27 Jan 17h41
Presidente Henrique Meirelles ou presidente Michel Temer? Vice, a gente sabe, pode deixar de ser vice a qualquer hora…

A disputa entre o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o da Câmara dos Deputados, Michel Temer (SP), pela vaga de vice na chapa presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, esquenta a cada minuto.
E vice, o Brasil sabe bem, pode assumir a quaquer momento. Por um bom tempo ou até o final do mandato. José Sarney e Itamar Franco nos provaram isso.
O PMDB "partidário" quer Temer.
O presidente Lula e o PT preferem Meirelles.
Mas o que cada um traria de positivo e de negativo para a aliança?
Primeiro, Temer.
Pelo menos em tese, o paulista Michel Temer traria para Dilma a garantia de um apoio mais sólido e constante do PMDB na Câmara dos Deputados e no próprio Senado.
E também nos governos estaduais e prefeituras controlados pelo partido.
Temer manda no partido por cima - tem a simpatia de José Sarney e dos outros grandes caciques do partido.
E manda por baixo - exerce forte influência sobre as lideranças políticas e locomotivas de voto espalhadas pela poderosa máquina partidária PMDB, a mais tradicional, capilarizada e ramificada de todo o País.
Além disso, seu poder político vem de São Paulo, o estado que hoje faz a diferença a favor de Serra nas pesquisas de intenção de voto.
Uma certeza une, Lula, os marqueteiros do PT e os líderes do partido: Dilma só vencerá se uma parte da vantagem que Serra ostenta sobre ela no Estado de São Paulo for revertida, sobretudo no segundo turno.
O paulista Temer ajudaria neste trabalho.
E o que o deputado traria de ameaçador?
Na avaliação de petistas ouvidos por este blog, o tamanho da conta e a lista de exigências que seriam apresentadas por ele em nome do PMDB.
Todos temem - sem trocadilho - que elas poderão ser grandes e altas demais.
Agora, Meirelles.
O goiano Henrique Meirelles presidiu a holding internacional do Bank Boston.
Economista, administrador e executivo do setor financeiro, foi o deputado federal mais votado em Goiás em 2002, com 183 mil votos, pelo PSDB.
Abriu mão do mandato para ocupar a presidência do Banco Central.
É um dos pouquíssimos homens-chave do atual governo a permanecer no mesmo cargo desde o primeiro dia do primeiro mandato de Lula.
Aparentemente, Lula e o PT querem ver Meirelles funcionar como armadura para a ex-guerrilheira Dilma nos momentos de desconfiança e pressão dos setores empresariais e financeiros.
Seria a garantia de que o governo Dilma não tentaria "reinventar a roda", como costuma ilustrar o presidente.
Na prática, Lula quer muito mais do que isso.

Se dependesse apenas dele, Meirelles seria o José Alencar de Dilma.
Mas não apenas um Jose Alencar "econômico", que garantisse a interlocução tranquila com os setores produtivos e financeiros.
Lula quer também que Meirelles seja um José Alencar "político".
Um Meirelles leal, agradecido e pouco ligado à rotina da máquina partidária peemedebista.
E, acima de tudo, pouco disposto - ou pelo menos bem menos do que Temer - a lutar implacavelmente, durante todo o mandato, por ministérios, cargos e recursos para a máquina e os barões políticos do PMDB em todo o País.
Exatamente o perfil adotado por Alencar.
Exatamente o oposto do perfil que, imagina-se, seria adotado por Temer.
O PMDB tem fome.
Sempre teve.
E os petistas sabem: Temer não fará questão de disfarçar as demandas sempre pesadas do partido para aplacar esse apetite.
E o que Meirelles poderia trazer de ameaçador?
De acordo com fontes do PT, o risco de perder parte da base de apoio do PMDB, caso ele, por lealdade a Lula e Dilma, não se comprometa a lutar com firmeza na conquista de espaço e de cargo para o partido.
Com todos os desgastes que essa atitude poderá implicar.
Em termos administrativos, de um lado está Meirelles, o gestor, o administrador mais "destilado".
De outro, Temer, um vice com força política, experiência nos bastidores e poder de articulação.
Lula e o PT sonham com Meirelles.
Mas se, neste caso, o PMDB optar por ser PMDB, é grande a chance de o presidente e os petistas acordarem mesmo ao lado de Temer.












