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Posts de 25/03/2010

25 Mar 16h33

Polícia do Rio investiga Adriano e Love. Deve ser lindo viver numa cidade em que a polícia, sem pepinos para combater, corre atrás de jogador

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adriano 2 Polícia do Rio investiga Adriano e Love. Deve ser lindo viver numa cidade em que a polícia, sem pepinos para combater, corre atrás de jogador

A polícia do Rio de Janeiro faz uma grande investigação, com uso de muitos profissionais e grande cobertura dos veículos de comunicação, para saber o que o atacante do Flamengo, Vagner Love, fazia em um baile que abrigava traficantes com armas pesadas.

Ao mesmo tempo, a polícia do Rio de Janeiro realiza outra grande investigação, igualmente com uso de muitos profissionais e imensa cobertura dos veículos de comunicação, para descobrir o motivo que levou atacante Adriano, o Imperador, também do Flamengo, a colocar uma motocicleta que comprou em nome de um traficante que foi seu amigo de infância.

Com grande estardalhaço, jornalistas e órgãos de imprensa cobrem o depoimento de Love e o da mãe do traficante criado ao lado de Adriano na favela da Vila Cruzeiro.

Em seu depoimento, o Imperador afirmou que não deu moto ao traficante. Alegou ter havido uma confusão.

É claro que casos como esse devem merecer atenção e, se for o caso, também a ação da autoridade policial.

Defendo isso.

Mas qual a lógica de se dedicar tanto esforço e fazer tanto barulho para atrair os holofotes em dois casos aparentementemente pouco profundos, isso em numa cidade abarrotada até o ladrão de prioridades policiais, como o Rio de Janeiro?

Esses episódios me fazem lembrar do querido Ancelmo Gois, um dos meus mestres de jornalismo nos tempos de iniciante.

Diria ele, com a inteligência e a fina ironia habituais: deve ser maravilhoso viver numa cidade em que a polícia, por absoluta falta de problemas maiores para combater, fica correndo atrás de jogador de futebol...

A ameaça são os boleiros...

E você, amado amigo, o que pensa?

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25 Mar 15h29

Chutaram o advogado do casal Nardoni na entrada no tribunal. É um absurdo. Ele está lá para garantir o direito à defesa que todo ser humano deve ter

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podval 2 300x225 Chutaram o advogado do casal Nardoni na entrada no tribunal. É um absurdo. Ele está lá para garantir o direito à defesa que todo ser humano deve ter Foto: Ernesto Rodrigues/AE

Deram um chute em Roberto Podval, advogado de defesa de Alexandre Nardoni e de Anna Carolina Jatobá, enquanto ele entrava no Fórum de Santana para o terceiro dia de julgamento do caso Isabella, na quarta-feira (24).

O gesto em si não produziu maiores efeitos (o golpe pegou de leve) mas a simbologia negativa é grande.

É bom lembrar: Podval não matou Isabella nem ninguém.

Está lá para ser o agente profissional indispensável ao exercício de um direito garantido pela Constituição: a defesa plena e total de qualquer acusado antes de ser julgado.

É um direito sagrado, garantido a mim, a você, a Alexandre Nardoni, a Anna Cristina Jatobá, a todos os brasileiros e a quase todo mundo no planeta - apenas as ditaduras grotescas não o contemplam.

Por isso, estão todos lá – juiz, jurado, promotores, peritos, policiais e advogados - até a sentença final.

Antes do veredicto, é preciso ouvir tudo o que as duas partes têm a dizer.

Se não fosse assim, os acusados seriam presos sem defesa – e aí estaríamos diante da barbárie, da civilização perdida.

Imaginem quantos inocentes seriam condenados por equívoco se não houvesse defesa?

Por isso existe promotor de acusação, advogado de defesa, jurado e juiz para bater o martelo.

O casal Nardoni precisaria obrigatoriamente de um advogado de defesa.

Assim, felizmente, exige a lei. Em todo e qualquer julgamento.

Pelas circunstâncias, o deles é Podval.

Os que possuem opinião formada a respeito da culpa do casal possuem o direito de manifestá-la.

Podem até, eventualmente, vaiar o advogado, como está ocorrendo.

Sem problemas.

O que não pode é tranformar a indignação em agressão física contra o profissional da defesa.

Isso não pode.

Serão a coisa vira um absurdo.

E você, amado amigo da blogosfera colorida, o que pensa sobre isso?

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25 Mar 14h35

Caso Isabella: lembrar que a avó teria pedido aborto da neta é golpe baixo. Se for verdade, isso por acaso justificaria um crime estúpido depois?

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trochas nardoni 300x225 Caso Isabella: lembrar que a avó teria pedido aborto da neta é golpe baixo. Se for verdade, isso por acaso justificaria um crime estúpido depois? Foto: Daia Olivier/R7

Alexandre Nardoni, 31 anos, afirmou em seu depoimento, na manhã desta quinta-feira (25), que a avó materna de Isabella, Rosa Maria Cunha, teria pedido à filha, Ana Carolina Cunha Oliveira, para fazer aborto ao descobrir a gravidez.

Ana Carolina Cunha Oliveira, segundo ele, teria escondido a gravidez da família até os quatro meses. E, depois disso, teria brigado muito com a mãe para levá-la até o fim.

Alexandre completou:

- Briguei para ela (Isabella) nascer. A avó materna queria que ela (Ana Carolina Cunha Oliveira, a mãe de Isabella) abortasse. A Ana Carolina Cunha Oliveira também discutia. Ela escondeu da família até o quarto mês (de gravidez).

Nardoni está bem treinado.

Ao citar a mãe de Isabella, teve o cuidado de dizer seu nome completo (Ana Carolina Cunha Oliveira) para não levar as pessoas à confusão com sua atual mulher, Anna Carolina Jatobá, também acusada de participação no crime.

Mas, ainda que a avó tenha realmente orientado a filha para fazer aborto naquele momento, a revelação do episódio no depoimento é uma manobra diversionista.

E também um golpe baixo, fruto do desespero de quem, ao que tudo indica, pretende aliviar o que for possível do peso de uma sentença dura que começa a se aproximar.

A questão, agora, não é debater se abortos, nestes ou em outros casos, podem ou não ser feitos, devem ou não ser feitos.

São outras discussões, que podem ser retomadas em outro contexto.

O ponto, agora, é o seguinte: mesmo que a avó tenha orientado a mãe a abortar, isso atenua ou anula a culpa de Nardoni e de Anna Carolina Jatobá, caso eles realmente tenham cometido o assassinato de Isabella?

Parece claro que não.

Primeiro: se a avó queria o aborto, independentemente do juízo de valor que eu ou você faça dessa atitude, era a avó, e não a mãe.

Segundo: mesmo que a mãe tivesse pensado em abortar a menina, ainda assim nem isso - nem nada - justificaria uma ação brutal como a que foi cometida contra essa menina de cinco anos.

São duas questões distintas – e misturá-las só produz confusão.

Uma delas – a do aborto – está no campo da hipótese, levantada só agora por Nardoni.

A outra, o assassinato de Isabella, é realidade.

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