22 Abr 14h38
A venda do vídeo do padre fazendo sexo com ex-coroinha, pedofilia e voto de castidade

Uma boa reportagem de Fábio Guibu, publicada nesta quinta-feira (22) no jornal Folha de S. Paulo, mostra como as cópias de um vídeo com cenas de sexo entre um ex-pároco de Arapiraca (AL), monsenhor Luiz Marques Barbosa, 82 anos, e um ex-coroinha da paróquia estão sendo vendidas clandestinamente, por lá, a preços que vão de R$ 5 a R$ 10.
Esse caso tem produzido barulho na mídia nos últimos dias.
O vídeo foi feito por outro ex-coroinha.
O rapaz que gravou as imagens, o que foi gravado na cama com o religioso e um outro colega acusam de pedofilia o monsenhor Barbosa e também o vigário geral da cidade, Raimundo Gomes do Nascimento.
Na data em que o vídeo foi feito, o autor da gravação e o rapaz que se relaciona com Barbosa eram maiores de idade.
Nascimento não aparece no vídeo.
Mesmo assim, os jovens garantem que os dois padres começaram a abusar sexualmente dos três quando eles tinham idades entre 12 e 14 anos.
E descrevem dezenas de situações, episódios e detalhes que levam realmente a crer que eles, os rapazes, falam a verdade.
Vi as imagens do vídeo.
Uma boa busca na internet permite encontrá-las.
Elas aniquilam a reputação de Barbosa e remetem ao questionamento de vários posicionamentos adotados pelo catolicismo.
É preciso dizer que essas imagens, sozinhas, independentemente do juízo moral, filosófico e religioso que se faça delas (e aí cada um faz o seu), não servem para caracterizar pedofilia, pois mostram o relacionamento de duas pessoas maiores de idade, que são responsáveis por seus atos de acordo com a Constituição.
Mas, pelos relatos dos rapazes e por tudo o que vi e li sobre o caso, acho impossível esses padres provarem que não houve pedofilia.
Nos últimos meses, casos de pedofilia envolvendo padres estouraram em todo o mundo.
Isso levou várias autoridades católicas a afirmar que a derrubada do voto de castidade dos padres contribuiria para a diminuição radical da pedofilia no catolicismo.
Mesmo que exista alguma possibilidade de isso ocorrer, o raciocínio é torto e perigoso.
Pedofilia é ato repugnante, inaceitável, coisa de gente com a cabeça doente.
Precisa ser condenado com dureza.
Teóricos respeitados afirmam que o voto de castidade não é dogma católico e nem tem base em considerações teológicas.
Particularmente, acho que o sem fim faria bem ao catolicismo.
A igreja católica tem liberdade para discutir a valia do voto de castidade.
Mas relacionar essa discussão aos padres pedófilos só contribui para mascarar, desestimular e fugir dos principais desafios do catolicismo neste momento.
São eles: localizar e reprimir a pedofilia entre suas paredes, punir severamente os pedófilos e não criar constrangimentos para que a Justiça faça isso em todo o mundo.
Com ou sem batina, ligado ou não a qualquer religião, pedófilo é criminoso.
Criminoso deve ser punido como qualquer cidadão.
E o catolicismo, como qualquer outra doutrina, deve contribuir para que isso ocorra.
E o amado amigo da blogosfera colorida, o que pensa sobre o assunto?
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