, bem sabe o caríssimo leitor que uma relação de amor bem sucedida envolve eventuais conflitos e até brigas mais ásperas – só não comporta a indiferença, própria dos que já não ligam para a manutenção dos laços de afeto e respeito. Assim é que, no dia do aniversário de Belo Horizonte, reafirmo minha indignação com a falta de violência, a falta de médicos, a falta de obras essenciais para fazer o trânsito fluir e evitar danos maiores a vidas humanas quando das cheias dos nossos já destruídos e encaixotados córregos.

Reafirmo a irritação com os que não nos dão um anel rodoviário menos sangrento e a inacreditável inexistência de um metrô de verdade. Acho que nossos administradores são caipiras, provincianos mesmo; incapazes de pensar grande, fazer obras definitivas, ter a capacidade de enxergar depois da curva.

Mas, hoje quero dizer é o quanto gosto de Belo Horizonte! Para mim, o Mercado Central é como a Capela Sistina, no Vaticano, a Times Square, de Nova Iorque, ou o Arco do Triunfo, em Paris, ou seja, um lugar onde gente de todas as origens, raças, situação financeira e perspectivas de vida se encontra para ser feliz, cada um à sua maneira, sem se preocupar como o outro está vestido, qual é a profissão dele, enfim, o do lado não é um estranho, mas o outro. A nossa Savassi não fica nada a dever Ipanema ou Leblon... Alguém vai dizer: “Pera aí, Eduardo, cadê a praia?” e eu responderei que, para muitos - entre os quais me incluo - aquela feirinha de quinta à noite, na Pernambuco com Tomé de Souza, tem todas as virtudes da praia (mulher bonita, cerveja gelada, prosa boa) e está livre de algumas coisas bem chatinhas no mar, como o sol escaldante e aquela areia entrando onde não devia.

Mas, na verdade, não quero polemizar... Apenas, saudar a Pampulha, a Serra do Curral, a Praça Sete, o Parque Municipal, as Mangabeiras, o nosso Jardim Zoológico, o Mineirão e outras belezas, com ênfase, claro, para as nossas montanhas e um jeito mineiro de receber, de prosear junto ao fogão a lenha. Eu gosto muito de viajar, espero em Deus conhecer muitos lugares mundo a fora, mas, “é aqui que eu amo, é aqui que eu quero ficar, pois, não há lugar melhor que BH”.