26 Abr 17h26
Fla: se for para contratar técnico de terceiro escalão na correria, é melhor ficar com Rogério até conseguir um treinador à altura do clube

A presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, acertou ao demitir o vice-presidente de futebol, Marcos Braz, e o técnico Andrade, mesmo depois da classificação, na bacia das almas, para a segunda fase da Copa Libertadores da América.
Braz falou mais do que devia. Foi emocional além do que devia.
Falou tanto, esticou tanto a corda, bateu tanto no peito (mesmo nos casos em que tinha razão) que, no momento da alta fervura, ficou sem ambiente e condições políticas para recolher a linha e devolver a paz ao futebol.
Vice-presidente de futebol que não consegue realizar essas tarefas, sobretudo no eterno caldeirão de crises que é o Flamengo (criiiiiiiise no Flamengooo...), perde, na prática, a mais importante e indispensável de suas funções.
Sua presença no cargo passa a não ter mais sentido.
Andrade é um ídolo rubro-negro eterno e sabe montar times ofensivos, bonitos.
A torcida reconhece isso e o reverencia.
O problema é que não dá para ser técnico de um barril de pólvora e de vaidades periféricas como o Flamengo apenas como aquele cara amigo, manso, parceiro de um grupo de jogadores que está em paz, na boa, sem brigas.
Até porque no dia seguinte a coisa estoura, um bate de frente com o outro e, aí, surge a necessidade do técnico que também é líder, capaz de mostrar força, exercer autoridade, colocar as coisas no lugar e reestabelecer o comando e a disciplina.
O doce Andrade revelou-se o técnico certo das horas certas, e não, como diria o rei Roberto Carlos, o técnico certo também das horas incertas.
Mesmo num episódio em que tinha razão – o abandono do vestiário de Petkovic – Andrade demorou a superar a mágoa pela “traição” do veterano a quem dava poder e liberdade.
Não chamou Pet para uma conversa franca.
Deixou o jogador se desgastar com o resto do grupo.
E o colocou na reserva em vários jogos em que, claramente, o gringo faria a diferença a favor do rubro-negro.
Dessa forma, não conseguiu agradar nem o vice Marcos Braz, que detesta Pet e desejaria vê-lo definitivamente fora do grupo, e nem a torcida, que ama o gringo e quer vê-lo em campo desde o início.
Por tudo isso, a presidente Patrícia acertou ao demitir a dupla.
Mas... como nada é perfeito, a competente e corajosa Patrícia errou justamente na gestão ao passar o rodo sem ter feito pelo menos um acordo verbal com algum Plano B de primeiro escalão para a eventualidade de o técnico Joel Santana recusar a proposta de voltar à Gávea.
Resultado: “Papai” Joel recusou o convite e Patrícia ficou perdida, sem ter para onde correr com seus auxiliares.
Colocar o ex-zagueiro Rogério, técnico da Seleção Brasileira Sub-20, para treinar o Flamengo nestes dois jogos contra o Corinthians, pela Libertadores, foi boa tacada.
Rogério conhece futebol, jogou a vida inteira com craques de peso, é sério, dedicado, disciplinador e adepto da hierarquia.
Em resumo, parece ter todas as características necessárias para administrar boleiros talentosos mas vaidosos e, muitas vezes, indisciplinados.
Rogério é jovem.
Talvez seja cedo para que ele pilote um Boeing do tamanho do Flamengo.
Ou não.
Seria leviano afirmar, agora, uma ou outra coisa.
Os resultados dirão em tempo curto.
O problema é que, na correria da Gávea, já se fala no esquecido e confuso Paulo César Carpegiani e até em Marcos Paquetá...
Se for para colocar técnico em má fase ou de terceiro escalão, é melhor manter Rogério até que a situação permita fechar com alguém à altura das pretensões do Flamengo.
Como Abel Braga ou alguém do nível.
Esses jogadores do Flamengo precisam é de pacto, entre eles, de humildade, colaboração, respeito ao clube e vontade de trabalhar.
E de recolocar Pet no elenco sem restrições de estudante de Ensino Fundamental.
Pet precisa ser menos arrogante com todos.
Tudo isso como no ano passado.
Se retomarem essa postura, passarão a ser um time forte e competitivo, com chances até de título na Libertadores.
Esta é a única chance de salvamento.
Neste momento, não há técnico de segundo ou terceiro escalão que possa fazer isso melhor do que Rogério.
O melhor, então, é seguir com ele até o momento em que um técnico mais experiente, com o mesmo perfil, se disponha a pegar a eterna bomba de crises que é o Flamengo.
Se no meio deste caminho for eliminado pelo Corinthians, paciência.
Perderá a vaga para um gigante, o mais eficiente time do primeiro turno da competição.
Até porque, para ser correto, o Flamengo, pela bolinha de gude que jogou na primeira fase, não merecia sequer fazer os dois jogos com o Corinthians nesta segunda fase.
E o amado amigo, o que pensa sobre o assunto?
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