15 Dez 18h13
Richarlyson é a Geisy da vez. Ameaçá-lo de morte é coisa de animal. E caso de polícia

É impressionante o quanto se perde tempo para exercer medievalices e mediocridades, as mais estúpidas e vãs.
A mais recente, neste final de ano de pseudo-polêmicas tão medíocres quanto o próprio ano, foi transformar o jogador Richarlyson, do São Paulo, na Geisy Uniban Arruda da vez.
Há tempos se tenta essa idiotice.
Tudo porque o rapaz obedeceu a própria vontade e colocou no cabelo um aplique, um prolongamento, um estica- e-puxa, sei lá que raios se chama aquela bagaça que aumenta a juba.
Ele queria assim.
Ele ficou feliz com seu novo visual.
Sua mãe também.
Sem pai também.
Seu irmão também.
Na segunda (14), a apresentadora Silvia Poppovic, em um daqueles atos falhos menores que arrebentam nossos escudos, rasgam nossas roupas pomposas e nos exibem contra nossa própria vontade, tirou da própria imaginação, das costas da orelha, que o rapaz tinha assumido ser gay.
Pior: tascou isso no ar, ao vivo e em cores, na Rede Bandeirantes (esse negócio de Band não me convence muito não...).
Até agora estão procurando quando, em que lugar, na frente de quem e à captação de qual microfone ou gravador o rapaz assumiu ser gay.
Agora, na internet, ameaçam matá-lo por causa do cabelão.
Que coisa terrível...
Os torcedores do São Paulo deveriam se preocupar menos com a vida pessoal de Richarlyson.
E também com o fato de quererem "lavar a honra" a qualquer custo, talvez pressionados pela encarnação dos rivais com essa coisa de bambi.
São-paulinos precisam se desvencilhar de duas obsessões: sempre rebater a brincadeira do bambi e vigiar o Richarlyson faz ou deixa de fazer a partir do momento em que bate a porta de seu carro e deixa o centro de treinamento do São Paulo ou o campo em que jogou - ou seja, o trabalho - para tocar sua vida particular.
Em relação aos meios de comunicação, penso o seguinte: se o cara for gay, quiser um dia falar sobre isso e vier assumir qualquer coisa publicamente, noticiem e ponto.
Agora, enquanto isso não ocorre (e poderá nunca ocorrer, mesmo porque ele pode não ser gay; e, se for, não tem a menor obrigação de colocar sua vida pessoal em praça pública), vamos parar com essas ilações rasteirinhas, pequenininhas, essas sínteses imbecis de observador com a sutileza de um porta-aviões, que estabelecem relações profundas do tipo "ahhhh, ele colocou um cabelão... então é bichaaa...".
Aaahhhhhh...
Coisa tosca, sô.
Agora, ameaçá-lo de morte é outro patamar.
Coisa de animal.
Caso de polícia.
Às investigações, portanto.
Os posts estão aí. Os IPs da Internet também.
É só rastrear e chegar a quem ameaçou.
Richarlyson é excelente jogador.
Versátil, joga em várias posições, corre o tempo todo e ajuda a arrumar qualquer equipe.
Não o querem?
Adoraria tê-lo no meu time.
Sou heterossexual, mas não me refiro a este time ou a qualquer outro relacionado à condição sexual.
É o Flamengo, clube para o qual, como já disse aqui, eu torço.
Porque o time das preferências em que Richarlyson enquadra ou irá se enquadrar em algum momento de sua vida, isso é problema exclusivo dele.
Eu, o nobre amigo da blogosfera colorida, a Poppovic, a torcida do São Paulo e o mundo não temos nada a ver com isso.












