21 Fev 11h13
Lembram-se do João Hélio, o menino de seis anos arrastado por sete quilômetros no Rio? Pois é: um dos autores do crime, na prática, já está solto

Foto: arquivo familiar
O Estado é de Direito e, a rigor, a lei só está sendo cumprida.
Mas que parece algo entre o surreal e o espantoso, ah, isso parece.
Vocês se lembram de João Hélio Fernandes, o menino carioca de seis anos que, preso a um cinto de segurança, foi arrastado barbaramente, por sete quilômetros, pelo asfasto de Madureira, Zona Norte do Rio de Janeiro, até morrer, em 2007?
Claro que sim - é impossível esquecer.
Pois acreditem: Ezequiel Toledo de Lima , o Quiel, um dos cinco autores daquela barbaridade, está, na prática, solto de novo.
Foi colocado pela Justiça em regime de semiliberdade.
Sai da unidade de manhã, passa o dia inteiro livre e volta às dez da noite para dormir.
Oficialmente, ele cumpre algum tipo de pena.
Na prática, está de novo entre nós, livre, leve, solto como um passarinho, para fazer o que sua cabeça pedir.
E por que isso acontece?
É a lei.
Quando participou daquela coisa indescritível, Quiel era menor.
Tinha 17 anos.
Por isso, como manda a legislação, não foi julgado por homicídio como os outros quatro comparsas, estes condenados e atualmente cumprindo pena.
Quiel ficou internado como menor infrator.
Agora, aos 19 anos, foi liberado.
Tudo na letra da lei.
E, como foi ameaçado por outros internos, será incluído no Programa de Proteção à Criança e ao Adolescente Ameaçado de Morte.
Deverá ganhar outros documentos - e um dinheiro mensal para se manter até os 21 anos.
O Estado de Direito impõe coisas como essa .
Proteger menor é sempre uma atitude digna de elogio.
Mas que parece surreal, ah, isso parece.












