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23 Abr 18h19

Racismo em campo: o jogador Manoel tem o direito de não cumprimentar alguém que o chamou de “macaco do c…”

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manoel atletico pr 450 Racismo em campo: o jogador Manoel tem o direito de não cumprimentar alguém que o chamou de “macaco do c...” Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Na quinta-feira (15), o Palmeiras venceu o Atlético Paranaense por 1 a 0, no Estádio Palestra Itália, em São Paulo, pela Copa do Brasil.

No primeiro tempo do jogo, uma disputa de bola de bola na área do Palmeiras gerou polêmica.

Os zagueiros Danilo, do Palmeiras, e Manoel, do Atlético Paranaense (na foto acima), discutiram na área.

Manoel teria dado uma cabeçada em Danilo, que revidou com uma cusparada no rosto do adversário.

Após a cusparada, Danilo, berrou para Manoel: “levanta, macaco do c...”. É possível ouvir com nitidez a evacuação verbal de Danilo em um vídeo divulgado pelo canal de tevê ESPN Brasil.

Manoel registrou um boletim de ocorrência sobre o episódio no 23º Distrito Policial, no bairro paulistano de Perdizes. A queixa gerou um inquérito de injúria qualificada com emprego de racismo contra o jogador do Palmeiras.

Nesta quinta-feira (22), houve outra partida entre os dois clubes, desta vez na Arena da Baixada, em Curitiba, no Paraná.

Antes de qualquer partida, é comum os jogadores se cumprimentarem.

Manoel passou em frente de todo o time do Palmeiras.

Apertou a mão de todo mundo.

Menos a de Danilo.

Deixou no ar a mão do colega de profissão que, uma semana antes, o havia chamado de “macaco do c...” para quem quisesse ouvir.

Muitos jornalistas esportivos, comentaristas e palpiteiros de plantão apressaram-se em dizer que Manoel não deveria ter evitado o aperto de mão.

Disseram que ele deveria aceitá-lo em nome da paz no futebol, na não-violência e outras coisas do tipo.

Argumentaram ainda que Danilo, dias depois, reconheceu o erro.

Não concordo.

Acho que Manoel tem todo o direito de não cumprimentar quem o chamou de “macaco do c...” para quem quisesse ouvir.

Manoel tem todo o direito de ficar indignado e de não ter qualquer contato com Danilo até sua indignação passar.

Além disso, forçar a aceitação rápida e artificial de um pedido de desculpas para um ato tão grave apenas incentiva o autor do gesto racista a não refletir sobre a dimensão e a gravidade do que fez.

Perdoar e gesto nobre e não estou aqui, de forma alguma, sugerindo que Manoel não o faça.

Se Manoel um dia perdoar Danilo, maravilha. Ótimo. Lindo. Nobre.

Mas Manoel, se quiser perdoar, deverá fazê-lo dentro do seu tempo de reflexão, do seu processo pessoal de esquecimento, quando ele concluir que o episódio está, em termos pessoais, superado.

E nunca no momento em que eu, você ou qualquer outra pessoa achar nobre só porque a cena, transmitida ao vivo para todo o País, poderia supostamente servir de exemplo para algo bacana.

E você, amado amigo da blogosfera colorida, o que pensa sobre o assunto?

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