minas gerais

Omissão imperdoável

O que mais impressiona em Minas Gerais é a diferença entre a prática e o discurso dos nossos homens públicos. Nesse momento, temos um festival de passividade de deputados, senadores e outros líderes que, brevemente, retomarão os discursos contra a presidenta Dilma e o governo federal, fingindo que estão surpresos com a nossa derrota na questão dos royalties do petróleo. Não vou sequer entrar no mérito da questão, embora tenha claro que não há estado produtor, considerando que o ouro negro é retirado em ato mar. O que me deixa realmente perplexo é a dubiedade de posicionamentos de nossas lideranças.

Quando começou a briga, era de se esperar Minas na liderança dos demais Estados, contra o Rio e o Espírito Santo na busca de uma melhor distribuição da riqueza. Já no começo da polêmica, o governador do Rio colocou 200 mil pessoas na rua, chorou, ameaçou. Agora, quando a presidenta tinha de tomar a decisão, de novo 200 mil pessoas nas ruas cariocas e o veto tão esperado se consolidou. A mineirada, no Senado e na Câmara, caladinha. Anteontem, na Associação Comercial de Minas, dois deputados federais, Fábio Ramalho e Vitor Penido, tentaram animar a plateia, prometendo esforços para derrubar o veto. Até parece. Cadê nosso líder inquestionável, candidato natural à presidência e príncipe de todas as causas mineiras, Aécio Neves? E o Clésio e o Perrela? Fazendo o quê? Onde está Rodrigo de Castro, nosso deputado de mais de 200 mil votos? Qual é o verdadeiro empenho da segunda maior bancada no Congresso? A turma já está nas festas de fim de ano. Depois, reclamam do governo federal, dizendo que migalhas disfarçadas de emendas de bancada não foram repassadas. Se a lei for mudada, só do petróleo virão 700 milhões a mais todo ano... Mas a gente não briga prá valer... Seguramente, outros interesses, outros acordos, travam a nossa força de reação.

Fico imaginando mineiros como Pedro Aleixo, JK, Celso Brant, Darci Ribeiro... Lá de cima, de outro plano, devem custar a acreditar no que estamos assistindo... Um estado de joelhos, que não recebe a contrapartida condizente com sua importância enquanto a turma da gravata cuida de sua reeleição, de novos voos, enfim, de seus interesses pessoais e paroquiais... É como diz o ex-deputado José Fernando Aparecido de Oliveira: “Nossa omissão já não é culposa; é dolosa”.