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2 Dez 05h00

O Ibope sabe que perguntar não ofende: domingo que vem vai dar pau de novo?

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Meu confrade de R7 Marco Antonio Araujo disse, em seu blog O Provocador, praticamente tudo o que era necessário ser dito sobre a trapalhada do Ibope contra a Rede Record.

Quem ainda não conferiu pode ler aqui.

Quero apenas acrescentar alguns detalhes.

Na noite de domingo 22 de novembro, entre o final do Programa do Gugu e o início da Fazenda, quando o coro da Record na Globo e nas demais concorrentes era anunciado e inevitável, o Ibope alegou falha das empresas de telefonia celular que transmitem seus dados para dar números estranhos e improváveis sobre a disputa de audiência.

Para surpresa geral, o Ibope divulgou uma vitória de 18 pontos a 13 para a Globo na noite de 22 de novembro.

E, desta vez para perplexidade geral, a TIM e a Vivo, as duas empresas de telefonia que atendem o Ibope, negaram qualquer problema em seus serviços naquele horário.

Os números no domingo anterior, no mesmo horário, foram os mesmos, 18 a 13 - só que a favor da Record.

Vou acrescentar apenas alguns tópicos.

Na tarde desta terça-feira (01), um respeitado especialista em pesquisas do País lembrou a este blog, com a condição de não ser identicado, vários erros na história recente do instituto.

Entre eles, as eleições de Jânio Quadros para a prefeitura de São Paulo (o Ibope deu Fernando Henrique Cardoso) e de Joaquim Roriz para o governo do Distrito Federal (o instituto cravou vitória de Cristovam Buarque).

O especialista acrescentou que, mesmo após a desconfiança gerada por esses, digamos assim, erros, as pesquisas eleitorais do Ibope continuaram a mostrar resultados bem diferentes da média dos institutos "em um número muito maior de vezes do que era seria razoável esperar".

O especialista destaca um detalhe importante:

- Na primeira metade ou nos primeiros dois terços de grande parte das campanhas eleitorais, os números do Ibope destoam concretamente dos apurados pela média dos outros institutos de pesquisa. À medida em que o dia da eleição se aproxima, os números deles vão chegando perto da realidade. Até que, na boca de urna, no dia do voto, eles entram na margem de erro, a exemplo dos outros concorrentes. Assim , fica tudo bonito, moralizado.

O especialista continua sua reflexão:

- Se eles conseguem resultados tão precisos nos dias anteriores à eleição e também na boca de urna, é porque, tecnicamente, sabem fazer bem. Não afirmo nada, mas ainda hoje canso de ouvir gente respeitada do mercado dizer que o Ibope, em vários casos, manipula resultados no início de algumas campanhas, por algum motivo, e, na reta final, acerta os números para não comprometer a imagem do instituto.

Se esse especialista estiver certo, é o fim - ou pelo menos deveria ser.

É a história da necessidade de parecer honesto ao lado da obrigação de ser honesto.

Tudo nos leva, de forma cristalina e inatacável, ao fato de que o Ibope e o seu presidente, Carlos Augusto Montenegro, não possuem mais condições de fornecer os números usados para definir os rumos do bilionário mercado publicitário da televisão brasileira.

Por último, mas não menos importante: domingo que vem vai dar pau de novo?

O Ibope, que em seu trabalho abusa das perguntas (ou pelo menos deveria abusar), sabe que perguntar não ofende.

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