22 Fev 05h00
O segredo do sucesso dos Jogos de Inverno na tevê aberta? Simples: eles são bonitos como poucas coisas. E o público sabe que, muitas vezes, beleza basta

- Eduardo, filhote, tenho dormido tarde para ver essas danças e corridas no gelo que vocês estão passando aí na Record e na Record News. Seus primos também. Coisa linda. Os caras descem aquilo como loucos. Bom, o Brasil não ganha nada nesse lance de gelo, né não?... Aí a gente relaxa e fica olhando só o lado bonito do negócio...
Há dias tento entender porque a tacada da Record de transmitir em canal aberto os Jogos Olímpicos de Inverno 2010, em Vancouver, no Canadá, tem se revelado tão certeira, uma realidade traduzida em generosos índices de audiência.
Num telefonema para minha casa, na manhã deste domingo (21), Tia Carminha, amada irmã caçula de minha mãe, matou a charada.
São delas as sábias frases que abrem este texto.
Minha titia do coração toca nos dois pilares deste interesse: o clima de relaxamento e a inegável beleza plástica das provas.
Primeiro, o relaxamento.

Nós, brasileiros, bombas latinas de emoções, adoramos competir e torcer.
Isso é fato.
Em boa parte, até utilizamos vitórias esportivas para purgar frustrações e desafiar limitações (“com brasileiro, não há quem possa...”).
Mas, diante da inevitável, avisada e sobreavisada verdade de que um pódio brasileiro seria impossível nestes Jogos, o telespectador leigo congelou seu espírito competitivo e deixou de lado calculadoras, somas de pontos e décimos de segundo.
Fez tudo isso para esquiar, sem medo de ser feliz ou recalques de neófito tropical, pelos traçados e caminhos que levam ao balé dos patinadores, aos movimentos fortes dos snowboarders e à combinação de força e precisão dos esquiadores.
A estética incorporando ainda mais beleza ao esporte, como se ele necessitasse.
Neste caso dos Jogos de Inverno, não há, como maioria, torcida, fã de esporte com comportamento de computador ambulante ou teórico do recém-descoberto.
Nada disso.

Antes, há o contrário, ou seja, a força do cidadão leigo em busca do prazer estético da contemplação.
Povo gosta de luxo, já disse o carnavalesco genial (ou o jornalista genial).
Um ou outro descobre um grande atleta mundial, passa a torcer para determinada equipe com passado relevante no esporte.
Mas não foram, definitivamente, a regra.
Os Jogos Olímpicos de Inverno 2010 Record e na Record News conquistaram a turma porque, antes de tudo, são espetáculos bonitos como poucas coisas no mundo atual.
Esporte e competição são coisas divinas.
Mas, muitas vezes, beleza basta.

O sol, neste País, como se sabe, racha catedral.
Mas, a partir de agora, as coberturas desses jogos no gelo não serão mais como antes.
Podem apostar.
Leia mais sobre os Jogos de Inverno no hot site Vancouver 2010, do R7.












