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2 Fev 21h16

Petkovic fica no Flamengo. Final correto para uma briga recheada de melindres bobos e sintomas de amadorismo

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pet 300x225 Petkovic fica no Flamengo. Final correto para uma briga recheada de melindres bobos e sintomas de amadorismo

Petkovic fica no Flamengo.

Ficou barato para ele, como explica reportagem do R7.

Não houve sequer uma multa.

Ele levará apenas uma advertência na carteira de trabalho, o que daria ao Flamengo o direito de rescindir seu contrato em caso de nova falta grave.

Além disso, ficará afastado do grupo nos próximos dois jogos.

Ficou, de fato, muito barato.

No domingo (31), contrariado por ter sido substituído, o craque foi embora no intervalo do Fla-Flu pelo empolgante Campeonato Carioca de 2010.

O time da Gávea perdia por 3 a 1, mas virou a partida para 5 a 3 com grandes atuações de Adriano, Vagner Love e do substituto de Pet, o jovem Vinícius Pacheco.

O vice-presidente de futebol do Flamengo, Marcos Braz, alertou para que Pet ficasse.

Explicou que, se ele fosse sorteado para o antidoping após o jogo e não estivesse no vestiário para fazer o exame, jogador e clube poderiam ser punidos.

Mesmo assim, Pet foi embora.

Antes, teria havido entre os dois uma discussão áspera, temperada por muitos palavrões.

Braz anunciou que Pet estava fora do grupo.

Sem citar o nome do dirigente, o craque pediu desculpas, na terça-feira (2), em seu blog. Disse ele:

- Em resposta às inúmeras mensagens que venho recebendo dos torcedores do Flamengo, confirmo que minha intenção é permanecer no clube. Sobre o mal-entendido acontecido no último domingo, peço desculpas à instituição, aos jogadores e, principalmente, à torcida Rubro Negra. Aproveitando ainda para reforçar que sempre zelei pelos interesses do grupo, clube e torcedores.

Petkovic fez bem em pedir desculpas.

Errou feito.

Errou porque tinha que ficar para a possibilidade de ser sorteado no antidoping. Era parte de sua obrigação profissional.

Errou porque, sob o ponto de vista esportivo - e também de respeito aos colegas de trabalho -, não se abandona o grupo em meio a uma derrota que, naquele intervalo, parecia muito provável.

Equívocos que se tornam ainda mais constrangedores quando se trata de um jogador tão inteligente, experiente e responsável com Dejan Petkovic.

O vice-presidente Marcos Braz mostrou sua competência no pouco tempo em que está no cargo.

Mas, às vezes, passa, a exemplo de Pet, a sensação de que é dominado pelo sangue quente de uma forma mais intensa do que seria aceitável para um homem com a sua responsabillidade e exposição pública.

Se Petkovic deixasse o Flamengo, seria ruim para ele, líder de vários projetos de marketing ligados à sua parceria com o clube.

Ruim para Braz, que certamente seria responsabilizado por alguém, em algum momento, pela contribuição para a perda de um ídolo amado pela torcida.

E um desastre para o Flamengo, que perderia seu craque às vésperas de disputar a Libertadores e certamente teria novos problemas com o jogador.

Como se sabe, Pet, para voltar ao clube, abriu mão de R$ 8 milhões dos R$ 16 milhões que o Flamengo lhe deve, um papagaio reconhecido em última instância pela Justiça.

Não cabe apelação.

Até fazer o acordo que permitiu sua volta, Pet vinha penhorando na Justiça todas as rendas do Flamengo no Estado do Rio de Janeiro.

Duvido que, se fosse mandado embora, ele deixaria este desconto de 50% ficar como está.

É certo que existam cláusulas legais para que o jogador reivindique a volta da dívida total em caso de dissolução do acordo anterior.

É quase certo também que este abatimento tenha, digamos, contribuído para um final tão diplomático e ameno por parte do Flamengo.

O futebol brasileiro é assim: todo mundo fala em profissionalismo, em clube corporação, em modernos métodos empresariais de gestão.

Mas, no primeiro momento em que alguém precisa superar suas questões pessoais para o melhor do clube, prevalecem o melindre amador e o comportamento turrão dos antigos dirigentes de beira de campo de várzea.

Desta vez, felizemente, não foi assim.

Que os dois tirem lições do episódio.

Pet não pode mais tomar decisões de menino revoltado. Tem 37 anos.

E Braz, mesmo quando estiver com raiva e com razão, como foi o caso, precisará manter o equilíbrio, segurar o ímpeto que lhe salta aos olhos e ter muito cuidado antes de disparar uma declaração pesada.

Algumas delas, nas últimas semanas, foram muito viscerais.

Elas podem criar situações irreversíveis.

E você, amado amigo da blogosfera colorida, o que acha?

Opine.

Leia mais sobre o caso Petkovic no R7.

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