21 Dez 23h57
Jobson merece pena dura. Mas bani-lo do futebol é estupidez

Jobson, atacante do Botafogo na temporada de 2009, caiu duas vezes na tarrafa do exame antidoping do Brasileirão.
A primeira após o jogo contra Coritiba. A segunda, depois da partida contra o Palmeiras.
Cocaína.
Deverá ser julgado no próximo mês pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva).
Pelas leis antidoping internacionais, se ficar caracterizada juridicamente a reincidência, o atleta, que tem os direitos econômicos ligados ao Brasiliense (DF), pode ser eliminado para sempre do esporte.
Mesmo com os dois flagrantes, não há consenso de que o atacante seja reincidente.
Na avaliação da promotoria do STJD, há reincidência e os testes positivos dos dois jogos devem ser julgados separadamente.
Se essa tese prevalecer, as chances de Jobson ser excluído para sempre do esporte aumentam.
Mas vários especialistas discordam dela.
O argumento de constestação é o seguinte: para ter valor, a reincidência só é caracterizada quando o atleta usa novamente a substância proibida depois de ter sido avisado, pela Justiça Desportiva, de que sua primeira infração foi descoberta e será julgada.
Não foi o que ocorreu com Jobson.
No dia em que ele forneceu urina para o segundo exame, depois do jogo contra o Palmeiras, ainda não tinha recebido qualquer informação sobre a descoberta de cocaína no primeiro material, colhido após a partida contra o Coritiba.
Essa deverá ser a tese defendida nos tribunais pelo advogado de Jobson, Carlos Portinho, para evitar o banimento definitivo do jogador.
- O mérito da questão é o seguinte: mesmo com testes positivos em duas partidas, Jobson não tinha conhecimento do primeiro caso até colher material e fazer o exame que gerou o segundo registro. O Código Mundial Antidoping é claro ao estabelecer que é necessário haver a comunicação anterior para se caracterizar, juridicamente, a reincidência no doping - defende Portinho.
Penso que Jobson merece pena dura.
Uma longa suspensão - Três, quatro anos talvez.
Mas proibir para sempre, até o final da vida, um menino de apenas 21 anos, de família pobre do interior do Pará, de atuar na única profissão que ele sabe exercer com desenvoltura é obra de suprema estupidez.
Aí quem é contra pergunta: "Então, porque ele cafungou e cafungou de novo? Se a lei for essa..."
Aí respondo em partes:
Não sei se Jobson é viciado ou não em pó.
Se for, vale a pena tentar recuperá-lo para que ele use seu raro talento. Ele ainda é muito jovem.
Se não for vício, melhor ainda. Pode ser um momento delimitado de fraqueza, falta de orientação e dificuldade. Com apoio, pode ser superado.
Ou alguém acha que alguém merece perder a carreira por um período de fraqueza que teve por dois, três ou seis meses?
Quem nunca teve na vida pelo menos um momento em que deixou a desejar em termos pessoais, psicológicos, profissionais ou familiares?
Não sou moralista.
Se ele caiu e está caindo na gandaia, na carraspana, que tome uma sacudida, seja punido.
Mas que também seja direcionado a colocar as coisas da vida em bom tom, sem as vicissitudes e idiossincrasias que possam prejudicá-lo e afundar seus clubes.
Giba, atacante da seleção brasileira de vôlei, um dos mais admirados atletas que este esporte já teve no Brasil, foi flagrado pelo exame antidoping em 2003.
Maconha.
Um ano depois, nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004, o Brasil ganhou ouro no vôlei masculino.
Sabe quem foi o melhor jogador da competição?
Isso mesmo: Giba.
A solução era tê-lo banido no vôlei?
Por último, mas não menos importante: pena é para funcionar, no segundo momento, como catalizador da recuperação, e não para dar o impulso final nas costas do camarada que se equilibra na beira do abismo.
Hoje, a gente arruma um raciocínio lógico rasteiro (não é difícil arrumar raciocínios lógicos rasteiros) para justificar uma pena capaz de aniquilar a carreira de um rapaz de 21 anos sem qualquer espaço para se relativizar as inconsequências típicas desta faixa etária.
Amanhã, até mesmo por caminho lógico de consequência, a gente passa a achar, por exemplo, que fuzilar um infeliz deste poderá não ser assim um problema tão grande.
Afinal de contas, um grupo de sábios já decidiu que ele não merece viver sua vida profissional e realizadora mesmo...
E você, amado amigo da blogosfera colorida, o que pensa?
Como sempre, quero sua opinião.












