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Posts de 27/03/2010

27 Mar 02h01

Algumas impressões sobre a reta final e as sentenças no julgamento do caso Isabella

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Foto: Werther Santana/07.05.2008/AE

Algumas impressões sobre a reta final do julgamento do caso Isabella:

O jurado abrigou a tese de que o casal Nardoni cometeu o crime. E o juiz, Maurício Fossen, aplicou todos os aumentos de prazo pelas agravantes, o que levou a pena de Alexandre Nardoni (31 anos, um mês e dez dias) a praticamente dobrar em relação ao primeiro período anunciado, de 16 anos. Vitória total e inquestionável do promotor Francisco Cembranelli.

Vitória também da perícia da polícia científica de São Paulo. Trabalho excepcional, um marco neste tipo de atividade. Prova pericial bem feita é um tesouro para jurados e juízes. Por um motivo elementar: elas se baseiam em fatos. Prova pericial não é a favor nem contra. Ela apenas é. Ou seja, diz uma verdade que pode beneficiar ou prejudicar o réu. Neste caso, prejudicou.

As penas (31 anos, um mês e dez dias para Nardoni e 28 anos e oito meses para Anna Carolina Jatobá) são altas, duras, mas compatíveis com o ato praticado. Tudo isso, logicamente, considerando como verdade o que o juri julgou ser verdade.

No final, brilhou também o juiz Maurício Fossen. Produziu um texto de sentença claro, organizado, ordenado e possível de ser entendido por quase todos . E o leu com voz serena, mas segura.

Para fiéis e supersticiosos: Alexandre, 31 anos, pegou 31 anos; e Anna Carolina, 26, pegou 26.

Para ter direito de pedir a avaliação de um juiz para passar do regime fechado para o semi-aberto (aquele em que o condenado passa o dia fora e volta para dormir na prisão), Nardoni terá de cumprir, no fechado, pelo menos dois quintos da pena, o que, no seu caso, dará algo entre 12 anos e meio e 13 anos. Anna Carolina precisará de 11 anos. Mas isso, claro, se o juiz julgar que eles merecem o benefício quando o pedido for feito.

Não deixa de ser surreal ver gente soltando fogos de artifício para comemorar uma situação dessas. As pessoas quererem Justiça e demonstrarem isso são coisas legítimas, mas aquele momento, é bom lembrar sempre, foi o desfecho de um episódio triste. Não pedia fogos de artíficio.

O juiz acertou mais uma vez ao negar ao casal a possibilidade de recorrer da sentença em liberdade. Com os ânimos exaltados do jeito que estão, seria arriscado deixar os dois atualmente em contato com as pessoas.

A atitude do advogado de defesa, Roberto Podval, de não dar entrevista coletiva após a sentença, alegando que o brilho da noite era todo do promotor Cembranelli, tem sua carga de elegância. Mas, do ponto de vista jornalístico, deixou a desejar. Seu pronunciamento poderia esclarecer detalhes sob a ótica do casal e até mesmo adiantar detalhes da estratégia de defesa nos recursos que a lei permite aos condenados a partir de agora. Pena. Esperemos que ele se manifeste logo.

Leia mais sobre o caso Isabella aqui.

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