6 Abr 14h43
Chuva no Rio: a força da natureza não ameniza e nem justifica omissões de governos passados e presentes

Está certo que é a pior chuva na região metropolitana do Rio de Janeiro desde o fatídico temporal de janeiro de 1966.
Está certo que, em alguns bairros, Copacabana entre eles, chove mais nas últimas 24 horas do que choveu em janeiro e ferereiro deste ano juntos.
Está certo que, diante de um cenário deste, haveria prejuízo e um determinado nível de desordem em qualquer metrópole do mundo, da africana mais pobre à americana ou europeia mais rica.
Está certo que o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), saiu a campo desde cedo, colocou o secretariado na rua e tomou as atitudes corretas, entre elas a de clamar para que os cariocas fiquem em casa e só saiam se for por algo desesperadamente necessário e justificável.
Está certo tudo isso.
Mas tudo isso e a fúria da natureza, que traz certeza de estragos, não amenizam e nem justificam omissões e erros de administrações municipais e estaduais do passado e do presente.
O temporal encontrou as galerias pluviais e os sistemas de drenagem do Rio de Janeiro sujos, entupidos, em petição de miséria.
A cidade tem vários séculos de existência.
Essas coisas precisam ser cuidadas com rigor.
A falha potencializou os riscos e o desconforto.
Isso é trabalho que deixou de ser feito por governos estaduais e municipais.
De ontem e de hoje.
Outro ponto: um carro arrastado por um grande deslizamento invadiu a área da casa do navegador Torben Grael, quatro vezes medalhista de ouro, em Niterói, do outro lado da bela Baia da Guanabara, à 1h da manhã de hoje, terça (06).
Grael e sua filha resgataram uma mulher e uma criança, mas não conseguiram tirar um homem do fundo da lama.
Pois bem: no início desta tarde, às 13h06 - doze horas e seis minutos depois do acidente, portanto - Grael ainda não havia conseguido falar, por telefone, com a Defesa Civil, Bombeiros, polícia ou qualquer instituição do tipo.
E ele é o Torben Grael.
Isso é falta de organização mínima para atender – portanto, falha administrativa.
Outro ponto: é verdade que muitos das dezenas de mortos ocupavam áreas irregulares e perigosas.
Mas a tragédia da chuva em Angra dos Reis – em áreas ocupadas irregularmente no mesmo Estado do Rio de Janeiro - ocorreu há 90 dias.
De lá para cá o governo estadual, a prefeitura do Rio de Janeiro ou de alguma cidade da região metropolitana da capital fluminense fez algum trabalho de retirada, em grande escala, de pessoas que viviam nestas áreas?
Isso deveria ter sido feito.
Obrigatoriamente.
A força da natureza não ameniza e nem justifica a falta de decisão por parte de quem, por obrigação, deveria tomá-las.
E você, nobre amigo, o que pensa?
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