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Vanderlei Luxemburgo foi demitido há pouco, nesta quinta-feira (2), do comando técnico do Flamengo.
Com ele, deixam o clube o diretor executivo Luiz Augusto Veloso, o gerente de futebol Isaías Tinoco, o preparador físico Antônio Mello e o auxiliar Junior Lopes, filho do técnico Antônio Lopes.
Mais uma vez, uma decisão importante no Fla foi marcada pela fraqueza, pusilanimidade e incompetência da gestão do clube e, por outro lado, pela insensibilidade igualmente absoluta do demitido.
No meio disso tudo, demonstrações patéticas e desnecessárias de amadorismo, vaidade e primmadonismo periférico.
Vanderlei até não estaria errado no conceito de condenar o fato de Ronaldinho Gaúcho ter levado mulher para o hotel da concentração, se isso realmente ocorreu.
Mas, no restante deste caso e em todo o enfrentamento da diretoria, misturou insensibilidade com aparente inocência.
Nem parecia o macaco velho que viveu crises contra cobras criadas e com veneno em toda a sua carreira.
E que sabe que, ao menos enquanto não voltar a conquistar títulos importantes, voltando a fazer o passado virar presente, seu poder de fogo para bancar batidas de frente e vencê-las, sobretudo com dirigentes fortes e estrelas do porte de R10, é, em função desses desgastes recentes, limitado.
Se Vanderlei, naquele momento, vazou para a imprensa a informação de que R10 levou a mulher na concentração antes de negociar o que queria com a diretoria, jogou contra si.
Segundo: achar que Patrícia Amorim e a diretoria do Flamengo, esta em pé de guerra com ele, iriam queimar R10, que interessa ao clube em vários aspectos e não recebe a maior parte de seu pagamento há cinco meses, por uma questão até fácil de contornar como essa da mulher, dando poder ao técnico 0num momento em que não só o craque mas também várias pessoas no time o questionavam, foi de uma inocência quase comovente.
Depois de bater de frente com vários diretores e elencos em sua carreira, à custa de muitos desgastes, Vanderlei passou um ano no Flamengo tentando dar, ao clube à opinião pública, a sensação de que tinha se tornado uma pessoa mais tranquila, menos explosiva e sem disposição para embates.
Um profissional conformado em ser apenas técnico, sem poder para decidir e negociar contratações e a formação do elenco.
Todos sabiam que Vanderlei tinha apenas colocado o urso para hibernar.
No primeiro momento em que julgasse existir espaço político para reagir, ele acordaria o bicho e partiria para cima. É de sua natureza. Assim foi feito. E assim, mais uma vez, Vanderlei caiu.
Patrícia Amorim e seus cartolas agregados não ficaram atrás nos erros.
Sabiam que era da natureza de Vanderlei este tipo de comportamento e o contrataram mesmo assim.
Agora, vão pagar R$ 4 milhões de multa rescisória – um jogador dos bons – para ouvir o técnico meter o pau em Patrícia e sua turma por um bom tempo.
Antes, poderiam ter conversado de forma mais madura com o técnico para esfriar o clima.
A crise que o clube viveu ainda no período de preparação neste ano foi inaceitável.
A propósito, deve ser difícil pedir ausência de vaidade desnecessária nesta diretoria quando se vê a cena do sorridente diretor Michel Levy correndo para abraçar Vagner Love, em sua apresentação, como se naquela hora de suprema emoção a estrela necessitasse de uma única atitude nesta terra para aplacar tudo aquilo: um abraço do ... sorridente diretor Michel Levy. Constrangedor.vOs elogios anteriores e fartos da presidente não foram suficientes para conter o ímpeto. Muitos se lembraram de papagaios. E de piratas.
De qualquer forma, o Flamengo demitiu Vanderlei com requintes de tortura, sem esconder a sede de vingança.
Na quarta-feira (1º), antes da vitória de 2 a 0 sobre o boliviano Potosí, colocando o clube de vez na Libertadores deste ano, os cartolas deixaram vazar que tinham convidado Joel Santana e dado essa informação aos jogadores.
A mudança vazada antes do jogo seria uma forma de dar um gás extra a R10 e a outros jogadores em conflito com Vanderlei.
Quando a notícia caiu nos veículos de comunicação, Patrícia desmentiu tudo, ao vivo e de forma aparentemente segura, na rádio Tupi do Rio de Janeiro. Disse:
- Venho a público desmentir esta notícia. Ele vai dirigir o time hoje, temos jogo na sexta, no domingo. Não há nada que diga que o treinador não é do Flamengo, não.
Com a declaração da presidente, a vitória de 2 a 0 sobre o Potosí e a classificação, Luxemburgo trocou o desabafo que prometia por uma entrevista pacificadora, suave até, elogiando todo mundo mas deixando claro que não iria pedir demissão. E, com ela, abrir mão dos R$ 4 milhões da multa.
Deixou o estádio confiante, perguntando aos jornalistas no elevador se tinha se saído bem (mas com a certeza interna absoluta de que sim) e deve ter dormido com tranquilidade.
Nesta quinta-feira (2), chegou às 16h05 ao centro de treinamento do Flamengo, no Ninho do Urubu, Zona Oeste do Rio, sem ser comunicado oficialmente de que sua demissão tinha sido decidida em uma reunião de Patrícia com os diretores que durou toda a manhã.
Por celular, soube que a degola tinha sido anunciada na imprensa exatos 52 minutos antes.
E com requintes de soberba crueldade.
Vazada por seus inimigos dirigentes dentro do Fla, a informação do rodo encontrou primeiro justamente o jornalista Renato Maurício Prado, de O Globo, outro desafeto do técnico. Prado publicou a demissão em primeira mão, em seu blog, precisamente às 15h13.
Vanderlei desligou o celular, pegou o carro e deixou o Ninho apressado, com uma leve cantada de pneus.
Não se despediu dos jogadores.
Nesta briga em que todos erraram desde o início, o final não poderia ser mesmo livre de muita maldade.
O próximo técnico do clube deverá ser Joel Santana, ao lado do preparador físico Ronaldo Torres e dos auxiliares Marcelo Salles, braço direito de Andrade na conquista do Brasileirão de 2009, e Mauricio Albuquerque.
Paulo Angione, atual supervisor do Bahia, deverá assumir as funções de Tinoco e Veloso.
E para você, quem foi o pior nesta história¿
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