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25 Mar 14h35

Caso Isabella: lembrar que a avó teria pedido aborto da neta é golpe baixo. Se for verdade, isso por acaso justificaria um crime estúpido depois?

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trochas nardoni 300x225 Caso Isabella: lembrar que a avó teria pedido aborto da neta é golpe baixo. Se for verdade, isso por acaso justificaria um crime estúpido depois? Foto: Daia Olivier/R7

Alexandre Nardoni, 31 anos, afirmou em seu depoimento, na manhã desta quinta-feira (25), que a avó materna de Isabella, Rosa Maria Cunha, teria pedido à filha, Ana Carolina Cunha Oliveira, para fazer aborto ao descobrir a gravidez.

Ana Carolina Cunha Oliveira, segundo ele, teria escondido a gravidez da família até os quatro meses. E, depois disso, teria brigado muito com a mãe para levá-la até o fim.

Alexandre completou:

- Briguei para ela (Isabella) nascer. A avó materna queria que ela (Ana Carolina Cunha Oliveira, a mãe de Isabella) abortasse. A Ana Carolina Cunha Oliveira também discutia. Ela escondeu da família até o quarto mês (de gravidez).

Nardoni está bem treinado.

Ao citar a mãe de Isabella, teve o cuidado de dizer seu nome completo (Ana Carolina Cunha Oliveira) para não levar as pessoas à confusão com sua atual mulher, Anna Carolina Jatobá, também acusada de participação no crime.

Mas, ainda que a avó tenha realmente orientado a filha para fazer aborto naquele momento, a revelação do episódio no depoimento é uma manobra diversionista.

E também um golpe baixo, fruto do desespero de quem, ao que tudo indica, pretende aliviar o que for possível do peso de uma sentença dura que começa a se aproximar.

A questão, agora, não é debater se abortos, nestes ou em outros casos, podem ou não ser feitos, devem ou não ser feitos.

São outras discussões, que podem ser retomadas em outro contexto.

O ponto, agora, é o seguinte: mesmo que a avó tenha orientado a mãe a abortar, isso atenua ou anula a culpa de Nardoni e de Anna Carolina Jatobá, caso eles realmente tenham cometido o assassinato de Isabella?

Parece claro que não.

Primeiro: se a avó queria o aborto, independentemente do juízo de valor que eu ou você faça dessa atitude, era a avó, e não a mãe.

Segundo: mesmo que a mãe tivesse pensado em abortar a menina, ainda assim nem isso - nem nada - justificaria uma ação brutal como a que foi cometida contra essa menina de cinco anos.

São duas questões distintas – e misturá-las só produz confusão.

Uma delas – a do aborto – está no campo da hipótese, levantada só agora por Nardoni.

A outra, o assassinato de Isabella, é realidade.

E você, amado amigo, o que acha?

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