16 Dez 03h42
Pena esportiva para o Coritiba é exemplar. Falta agora a Justiça punir e tirar dos estádios o vândalo travestido de torcedor

Perda de 30 mandos de campo.
Multa de R$ 610 mil.
A punição imposta ao Coritiba pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), em função da insanidade cometida por vândalos disfarçados de torcedores, no último dia 6 de dezembro, no Estádio Couto Pereira, após o empate em 1 a 1 com o Fluminense que rebaixou a equipe paranaense, foi exemplar.
A equipe jogará fora de casa toda a Série B de 2010.
E, ainda que chegue à final da Copa do Brasil, terá mais cinco jogos para pagar em 2011.
O clube vai pagar a conta.
A suprema maioria dos amantes do Coxa - gente muito bacana, do absoluto bem - vai pagar a conta.
O problema é que, infelizmente, muitos dos que se identificam como torcedores deste glorioso clube - a rigor os que deveriam efetivamente ser punidos - estão felizes neste momento.
Meramente porque não amam o Coxa, mas a algazarra, a covardia e o caos.
Isso, evidentemente, está longe de ser um fenômeno restrito ao nobre clube paranaense.
Muito longe.
Na rodada anterior, no jogo em que o Flamengo venceu o Corinthians por 2 a 0 no Estádio Brinco de Ouro da Princesa, na bela Campinas (SP), testemunhei uma cena dantesca, bizarra, quase inacreditável.
Na saída do estádio, corintianos de uma torcida organizada apressavam os torcedores rubro-negros.
Sinalizavam malucos para que os adversários passassem logo com seus carros, ilesos, e abrissem caminho para que eles atacassem, com paus e pedras, os ônibus de outra organizada do Corinthians.
Não queriam nada com os rivais do dia, os flamenguistas, algo que seria igualmente estúpido mas, ao menos, provido de algum resquício de lógica.
O negócio era ver no asfalto o sangue do próprio irmão corintiano.
No mesmo dia 6 do jogo do Coxa, rubro-negros da Torcida Jovem e da Raça Rubro-Negra se engalfinharam nas ruas, calçadas e na areia da praia do Leblon, o mais sofisticado bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro.
E olha que todos comemoravam o título que o time havia conquistado horas antes, após longos 17 anos de fila.
No início do ano passado, enquanto eu realizava um projeto profissional para o Ministério do Esporte no Rio, passei de ônibus em frente ao Maracanã logo após um Flamengo e Botafogo pelo Campeonato Estadual.
Um rapaz de uns 17 anos, 18 talvez, vestido com camisa da Torcida Jovem, entrou no busão já lotado.
Perguntei a ele como tinha sido um determinado gol do Flamengo.
O camarada deu uma respirada, soltou um sorriso de quem se considera a última azeitona do dry martini e tascou essa:
- Sei não, merrmão. Aí: fico o tempo todo ali, na parada, de costas para o campo, gritando que vâmu dá porrada nos botafôgu e na Raça...
Eu perguntei:
- Na Raça também?
Ele mandou:
- Claro, cumpadi. Aí: nos cara qui a gente dá mais bolado merrmo...
Restou-me ver o gol à noite na televisão.
Com todos os seus defeitos - e ele certamente tem muitos - o STJD pune o clube e cria mecanismos para que suas sentenças sejam cumpridas.
O clube efetivamente paga o pato.
Já esses caras na Justiça comum...
Eles continuam por aí, livres para encontrar conosco no próximo ônibus, na próxima arquibancada.
Encontrar e... sacoméquiéné?
Enquanto não forem implantados mecanismos judiciais que realmente tirem essa turma dos estádios, ela vai continuar a prejudicar os times.
E a rir da Justiça e da nossa cara.
Que a polícia, os legisladores e a Justiça resolvam isso com rapidez.
Demorou.
Muito.
Ninguém aguenta mais.












