Por onde quer que ande há sempre alguém perguntando se o Temer vai cair, se o país tem futuro, etc. Adianto que não frequento bastidores da política, não sou cientista político, enfim, o que sei vem do noticiário que é acessado por todos. Então, tenho apenas impressões. A primeira delas de que Temer não resiste a mais dez dias no cargo. Como um sujeito de passado suspeito é flagrado ouvindo um rosário de crimes e concorda com o criminoso, estimulando este a continuar comprando silêncio, juiz, promotor e o que for preciso por projetos de poder, quer presidir a Nação?

Temer é pouca coisa perto de nossos problemas. O fato perturbador é que o cenário não parece colaborar com nossos sonhos de que, afinal, teremos um ambiente melhor para filhos e netos. Depois dos escândalos da Lava Jato temos mais absurdos todo dia, em todos os níveis. Vejamos o Legislativo: a Câmara Municipal de Belo Horizonte quer aprovar orçamento impositivo, isto é, obrigar o prefeito a liberar dinheiro para que eles, vereadores, determinem obras; a Assembleia Legislativa de Minas, que já tem orçamento impositivo, começou a votar os primeiros projetos do ano esta semana... E priorizaram aumentos para servidores da casa, do judiciário e do ministério público. Ai, perguntaram ao Durval Ângelo, líder do governo, se não é estranho considerando que o Estado está quebrado, ele respondeu: “São poderes diferentes, cada um com seu orçamento”. O que o homem dos direitos humanos não lembra é que o caixa é um só e haverá aumento para justamente os que já ganham muito mais. Ah, mas a AL só votou esses projetos para limpar a pauta porque a pressa mesmo é para aprovar, de afogadilho, a criação de fundos assustadores que o governador quer. Mas, a grande tragédia é o Congresso, com atitudes inacreditáveis e comprometimentos tenebrosos.

Na última quarta-feira, enquanto 9 entre 10 pessoas que me rodeavam lamentavam as depredações em Brasília, eu me perguntava se não é contraditório que nós, brasileiros, passemos a vida reclamando, exigindo mudanças, mas, ao mesmo tempo, recusando qualquer reação mais exacerbada das ruas. Logo qualificamos de baderneiros e vândalos os que enfrentam a força

pública. Se assistimos pela TV Paris ou Buenos Aires em chamas elaboramos frases como “tá vendo? Lá fora é diferente”. Aqui, são vândalos, desordeiros e bando de criminosos.

Alguém conhece alguma grande mudança na humanidade que não tenha sido conquistada com sangue e suor? Por que a gente não deixa de criticar quem está na rua, correndo todos os riscos, e vai pra lá, fazer o que julga certo e mudar o mundo? Ou, assume logo que não quer mudança de verdade?

Não sei até quando vai nossa letargia, mas, ouso avisar aos senhores do poder que estão ultrapassando todos os limites, provocando até as mais pacatas almas e cutucando a onça com vara curta. Esquecerem os recados de 2013, acham que são eternos e que, baixada a poeira, tudo continua como sempre. Não percebem que a paciência está acabando.

Vou falar com eles de quatro maneiras:

Na física, a termodinâmica explica a entropia – medida de desordem das partículas em um sistema físico;

Na poesia, Antoine de Saint Exupéry avisou que nos tornamos responsáveis por tudo o que cativamos;

Na espiritualidade, conhecemos a lei de causa e efeito, e,

Na sabedoria popular sabemos que pé de manga não dá jabuticaba.