17 Mar 18h09
Beijo de Willians no jovem Phillipe Coutinho foi um dos gestos mais bonitos da história do futebol brasileiro. Merece elogio, não preconceito bobo
Sei não, mas acho que o "efeito Cristina Mortágua" está fazendo a turma exagerar no rigor moral.
E quem pagou o pato, nesta semana, foi o cabeça de área Willians, do Flamengo.
Um lance no primeiro tempo do jogo Flamengo e Vasco, disputado no domingo (14), chamou a atenção.
Willians, 24 anos, fez uma falta dura, dentro da área rubro-negra, na jovem revelação vascaína Phillipe Coutinho, 17 anos, já contratada pela Inter de Milão.
Pênalti.
Ao ver Phillipe se contorcendo de dor, Willians, resignado com a marcação da penalidade, foi até o jovem, pediu perdão e deu nele um leve beijo no rosto.
Veja aqui o lance no You Tube.
Willians explicou o gesto com absoluta nobreza:
- Conheço o Phillipe. É ótimo rapaz e belíssimo jogador. Naquele momento, estava preocupado com a possibilidade de ter machucado um colega de trabalho tão menino. O beijo foi a maneira de mostrar arrependimento e a minha preocupação. Fui logo dizer que busquei a bola e que, se o tinha machucado, essa não era, absolutamente, a minha intenção. Felizmente, não machuquei o garoto. E o Bruno, nosso goleiro, ainda pegou o pênalti.
Phillipe Coutinho entendeu a atitude com perfeição:
- Antes do jogo, nós conversamos e ele falou que iria me marcar com lealdade. Na hora do beijo eu tive uma leve surpresa, mas achei carinhoso, normal.
Tinha desistido de comentar esse lance, mas entrei no assunto agora diante da reação terrivelmente conservadora da maior parte da mídia esportiva.
Ficaram com aquela de "ih, beijinho? em ambiente de futebol? Isso não dá...".
Ligaram para a noiva do rapaz para arrancar declarações desconfiadas.
Aquela coisa medieval de sempre.
Quanta idiotice.
Quanto conservadorismo inimigo da alegria, do carinho e da gentileza.
O levíssimo beijo de Willians na face de Phillipe Coutinho foi um dos gestos mais bonitos e edificantes da história do futebol brasileiro.
Representou a preocupação de um profissional com a possibilidade de ter produzido um prejuízo físico em um adolescente sete anos mais novo, com um contrato assinado com um grande time europeu e um futuro brilhante pela frente.
Um selinho bobo, de nada.
A atitude de Willians não pode ser tratada com preconceito.
Ao contrário, ela deve, antes de tudo, ser elogiada.
E o nobre amigo, o que pensa?
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