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Posts de abril/2010

30 Abr 19h49

Pena de Jobson por uso de cocaína foi reduzida de dois anos para seis meses. Melhor assim. O que você acha? Opine

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jobson hg 20091210 Pena de Jobson por uso de cocaína foi reduzida de dois anos para seis meses. Melhor assim. O que você acha? Opine

O jogador Jobson, atacante com direitos vinculados ao Brasiliense (DF) que defendeu o Botafogo em 2009, caiu duas vezes na tarrada do antidoping.
O exames revelaram a presença de um metabólico da cocaína na urina do jogador após as vitórias do time carioca sobre o Coritiba (2 a 0, em 8 de novembro) e o Palmeiras (2 a 1, em 6 de dezembro), em partidas pelo Campeonato Brasileiro.

No primeiro julgamento, Jobson, 21 anos, foi suspenso por dois anos do futebol.

Agora, teve a pena diminuída para seis meses.

Melhor assim.

Defendia pena maior, mas me convenci de que seis meses estão de bom tamanho.

Esse garoto fez uma imensa besteira.

Merece, sem dúvida, uma pena forte e um bom susto para não sair mais dos eixos.

Mas pena, como já disse por aqui, é para ajudar a se recuperar e não empurrá-lo de vez precipício abaixo.

E seis meses de suspensão, convennhamos, é uma pena forte.

Existe por aí, só para dar um exemplo, uma legião de ladrões do dinheiro público (do nosso dinheiro) que não fica nem metade desse tempo no xilindró.

Jobson é de família pobre do interior do Pará.

Tem mãe para ajudar a viver, irmãozada carente e uma penca de amigo e parente gritando no seu ouvido.

Só poderá continuar a ajudar essa gente jogando bola.

É a única coisa que sabe fazer.
A gente sabe: quando alguém sem recurso e educação é proibido de fazer a única coisa decente que sabe, o caminho é sempre o mesmo: marginalidade.
Deixar Jobson muito tempo fora do futebol é empurrá-lo para a cheiração de pó, o crack e a sujeira que rola em torno disso.
Que se puna por seis meses e ele volte a trabalhar.

E, de volta, se cair de novo na tarrafa do antidoping, se reincidir no erro, aí, meus amados, aí, sim, pode-se pensar em tirá-lo de vez do esporte.
O argumento de prejuízo para os os times que perderam ou foram rebaixados em função das vitórias do Botafogo nos dois jogos em que Jobson foi flagrado é, neste caso específico, segundo especialistas ouvidos por esse repórter, muito mais moralista do que verdadeiro sob o ponto de vista técnico.
Nas duas situações, as circunstâncias em que o tal metabólico foi encontrado revelaram consumo distante do jogo.
Jobson jogou com vestígios da droga no corpo, mas já sem qualquer de seus efeitos estimulantes.
De qualquer jeito, faria o que fez nas duas partidas.

Não explico tudo isso para defender consumo de qualquer droga ou o jogador Jobson em particular.

Mas na tentativa de contribuir para a busca de lucidez e equilíbrio em situações delicadas como essa.

Quando vencemos nossos preconceitos em função do melhor ganho possível em cada situação, nos tornamos maiores.

E você, amado amigo da blogosfera colorida, o que pensa sobre o caso?
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30 Abr 17h57

O que as amigas e os amigos acharam dos vestidos da grife de Geisy Arruda? Opinem

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geisy1 O que as amigas e os amigos acharam dos vestidos da grife de Geisy Arruda? Opinem

Este país ainda consegue ser surprendente e engraçado por obra exclusiva de seu povão.

Da proba legião CDE, do andar de baixo, como gosta de dizer o jornalista Elio Gaspari.

Agora, por exemplo, estamos às voltas com a volta de Geisy Arruda, nosso Discovery social, nosso tufão de Diadema, nossa musa rosa da mobilidade.

No final do ano passado, essa moça foi transformada numa espécie de Geni por periféricas e periféricos caretas oficialmente registrados no campus São Bernado do Campo da Uniban (daí a afirmar que estudam poderia ser um ato leviano e não quero correr riscos...).

A medievália xingou, gritou e quase bateu na moça com o gato morto porque ela ia à aula com um vestidinho curtinho cafoninha de malhinha rosinha que destacava o semblante simpático, o sorriso farto e a silhueta, àquela altura, ainda muito soberba em dimensões.

Pois a vítima não deixou barato: invadiu os veículos de comunicação, contratou advogado, processou Deus e mundo e... virou viral geral em tudo o que é lugar.

Hoje, apenas seis meses depois de deixar a sala da Uniban protegida dos insanos pela polícia, Geisy Arruda é celebridade.

Frequenta eventos, cobra cachê, estrela programas de tevê.

Nesta quinta-feira (29), nosso tufão de Diadema lançou a Rosa Divino, grife para uma linha de, claro, vestidinhos curtinhos cafoninhas rosinhas. E também lilazezinhos, pink, vermelhinhos...

Estavam todos lá: as primas, as tias, as tias “de consideração” e do papo no fim de tarde no bairro, a criançada, e, claro, a mãe, com vestidinho rosa e cara emburrada de “o que eu estou fazendo aqui?”...

geisy 21 300x225 O que as amigas e os amigos acharam dos vestidos da grife de Geisy Arruda? Opinem

Até o Alexandre Frota, o ex-BBB Kléber Bam Bam e o ex-Fazenda Miro Moreira estavam lá.

Logo após o estouro do caso Geisy, numa reportagem da Folha de S. Paulo, eu e um grupo de colegas de veículos de comunicação da Record fomos os primeiros a entrevistar Geisy.

Na ocasião, nossa musa rosa era apenas uma jovem em paz comovente com o vigor inquestionável dos próprios contornos em em busca espantada pela reparação de sua dignidade.

Seis meses depois e vejam só...

Eu adoro essas coisas de paixão.

Essa mobilidade que, a cada dia, joga mais representantes do povão na gangorra social do dorme-sapo-e-acorda-príncipe ainda é um dos grandes baratos dessa sociedade.

Desejo de verdade que essa moça tenha sucesso também com sua grife.

E quero saber o que as amadas amigas e os amados amigos da blogosfera colorida acharam da investida fashion de Geisy Arruda, nosso foguete, nossa irresistível musa rosa da mobilidade.

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Veja aqui a galeria de fotos do lançamento da grife.

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28 Abr 11h26

Como Ronaldo Fenômeno reagirá aos 20 travestis no Maracanã? Ficará abatido ou ganhará força? Opine

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priscilla Como Ronaldo Fenômeno reagirá aos 20 travestis no Maracanã? Ficará abatido ou ganhará força? Opine

A torcida do Flamengo garante ter contratado 20 travestis para infernizar a vida de Ronaldo Fenômeno na noite desta quarta-feira (28), no Maracanã, durante a partida entre Corinthians e Flamengo pela Copa Libertadores da América.

Os rubro-negros queriam o transformista Dicésar para liderar o grupo, mas parece que as negociações com o ex-BBB não evoluíram.

O recrutamento dos travestis é uma referência à confusão em que Ronaldo se meteu, em abril de 2008, por ter rebocado três travestis para um motel da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, e, depois, discutido com o trio.

O caso foi parar na delegacia.

Meses depois, um dos travestis envolvidos morreu de Aids.

É o tipo de atitude arriscada.

A atitude da torcida do Flamengo, digo a bem da boa explicação (a outra, a de Ronaldo, não me cabe julgar).

Uma faca de dois gumes (sem trocadilho ou insinuação torpe, claro).

Ronaldo Fenômeno é grande.

Tem capacidade rara para superar momentos difíceis, como todos sabemos.

Há pessoas que, provocadas como ele será, sucumbem, se entregam e facilitam a vida do rival.

Outras usam a provocação para recarregar as baterias e romper o cerco do constrangimento.

Estas últimas ganham força, se superam e usam o poder da arma do inimigo para matar o próprio inimigo.

Os que os 20 travestis provocarão em Ronaldo Fenômeno?

Uma apatia ainda maior do que a vista nas últimas semanas?

Ou a força da superação, da recuperação e da vitória?

Sinceramente, não sei.

Por isso, gostaria de saber o que pensa o amado amigo da blogosfera colorida.

Como você acha que Ronaldo reagirá aos travestis?

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28 Abr 06h00

Governo quer que operadoras de celular parem de cancelar créditos após 90 dias. Ótimo. A atitude é covarde e imoral

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assalto Governo quer que operadoras de celular parem de cancelar créditos após 90 dias. Ótimo. A atitude é covarde e imoral

O Ministério da Justiça chamará as operadoras de telefonia celular para uma conversa franca.

O governo vai exigir que Vivo, TIM, Claro, Oi e as todas as outras operadoras de telefonia celular do País parem de cancelar os créditos pré-pagos que restam para o consumidor 90 dias depois da compra.

O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, resumiu a situação para Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo:

- Isso não pode mais acontecer. O cliente paga pelo serviço, a empresa recebe, faz uma antecipação de receita. Não tem por que depois o consumidor perder esse crédito.

O ministro quer uma reunião na próxima semana. Se as empresas resistirem, poderão receber multas de até R$ 3 milhões e um processo no Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor.

Barreto está com total razão.

Esse cancelamento de créditos que já foram pagos pelo cliente, na suprema maioria dos casos à vista, é absurdo, covarde, indecente, pornográfico e imoral.

Pode até ser permitido por uma dessas brechas sempre oportunas que a legislação oferece (neste caso, as normas da Anatel), mas é indecente e imoral.

A desculpa de que o corte é justo porque ajuda a manter o sistema não cola.

Como também não cola a ameaça de que, sem o cancelamento, os serviços ficam financeiramente inviabilizados.

Apelação não vale.

A gente sabe: as operadoras do País com a segunda tarifa média de celular mais cara do planeta, abaixo apenas da sul-africana, possuem todas as condições de manter esse serviço sem, na prática, arrastar o dinheiro que o pobre coitado colocou lá para falar no seu telefone.

Essa conversa torta não convence ninguém.

Só constrange.

Consumidor pré-pago é consumidor nobre.

Paga antes, ao contrário do dono de um pós-pago, que paga depois – quando paga.

Por tudo isso, dono de celular pré-pago, por tudo isso (pagamento garantido e feito antes do consumo da mercadoria, no caso dos minutos), mereceria até pagar menos do que o de pós-pago.

Mas paga mais.

Essa turma das operadoras faz o que quer e a Anatel não faz nada.

Esse cancelamento absurdo, covarde, indecente, pornográfico e imoral precisa cair.

Já.

E você, amado amigo da blogosfera colorida, o que pensa?

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27 Abr 17h49

O Datafolha informa: torcidas do Santos, Fluminense e Botafogo podem não existir, o Flamengo perdeu quatro milhões de adeptos em quatro meses – e piadas boas fazem rir

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torcida flamengo 3 x 1 vasco 18 300x200 O Datafolha informa: torcidas do Santos, Fluminense e Botafogo podem não existir, o Flamengo perdeu quatro milhões de adeptos em quatro meses   e piadas boas fazem rir

As pesquisas sobre o tamanho de torcidas de futebol no Brasil geram obras de absoluto delírio estatístico.
São resultados de rir – ou de chorar.

Do jeito que são feitas, pesquisas sobre torcidas de futebol no Brasil - todas elas - são tolices estatísticas de quinta que servem apenas para a realização de strip tease jornalístico e mercadológico, criação de polêmica barata e de bate-boca de torcida e venda de jornal.

Como peça séria de pesquisa, zero. Zero. Zero.

A mais nova peça de riso ou de choro foi produzida pelo Instituto Datafolha e publicada na edição de terça-feira (27) do jornal Folha de S. Paulo.

Adaptadas sem profundidade para o universo da bola, os esquemas e metodologias dos institutos, capazes de gerar resultados respeitáveis nos casos eleitorais, viram maionese diante da (cara) tarefa de traduzir estatisticamente a realidade cultural, regional e esportiva da formação das torcidas no Brasil.
As distorções, imprecisões e falsas premissas tiradas desses levantamentos geram surrealismos de dar gargalhadas.
Nesta última pesquisa do Datafolha, elas saltam aos olhos e mentes sem dó nem piedade.
Algumas:

Existe, segundo o Datafolha, a chance de a torcida do Santos não existir. Vejam bem Luis Álvaro, Chico Silva, Francisco Cembranelli, Marco Antônio Araújo, Mário Sérgio Cortella, Pelé, Mano Brown e outros santistas de quatro costados: vocês podem não existir.
E também os milhões de torcedores de Atlético Mineiro, Fluminense, Botafogo, Bahia e Vitória podem ser, segundo o Datafolha, obras de pura de ficção.

Sabem por quê?

A margem de erro do Datafolha para as pesquisas de futebol é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Isso significa que, no limite estatístico de baixo, segundo os padrões da pesquisa, Santos e Atlético Mineiro, que tiveram dois pontos percentuais na pesquisa, podem não ter esses dois pontos e, a rigor, estar no zero.

Ou seja: não existir.

Botafogo, Fluminense, Bahia e Vitória, com um ponto cada um, se chegassem no chão da margem de erro ficariam, Deus nosso, devendo um ponto.

Como assim? Seriam torcidas negativas? Legiões de fantasmas?

Olhe, amado amigo da blogosfera colorida, eu juro que vi, muitas vezes, essa gente no estádio.
Milhares deles.

Torcendo, Lotando arquibancada.

Juro.

Em 2006, o Santos tinha, segundo o Datafolha, 4% dos torcedores brasileiros, ou seja, aproximadamente 7,6 milhões de apaixonado.

Hoje tem 2%.

O Peixe perdeu metade de seus torcedores – 3,8 milhões de pessoas – em quatro anos?

O que fazer diante de insinuações de probabilidades estatísticas com essas?

Rir? Chorar?

O Datafolha também diz que, em relação ao levantamento de sua própria autoria, publicado em dezembro de 2009, o Flamengo caiu de 19% para 17% enquanto o Corinthians passou de 13% para 14%.

A torcida do Corinthians cresceu fora do eixo São Paulo/Paraná nas últimas décadas, isso é inegável.

Mas, para além dessa realidade, gostaria de entender uma outra coisa: como é que o Flamengo, a torcida mais nacionalizada do País, ganha um título brasileiro em 2009, depois de 17 anos, e perde dois pontos (praticamente quatro milhões de torcedores) em quatro meses, enquanto o Corinthians incorpora, nesses mesmos quatro meses, quase dois milhões de torcedores?

torcida corinthians O Datafolha informa: torcidas do Santos, Fluminense e Botafogo podem não existir, o Flamengo perdeu quatro milhões de adeptos em quatro meses   e piadas boas fazem rir
O Corinthians incorporou "um Fluminense" ou "meio Santos" nos últimos quatro meses, é isso?
Quem conhece minimamente o futebol sabe que isso não é possível.

Mais uma: os resultados das pesquisas do Datafolha são ainda mais surreais quando cruzados com o que o próprio instituto apura como tendência.

Na mesma reportagem em que informa os números de sua última pesquisa, o Datafolha lembra que, há dois anos, fez uma pesquisa sobre os times preferidos das crianças entre quatro e 12 anos.

O resultado, nos termos da reportagem: “o Flamengo levou ampla vantagem nesta consulta, com 23% da preferência mirim do país. O Corinthians ficou em terceiro lugar nesta pesquisa, com 10% da preferência – o São Paulo teve 11% da lista.”

Ok. Bacana.

Agora, chegue mais perto: se a diferença é escandalosa assim a favor do Flamengo, e se ela, até porque escandalosa desse jeito, não deve ter mudado de perfil muito antes nem muito depois da tal pesquisa com as crianças, alguma alma poderia produzir o milagre de explicar como é possível a ampla maioria da base prometida ser de uma torcida que não cresce (a do Flamengo) e o crescimento ser de outras com bases estupidamente menores?

É Datafolha desmentindo Datafolha.

Além de tudo isso, outro fato que torna essas pesquisas risíveis é o de que as torcidas, como até mesmo o moleque peladeiro de esquina sabe, não aumentam nem diminuem assim, de um ano para o outro.

Salvo em casos raríssimos e insignificantes em termos estatísticos, o quadro consome o tempo de pelo menos uma geração para ser mudado de verdade.
A geração do novo torcedor.

Pelo elementar motivo de que torcedor de verdade não troca de time.

Há vários tipos de torcedor.

Há os que realmente torcem.

E os que não torcem para ninguém mas chutam um time diante do pesquisador (o do novo namorado que está do lado ou do tio bacana que paga tudo e faz companhia no passeio, por exemplo) e, na próxima vez, voltam a dizer que não possuem time.

Por isso, os que dizem não ter time são tão numerosos nessas pesquisas.

Segundo o último Datafolha, 25% dos brasileiros (um em cada quatro) não possuem time.

Eis aí mais um buraco negro da imprecisão, que o Datafolha e os outros institutos não dissolvem porque isso custa caro.

Enquanto isso, a gente fica consumindo estas obras risíveis de malabarismo estatístico.

O modelo usado pelo Datafolha e os outros institutos simplesmente não funciona para medir tamanho de torcida num ambiente em que a maioria dos clubes tem torcida menor do que a margem de erro proposta.

O resultado final sempre assume ares de empulhação.

A torcida corintiana cresceu muito, mas a distância para o Flamengo ainda é maior do que diz o Datafolha.

A torcida do Palmeiras, no Brasil, não é - mesmo - maior do que a do Vasco (particularmente, acho que a do Vasco ainda é a terceira maior torcida do País, maior até mesmo do que a do São Paulo, mas aí admito discussão por que a diferença, para um lado ou para o outro, haverá de ser mínima)

De qualquer forma, eu juro, juro, juro mesmo, amados amigos santistas, atleticanos, botafoguenses e tricolores.
Vocês existem.

Eu testemunho.

Fui a campo torcer contra vocês várias vezes.

Eu os vi lá, na arquibancada, aos milhares.

O Pacaembu cheio de santista no domingo passado não era ficção.

A massa botafoguense gritando “é campeão” no Maracanã dia atrás, também não.

Eu juro.

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26 Abr 17h26

Fla: se for para contratar técnico de terceiro escalão na correria, é melhor ficar com Rogério até conseguir um treinador à altura do clube

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Rogério 300x225 Fla: se for para contratar técnico de terceiro escalão na correria, é melhor ficar com Rogério até conseguir um treinador à altura do clube

A presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, acertou ao demitir o vice-presidente de futebol, Marcos Braz, e o técnico Andrade, mesmo depois da classificação, na bacia das almas, para a segunda fase da Copa Libertadores da América.

Braz falou mais do que devia. Foi emocional além do que devia.

Falou tanto, esticou tanto a corda, bateu tanto no peito (mesmo nos casos em que tinha razão) que, no momento da alta fervura, ficou sem ambiente e condições políticas para recolher a linha e devolver a paz ao futebol.

Vice-presidente de futebol que não consegue realizar essas tarefas, sobretudo no eterno caldeirão de crises que é o Flamengo (criiiiiiiise no Flamengooo...), perde, na prática, a mais importante e indispensável de suas funções.

Sua presença no cargo passa a não ter mais sentido.

Andrade é um ídolo rubro-negro eterno e sabe montar times ofensivos, bonitos.

A torcida reconhece isso e o reverencia.

O problema é que não dá para ser técnico de um barril de pólvora e de vaidades periféricas como o Flamengo apenas como aquele cara amigo, manso, parceiro de um grupo de jogadores que está em paz, na boa, sem brigas.

Até porque no dia seguinte a coisa estoura, um bate de frente com o outro e, aí, surge a necessidade do técnico que também é líder, capaz de mostrar força, exercer autoridade, colocar as coisas no lugar e reestabelecer o comando e a disciplina.

O doce Andrade revelou-se o técnico certo das horas certas, e não, como diria o rei Roberto Carlos, o técnico certo também das horas incertas.

Mesmo num episódio em que tinha razão – o abandono do vestiário de Petkovic – Andrade demorou a superar a mágoa pela “traição” do veterano a quem dava poder e liberdade.

Não chamou Pet para uma conversa franca.

Deixou o jogador se desgastar com o resto do grupo.

E o colocou na reserva em vários jogos em que, claramente, o gringo faria a diferença a favor do rubro-negro.

Dessa forma, não conseguiu agradar nem o vice Marcos Braz, que detesta Pet e desejaria vê-lo definitivamente fora do grupo, e nem a torcida, que ama o gringo e quer vê-lo em campo desde o início.

Por tudo isso, a presidente Patrícia acertou ao demitir a dupla.

Mas... como nada é perfeito, a competente e corajosa Patrícia errou justamente na gestão ao passar o rodo sem ter feito pelo menos um acordo verbal com algum Plano B de primeiro escalão para a eventualidade de o técnico Joel Santana recusar a proposta de voltar à Gávea.

Resultado: “Papai” Joel recusou o convite e Patrícia ficou perdida, sem ter para onde correr com seus auxiliares.

Colocar o ex-zagueiro Rogério, técnico da Seleção Brasileira Sub-20, para treinar o Flamengo nestes dois jogos contra o Corinthians, pela Libertadores, foi boa tacada.

Rogério conhece futebol, jogou a vida inteira com craques de peso, é sério, dedicado, disciplinador e adepto da hierarquia.

Em resumo, parece ter todas as características necessárias para administrar boleiros talentosos mas vaidosos e, muitas vezes, indisciplinados.

Rogério é jovem.

Talvez seja cedo para que ele pilote um Boeing do tamanho do Flamengo.

Ou não.

Seria leviano afirmar, agora, uma ou outra coisa.

Os resultados dirão em tempo curto.

O problema é que, na correria da Gávea, já se fala no esquecido e confuso Paulo César Carpegiani e até em Marcos Paquetá...

Se for para colocar técnico em má fase ou de terceiro escalão, é melhor manter Rogério até que a situação permita fechar com alguém à altura das pretensões do Flamengo.

Como Abel Braga ou alguém do nível.

Esses jogadores do Flamengo precisam é de pacto, entre eles, de humildade, colaboração, respeito ao clube e vontade de trabalhar.

E de recolocar Pet no elenco sem restrições de estudante de Ensino Fundamental.

Pet precisa ser menos arrogante com todos.

Tudo isso como no ano passado.

Se retomarem essa postura, passarão a ser um time forte e competitivo, com chances até de título na Libertadores.

Esta é a única chance de salvamento.

Neste momento, não há técnico de segundo ou terceiro escalão que possa fazer isso melhor do que Rogério.

O melhor, então, é seguir com ele até o momento em que um técnico mais experiente, com o mesmo perfil, se disponha a pegar a eterna bomba de crises que é o Flamengo.

Se no meio deste caminho for eliminado pelo Corinthians, paciência.

Perderá a vaga para um gigante, o mais eficiente time do primeiro turno da competição.

Até porque, para ser correto, o Flamengo, pela bolinha de gude que jogou na primeira fase, não merecia sequer fazer os dois jogos com o Corinthians nesta segunda fase.

E o amado amigo, o que pensa sobre o assunto?

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26 Abr 15h57

Jogar “m…” em “v…”? Esses alunos da USP merecem punição por grosseria. Que tal mandá-los de volta ao Ensino Fundamental para aprender a pontuar textos? Opine

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AEIOU 2 300x257 Jogar “m...” em “v...”? Esses alunos da USP merecem punição por grosseria. Que tal mandá los de volta ao Ensino Fundamental para aprender a pontuar textos? Opine

“Para retornar a ordem na nossa querida Farmácia, O Parasita lança um desafio, jogue merda em um v..., que você receberá, totalmente grátis, um convite de luxo para a Festa Brega 2010. Contamos com a colaboração de todos. Joãozinho Zé-Ruela."

O amado amigo da blogosfera colorida deve ter lido as frases acima em algum lugar.

É o trecho final de um texto em que alunos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, editores do jornal O Parasita, “desafiam” colegas a “jogar merda em um v...”.

O prêmio para a atitude seria um convite para uma festa.

O texto gerou protestos.

Intelectuais, organizações sociais e movimentos de defesa dos homossexuais acusaram os editores de racismo e estímulo à violência.

Os alunos alegam ter feito apenas humor e brincadeira.

Estou entre os que acham que é preciso cuidado para que o humor verdadeiro e criativo não seja engolido pelo exagero politicamente correto.

Mas o texto dos caras do Parasita é ruim, grotesco e pontuado de forma tosca.

Falhas imperdoáveis para alunos de elite, que estudam na melhor universidade pública do País com dinheiro dos impostos de todo mundo.

Joãozinho Zé-Ruela precisa voltar ao Ensino Fundamental.

E, lá, aprender a pontuar textos como gente.

Isso sim merece pena pesada. Sem discussão.

E você, amado amigo, o que acha?

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23 Abr 18h19

Racismo em campo: o jogador Manoel tem o direito de não cumprimentar alguém que o chamou de “macaco do c…”

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manoel atletico pr 450 Racismo em campo: o jogador Manoel tem o direito de não cumprimentar alguém que o chamou de “macaco do c...” Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Na quinta-feira (15), o Palmeiras venceu o Atlético Paranaense por 1 a 0, no Estádio Palestra Itália, em São Paulo, pela Copa do Brasil.

No primeiro tempo do jogo, uma disputa de bola de bola na área do Palmeiras gerou polêmica.

Os zagueiros Danilo, do Palmeiras, e Manoel, do Atlético Paranaense (na foto acima), discutiram na área.

Manoel teria dado uma cabeçada em Danilo, que revidou com uma cusparada no rosto do adversário.

Após a cusparada, Danilo, berrou para Manoel: “levanta, macaco do c...”. É possível ouvir com nitidez a evacuação verbal de Danilo em um vídeo divulgado pelo canal de tevê ESPN Brasil.

Manoel registrou um boletim de ocorrência sobre o episódio no 23º Distrito Policial, no bairro paulistano de Perdizes. A queixa gerou um inquérito de injúria qualificada com emprego de racismo contra o jogador do Palmeiras.

Nesta quinta-feira (22), houve outra partida entre os dois clubes, desta vez na Arena da Baixada, em Curitiba, no Paraná.

Antes de qualquer partida, é comum os jogadores se cumprimentarem.

Manoel passou em frente de todo o time do Palmeiras.

Apertou a mão de todo mundo.

Menos a de Danilo.

Deixou no ar a mão do colega de profissão que, uma semana antes, o havia chamado de “macaco do c...” para quem quisesse ouvir.

Muitos jornalistas esportivos, comentaristas e palpiteiros de plantão apressaram-se em dizer que Manoel não deveria ter evitado o aperto de mão.

Disseram que ele deveria aceitá-lo em nome da paz no futebol, na não-violência e outras coisas do tipo.

Argumentaram ainda que Danilo, dias depois, reconheceu o erro.

Não concordo.

Acho que Manoel tem todo o direito de não cumprimentar quem o chamou de “macaco do c...” para quem quisesse ouvir.

Manoel tem todo o direito de ficar indignado e de não ter qualquer contato com Danilo até sua indignação passar.

Além disso, forçar a aceitação rápida e artificial de um pedido de desculpas para um ato tão grave apenas incentiva o autor do gesto racista a não refletir sobre a dimensão e a gravidade do que fez.

Perdoar e gesto nobre e não estou aqui, de forma alguma, sugerindo que Manoel não o faça.

Se Manoel um dia perdoar Danilo, maravilha. Ótimo. Lindo. Nobre.

Mas Manoel, se quiser perdoar, deverá fazê-lo dentro do seu tempo de reflexão, do seu processo pessoal de esquecimento, quando ele concluir que o episódio está, em termos pessoais, superado.

E nunca no momento em que eu, você ou qualquer outra pessoa achar nobre só porque a cena, transmitida ao vivo para todo o País, poderia supostamente servir de exemplo para algo bacana.

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23 Abr 16h27

Adriano Imperador X Ronaldo Fenômeno. Fla X Corinthians. Quem vencerá o duelo dos supercraques mergulhados em crises pessoais? Opine

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ronaldo adriano Adriano Imperador X Ronaldo Fenômeno. Fla X Corinthians. Quem vencerá o duelo dos supercraques mergulhados em crises pessoais? Opine

Adriano Imperador X Ronaldo Fenômeno.

Flamengo X Corinthians.

O duelo das duas maiores torcidas do País. O duelo de dois craques mergulhados em crises pessoais.

De um lado, Adriano Imperador e sua vocação para viver eternamente mergulhado em conflitos existenciais.

Abandona o time na Itália, fica no Brasil, diz querer o Rio, a favela amada, o carinho da família e dos amigos queridos.

Fica no Flamengo, o time do coração. É campeão brasileiro. Tudo parece lindo.

Aí, quando ninguém parece ter poder para derrubá-lo, ele mesmo se encarrega de fazê-lo: baladas homéricas madrugadas a dentro, festas, um número impressionante de faltas a treinamentos, desculpas para não jogar, ausência em jogos fundamentais para o Flamengo, mais de 100 quilos de peso, moto com traficante, briga pública com a namorada, separa, volta, separa, volta, separa...

E crise, e crise, e crise.

Eu só queeero é ser feliz, andar tranquilamente na favela em que nasci...”

Niguém aguenta mais isso.

Adriano começou o ano como certeza na Seleção.

Agora, poderá até ser convocado, mas isso não está certo como estava.

Só ele poderia tirá-lo da Copa. Parece que ele está tentando fazendo isso com todas as suas forças.

Tem, no entanto, a chance de se recuperar nesta reta final de Libertadores.

Do outro, Ronaldo Fenômeno.

É mais equilibrado do que o amigo que joga no rival, mas nem por isso se livra, no momento, de tormentos particulares.

O peso está visivelmente acima do aceitável.

A forma, muito distante da vista no ano passado.

Ronaldo parece desestimulado, sem ímpeto e saco para jogar.

Fala-se de problemas pessoais que estariam aniquilando sua motivação e fazendo com que ele fume até dois maços de cigarro por dia.

Mas Ronaldo é Ronaldo, é gênio.

Por todas as voltas que deu na vida, ele deixa em todos a expectativa de que poderá sempre ressurgir das trevas.

Em torno deste duelo há a disputa entre Flamengo e Corinthians.

Quem vencerá: Adriano ou Ronaldo?

Quem vencerá: Flamengo ou Corinthians?

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22 Abr 15h24

Exclusivo: a primeira entrevista do promotor Cembranelli, do caso Isabela Nardoni, após o seu retorno aos tribunais de júri

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francisco cembranelli 2 Exclusivo: a primeira entrevista do promotor Cembranelli, do caso Isabela Nardoni, após o seu retorno aos tribunais de júri Foto: Daia Oliver/R7

Na segunda-feira (19), o promotor Francisco Cembranelli voltou a participar de um tribunal de júri após os cinco dias de julgamento que condenaram o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá pelo assassinato na menina Isabela.

Assim que o julgamento acabou (saiba aqui como foi o júri da volta), Cembranelli concedeu-me a longa e exclusiva entrevista que reproduzo abaixo. Peço ao amigo que acompanhe com carinho. Obrigado.

“Três partidos me querem como candidato a qualquer coisa. Claro que não aceitei”

Nesta entrevista, o promotor Francisco Cembranelli fala sobre  Justiça, fama, convites para se tornar político e – claro – o caso Isabela Nardoni

Eduardo Marini, do R7

Promotor dos bons não perde uma boa oportunidade de conversa. Na segunda-feira (19), após seu retorno aos tribunais depois do caso Isabela, Francisco Cembranelli conversou com a reportagem de R7 no seu “campo de jogo”: o tribunal da sala de júri número três do Fórum de Santana. Falou de fama repentina, reconhecimento, do problema que fecha parcialmente seu olho esquerdo, de existência e da falta de provas, do seu time do coração, o Santos, e – claro – do caso Isabela Nardoni. A entrevista:

R7 – Quanta diferença deste para o último  julgamento...
Francisco Cembranelli – Pois é, rapaz... O portal de notícias R7 é o único veículo de comunicação presente hoje, se não me engano. Acho ótimo que vocês estejam aqui para mostrar às pessoas que nossa realidade, na suprema maioria do tempo, é essa: trabalho determinado, em silêncio, sem badalação ou explosão de mídia. O caso Nardoni gerou para mim uma fama e uma repercussão que eu jamais pedi ou quiz. Falo isso com toda a sinceridade que posso ter. Quero ajudar a sociedade a se aprimorar no diz respeito à Justiça, e não ter glória, holofote, essas coisas. Esse aqui foi o julgamento número 1.079 de minha carreira como promotor. O do caso Isabela foi o 1,078º. Mas, na verdade, o centro das atenções, no momento, é o que virá a ser o número 1080. Porque tem que ser assim: prioridade sempre para o futuro.

R7 – Mas nada será exatamente igual na sua vida a partir de agora...
Cembranelli – Bom, isso é fato. Por mais que eu não dê importância a isso, trata-se de uma realidade. Muito mais pela ação das pessoas do que pelas minhas. A visão de grande parte da sociedade em relação ao meu comportamento, ao meu trabalho e até mesmo à minha personalidade mudou. Para você ter uma idéia, até convite para entrar em partido político e disputar eleição eu recebi nestes últimos dias.

R7 – Aceitou?
Cembranelli – Claro que não. O que é isso? Uns três partidos me procuraram, dois deles grandes. Mas é o seguinte: a única relação que admito ter com político é a de promotor, caso algum deles venha a sentar no banco dos réus de um julgamento em que eu for atuar. Fora disso, só no voto, como você ou qualquer outro cidadão. Na saudável distância que, quando necessário, separa a sociedade dos políticos.

R7 – Em alguns momentos do julgamento de hoje, do estudante Márcio Vanny de Almeida, eram visíveis as expressões de admiração dos jurados ao vê-lo defender suas ideias. O sr. acha que, a partir de agora, depois de seu sucesso no caso Nardoni, uma parte do júri pode vir ao tribunal predisposto a seguir seus pedidos apenas por essa admiração, independentemente das provas ou do poder de convencimento da defesa?
Cembranelli – Em algum nível, e em algumas vezes, isso até poderá ocorrer. É natural que o ser humano tenda a apoiar com maior naturalidade ideias vindas de pessoas que admiram ou passaram a admirar. Agora, se um jurado me parece predisposto a absolver, eu normalmente veto. E o mesmo ocorre, ao contrário, com a defesa. Ninguém vive em redoma. Então, quem seria isento para fazer o caso Nardoni? Teríamos que ir para a Lua ou Marte?

R7 – O que o sr. quer dizer?
Cembranelli - O sentimento negativo em relação ao casal Nardoni era importante em parte da população. Mas, naqueles cinco longos dias em que ficamos aqui, os jurados balançaram, pediram esclarecimentos da acusação e da defesa. Ou seja: aqueles sete jurados, como todos nós, foram antes bombardeados pela mídia com reportagens sobre o caso. Mas isso não impediu que, no julgamento, eles se informassem com os esclarecimentos da defesa, o que fiz nos dois anos anteriores e também com o primoroso trabalho da perícia técnica, que produziu provas claras. Por isso, fiquei contrariado quando o doutor Roberto Podval (advogado de defesa do casal Nardoni) disse, num encontro recente na faculdade em que estudamos, que o caso já estava julgado pela condenação antes do julgamento começar.

R7 – O sr. realmente acha que o casal Nardoni, dependendo das situação, poderia receber uma pena menor ou mesmo a absolvição?
Cembranelli – Estou absolutamente convencido disso. As penas que o casal recebeu foram fortes porque esta força foi sendo construída pelos argumentos e provas cristalinas apresentadas nos cinco dias de julgamento. Coisas como a prova de que eles estavam lá no momento de que a menina foi jogada da janela, de todas as marcas, passos e caminhos mapeados, enfim, da combinação do trabalho da promotoria com a ação brilhante da polícia científica. Essa pena foi construída, em sua parte fundamental, no julgamento. Acredite nisso. Agora, é fácil para a defesa chegar em público, dizer que ninguém absolveria os réus e sair de herói.

R7 – Como assim?
Cembranelli - É um comportamento confortável, que revela generosidade da defesa na atitude de defender o supostamente indefensável. E, ano mesmo tempo, anula o questionamento de que aquela ou qualquer outra defesa poderia convencer ou não os jurados. Por outro lado, foi também uma atitude indelicada e imprópria, para dizer o mínimo, em relação aos trabalhos da promotoria e da perícia. A afirmação do doutor Podval, um profissional competente, pode sugerir que o meu trabalho e o da polícia técnica jamais foram necessários, ou mesmo importantes, porque o casal Nardoni estava condenado de qualquer jeito, desde o início dos tempos, a uma pena pesada. Foi muito, muito infeliz. Por isso, vou lutar, com todas as forças que eu tiver, para que nada neste julgamento seja anulado ou modificado no futuro. Tenho certeza: o que temos hoje permanecerá.

R7 – Por falar em hoje, o sr. acaba de pedir a absolvição deste estudante...
Cembranelli –  Não havia provas. Já pedi a absolvição de criminosos pesados, de membros do PCC com, por exemplo, 60, 80, cem anos de penas acumuladas. Mas que, naquele julgamento em que eu participava, não merecia condenação por falta de prova. No universo das provas não cabe espaço para dúvida. Ou é prova ou é dúvida, chance, suposição. Foi o caso desse rapaz de hoje. Pedi a absolvição. Não foi o caso dos Nardoni. Pedi a condenação. Não sou promotor de acusação. Sou promotor de Justiça.

R7 – O jornalista Milton Neves revelou que o problema que fecha parcialmente seu olho esquerdo foi provocado por queimadura com o cloro acumulado no fundo de uma piscina. Foi isso mesmo?
Cembranelli – Não foi bem assim. O Milton Neves é simpático, santista e conselheiro do Santos como eu. Mas se confundiu ao contar algumas partes. Na verdade, caí num desses poços de cal diluído em água usados para fazer composições e ligas na contrução civil. Tinha quase três anos, e não oito, como ele disse. Estava lá, brincando, rolando na areia, e caí. O poço tinha cerca de um metro quadrado e, provavelmente, um metro de profundidade, pois afundei até a parte da cabeça em que está meu olho esquerdo. Um pedreiro me resgatou. Não fosse ele, sei lá o que teria ocorrido. Virei praticamente um boneco de gesso. Eu todo branco e minhã mãe lá, me lavando. Para me alegrar, meu pai me deu carrinho bacana, desses que batem na parede e volta. Mas eu ficava com os olhos fechados e não adiantava nada. O Milton disse que tenho cerca de 40% da visão do olho esquerdo. Na verdade, tenho bem mais. A visão teve algum comprometimento, é verdade, mas não foi tudo isso.
R7 – O sr. é conselheiro e torcedor apaixonado do Santos. Quem perderá primeiro: o sr., um julgamento, ou os novos Meninos da Vila, um jogo?
Cembranelli – Existem três tipos de promotores: os que perdem muito, os que perdem e os que perdem muito pouco. Luto para permanecer na terceira categoria, a dos que perdem muito pouco. Agora, promotor que não perde não existe. Quem não perde, na quase totalidade dos casos, na verdade escolhe processos em que a vitória é certa ou, se ela não ocorrer, o ambiente para um acordo com a defesa para evitar a derrota é fértil. Assim, ou ganha ou faz acordo. Nunca perde. Eu não escolho processo. Se fosse da minha natureza, esse reconhecimento atual poderia até me permitir isso. Mas não. De jeito nenhum. Nunca escolhi, não escolho e jamais escolherei processo. O que a sociedade e a necessidade profissional colocarem no meu caminho eu encaro. Em relação ao Santos, tomara que o time e minhas convicções vençam tudo o que for possível.

Leia mais sobre o promotor Francisco Cembranelli aqui.

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