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Posts de 02/12/2009

2 Dez 13h00

Jornalista esportivo sem time de futebol? É mentira

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time2 Jornalista esportivo sem time de futebol? É mentira

Voce, é claro, já ouviu jornalistas esportivos, comentaristas e locutores dizerem que não torcem para nenhum time de futebol.

Não acredite.

É mentira.

Por um motivo elementar: todos os profissionais de comunicação que chegaram ao futebol só aprenderam a amar este esporte e mergulharam nessas profissões por amarem, desde criança, um time.

E esse amor a gente, quando é do ramo (e claro que todos esses jornalistas e cronistas são do ramo), não esquece nunca, não é mesmo?

Jornalistas esportivos e torcedores são muito parecidos.

Jornalistas esportivos são torcedores que resolveram ser jornalistas.

Torcedores são torcedores que resolveram ser qualquer outra coisa.

O resto é praticamente igual.

Com o tempo, o contato direto com os jogadores e com a rotina do esporte diminuem parte do encanto que a distância alimenta.

Amenizam a paixão.

E tornam os profissionais ligados ao esporte mais frios e equilibrados diante das vitórias e dos revezes da sua equipe do coração.

E de qualquer outro time.

Tudo isso é verdade.

Agora, dizer que nunca teve time, que não tem mais time, que não torce para ninguém, tudo isso é balela.

A intensidade diminui, os impulsos da paixão são controlados, mas aquele lado bonito da paixão por um time jamais deixa de existir.

Em nenhum deles.

Todo o resto é retórica.

Embora eu ache uma bobagem esculpida em suor, como diria o tricolor Nélson Rodrigues (que, por sinal, fez a mais apaixonada crônica da história sobre o rival Flamengo), jornalista esportivo tem todo o direito de não revelar para que time torce.

Mas há no mercado, aos baldes, jornalistas esportivos sublimes que não deixam de ser sublimes por terem assumido o time do coração.

Por um raciocínio próximo ao dos que escondem seu time, mas com uma justificativa efetivamente relevante, o jornalista especializado em política normalmente não revela em quem vota.

Mas há um detalhe fundamental: ele vota.

Torcer para um time sem contar isso em público e amar um time dizendo jamais ter tido um são duas coisas completamente diferentes.

Eu sempre tive vontade de estabelecer, em algum texto, essa diferença.

Nessa reta final do Brasileirão, achei o momento.

Em tempo: se ainda não ficou claro nas tascadas que cometo neste blog, torço para o Flamengo.

E você, amado amigo da blogosfera colorida, acha que jornalistas deveriam assumir ou esconder seus times do coração?

Comentem. Comentem. Comentem.

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2 Dez 05h00

O Ibope sabe que perguntar não ofende: domingo que vem vai dar pau de novo?

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Meu confrade de R7 Marco Antonio Araujo disse, em seu blog O Provocador, praticamente tudo o que era necessário ser dito sobre a trapalhada do Ibope contra a Rede Record.

Quem ainda não conferiu pode ler aqui.

Quero apenas acrescentar alguns detalhes.

Na noite de domingo 22 de novembro, entre o final do Programa do Gugu e o início da Fazenda, quando o coro da Record na Globo e nas demais concorrentes era anunciado e inevitável, o Ibope alegou falha das empresas de telefonia celular que transmitem seus dados para dar números estranhos e improváveis sobre a disputa de audiência.

Para surpresa geral, o Ibope divulgou uma vitória de 18 pontos a 13 para a Globo na noite de 22 de novembro.

E, desta vez para perplexidade geral, a TIM e a Vivo, as duas empresas de telefonia que atendem o Ibope, negaram qualquer problema em seus serviços naquele horário.

Os números no domingo anterior, no mesmo horário, foram os mesmos, 18 a 13 - só que a favor da Record.

Vou acrescentar apenas alguns tópicos.

Na tarde desta terça-feira (01), um respeitado especialista em pesquisas do País lembrou a este blog, com a condição de não ser identicado, vários erros na história recente do instituto.

Entre eles, as eleições de Jânio Quadros para a prefeitura de São Paulo (o Ibope deu Fernando Henrique Cardoso) e de Joaquim Roriz para o governo do Distrito Federal (o instituto cravou vitória de Cristovam Buarque).

O especialista acrescentou que, mesmo após a desconfiança gerada por esses, digamos assim, erros, as pesquisas eleitorais do Ibope continuaram a mostrar resultados bem diferentes da média dos institutos "em um número muito maior de vezes do que era seria razoável esperar".

O especialista destaca um detalhe importante:

- Na primeira metade ou nos primeiros dois terços de grande parte das campanhas eleitorais, os números do Ibope destoam concretamente dos apurados pela média dos outros institutos de pesquisa. À medida em que o dia da eleição se aproxima, os números deles vão chegando perto da realidade. Até que, na boca de urna, no dia do voto, eles entram na margem de erro, a exemplo dos outros concorrentes. Assim , fica tudo bonito, moralizado.

O especialista continua sua reflexão:

- Se eles conseguem resultados tão precisos nos dias anteriores à eleição e também na boca de urna, é porque, tecnicamente, sabem fazer bem. Não afirmo nada, mas ainda hoje canso de ouvir gente respeitada do mercado dizer que o Ibope, em vários casos, manipula resultados no início de algumas campanhas, por algum motivo, e, na reta final, acerta os números para não comprometer a imagem do instituto.

Se esse especialista estiver certo, é o fim - ou pelo menos deveria ser.

É a história da necessidade de parecer honesto ao lado da obrigação de ser honesto.

Tudo nos leva, de forma cristalina e inatacável, ao fato de que o Ibope e o seu presidente, Carlos Augusto Montenegro, não possuem mais condições de fornecer os números usados para definir os rumos do bilionário mercado publicitário da televisão brasileira.

Por último, mas não menos importante: domingo que vem vai dar pau de novo?

O Ibope, que em seu trabalho abusa das perguntas (ou pelo menos deveria abusar), sabe que perguntar não ofende.

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