30 Abr 19h49
Pena de Jobson por uso de cocaína foi reduzida de dois anos para seis meses. Melhor assim. O que você acha? Opine

O jogador Jobson, atacante com direitos vinculados ao Brasiliense (DF) que defendeu o Botafogo em 2009, caiu duas vezes na tarrada do antidoping.
O exames revelaram a presença de um metabólico da cocaína na urina do jogador após as vitórias do time carioca sobre o Coritiba (2 a 0, em 8 de novembro) e o Palmeiras (2 a 1, em 6 de dezembro), em partidas pelo Campeonato Brasileiro.
No primeiro julgamento, Jobson, 21 anos, foi suspenso por dois anos do futebol.
Agora, teve a pena diminuída para seis meses.
Melhor assim.
Defendia pena maior, mas me convenci de que seis meses estão de bom tamanho.
Esse garoto fez uma imensa besteira.
Merece, sem dúvida, uma pena forte e um bom susto para não sair mais dos eixos.
Mas pena, como já disse por aqui, é para ajudar a se recuperar e não empurrá-lo de vez precipício abaixo.
E seis meses de suspensão, convennhamos, é uma pena forte.
Existe por aí, só para dar um exemplo, uma legião de ladrões do dinheiro público (do nosso dinheiro) que não fica nem metade desse tempo no xilindró.
Jobson é de família pobre do interior do Pará.
Tem mãe para ajudar a viver, irmãozada carente e uma penca de amigo e parente gritando no seu ouvido.
Só poderá continuar a ajudar essa gente jogando bola.
É a única coisa que sabe fazer.
A gente sabe: quando alguém sem recurso e educação é proibido de fazer a única coisa decente que sabe, o caminho é sempre o mesmo: marginalidade.
Deixar Jobson muito tempo fora do futebol é empurrá-lo para a cheiração de pó, o crack e a sujeira que rola em torno disso.
Que se puna por seis meses e ele volte a trabalhar.
E, de volta, se cair de novo na tarrafa do antidoping, se reincidir no erro, aí, meus amados, aí, sim, pode-se pensar em tirá-lo de vez do esporte.
O argumento de prejuízo para os os times que perderam ou foram rebaixados em função das vitórias do Botafogo nos dois jogos em que Jobson foi flagrado é, neste caso específico, segundo especialistas ouvidos por esse repórter, muito mais moralista do que verdadeiro sob o ponto de vista técnico.
Nas duas situações, as circunstâncias em que o tal metabólico foi encontrado revelaram consumo distante do jogo.
Jobson jogou com vestígios da droga no corpo, mas já sem qualquer de seus efeitos estimulantes.
De qualquer jeito, faria o que fez nas duas partidas.
Não explico tudo isso para defender consumo de qualquer droga ou o jogador Jobson em particular.
Mas na tentativa de contribuir para a busca de lucidez e equilíbrio em situações delicadas como essa.
Quando vencemos nossos preconceitos em função do melhor ganho possível em cada situação, nos tornamos maiores.
E você, amado amigo da blogosfera colorida, o que pensa sobre o caso?
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