28 Mar 15h43
Entrevista de Pet é muito mais ressentida do que corajosa. Ele perdeu a posição na bola e quer retomá-la na carteirada

Uma entrevista dada por Petkovic ao jornal Lance! gerou um pouco mais de confusão em sua já conturbada relação com o Flamengo.
Vou discordar de meu amado e competente confrade Cosme Rímoli em pelo menos dois pontos.
Primeiro: a entrevista foi mais ressentida, desconexa, incoerente e conservadora do que corajosa.
Segundo: ela, a entrevista, não escancara quase nada além do que já se sabe.
A diferença é que Pet, ressentido, falou.
O ponto é um só: Pet, por vários motivos, perdeu a posição para Vinícius Pacheco na bola e, agora, quer ganhá-la na carteirada e no bate-boca.
E também numa crença pessoal, tirada não sei de onde, de que os oito milhões que ele deixou pelo caminho na negociação, por vontade própria, devem garantir a ele - sempre - uma vaga de titular.
A qualquer custo. Independentemente do que esteja conseguindo correr ou jogar.
Insano. Fora de propósito.
Pet - quando quer e/ou aguenta - joga o fino, todos sabem.
No momento, por exemplo, está jogando pouco. Muito pouco.
Chegou tarde para treinar nesta temporada.
Jamais recuperou a forma do segundo semestre do ano passado.
E cometeu uma série de erros, que teve como ponto alto a fuga do vestiário do Maracanã no intervalo de um Fla-Flu
Justamente no jogo em que Vinícius Pacheco, com uma atuação impecável no segundo tempo, começou a roubar-lhe a posição.
Neste momento - e aí meu amigo Cosme foi preciso - Pacheco substitui Pet no Flamengo com consideráveis vantagens.
Um clube do porte do Flamengo não pode garantir, nem a Pet nem a ninguém, uma vaga de titular por um acordo financeiro ou judicial.
Mesmo porque ele assinou esse trato porque quis.
E ainda porque sabia que, não o assinando, demoraria anos, talvez décadas, para começar a ver parte dessa grana pingar todo mês em sua conta.
Isso se ela, sem o acordo, começasse um dia a pingar.
O restante da entrevista de Pet foi de dar pena.
É de um conservadorismo constrangedor, comovente.
Essa conversa de Eurico centralizador bom e Flamengo democracia ruim já deu o que tinha que dar.
O futebol ainda vai ouvir com respeito coisas como essas?
Ai meu Deus... Onde fui amarrar meu jegue...
Que dizer que agora vamos concordar com o Pet e defender que as decisões fundamentais, no futebol e em todos os âmbitos, sejam tomadas por uma única cabeça, normalmente autoritária e centralizadora?
Ora, por favor...
De dar pena.
Outra: Pet reclamou que Andrade não fala mais com ele do mesmo jeito.
Óbvio.
Se fosse você, estimado leitor, falaria?
O Andrade, uma suavidade em pessoa, pediu para que ele fosse contratado quando a diretoria do Flamengo ainda se dividia em relação à possibilidade.
Foi um dos poucos a bancar o cara.
Deu toda moral.
No elenco, transformou o sujeito numa espécie de auxiliar técnico informal.
Deu-lhe autoridade para orientar e até repreender jogadores mais novos.
Não foram poucas as vezes em que se viu Pet, ao lado de Andrade, esbravejando com os colegas após ter sido substituído.
E aí o gringo pega e sai do vestiário sem sequer olhar para a cara do Andrade, que é quase da geração dele?
Quer o quê?
Parece manha - e, se for, manha de adulto é muito feio.
Pet é um senhor jogador.
Mas precisa fazer a sua parte: falar menos, não criar confusão e jogar bola.
No Flamengo ou em qualquer lugar em que cartolas estejam, neste momento, preparando o bote de urubu no Urubu para ver se sobra alguma coisa.












