26 Mai 21h09
O Corinthians entendeu que precisa montar time que não dependa de Ronaldo. Daqui para frente, o que vier dele será lucro. Dentro e, sobretudo, fora de campo

- Meu corpo está pedindo para parar. Estou ficando velho.
A frase é do craque Ronaldo Fenômeno.
Foi dita no início desta semana numa conferência de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro.
De nada adianta a ansiedade de jornalistas e de torcedores em saber se (e quando) Ronaldo emagrecerá ou se jogará mais e melhor a partir de hoje.
A diretoria corintiana e o técnico Mano Menezes decidiram que, a partir de agora, a estratégia correta em relação a Ronaldo dentro de campo é “contar sem contar”.
No gramado, o objetivo, agora, é montar um time capaz de andar, ganhar títulos e ser competitivo sem precisar o tempo todo do Fenômeno.
Assim, nas vezes em que Ronaldo puder e tiver condições para contribuir, do jeito e com a intensidade que puder contribuir, será lucro.
E, nos momentos em que o craque estiver às voltas com os problemas físicos, o time continua andando.
Sábia decisão.
Explico.
Há pelo menos três Ronaldos fundamentais para o clube.

O jogador para grupo.
O ídolo para a torcida.
E o parceiro comercial, publicitário, financeiro e marqueteiro para o clube, uma relação aberta e assumida pela presidência e a diretoria.
Ronaldo é o grande captador de dinheiro.
O imã de atração de investimentos de marketing e propaganda que formam uma parte decisiva do orçamento atual do Corinthians.
Capta para ele e para o clube.
E, não bastasse, é muito sério e profissional.
Ao contrário de outros jogadores, ele não falta aos compromissos comerciais e nem deixa os parceiros de marketing na mão.
Sempre foi assim. Conheço o seu profissionalismo desde que fiz com ele uma longa reportagem, ainda em Barcelona, para uma revista em que trabalhava.
Essa realidade ficou clara na definição das últimas cotas de patrocínio do Timão.
Ronaldo, segundo consta, embolsou R$ 13 milhões do patrocínio fixo e Corinthians ficou com cerca de R$ 30 milhões.
Pois se não tivesse Ronaldo, não haveria os R$ 13 milhões e os R$ 30 milhões do clube não seriam R$ 30 milhões. O valor seria menor.
O resumo da história é o seguinte: diretoria e técnico adorariam ver o Fenômeno arrebentando como no segundo trimestre de 2009, mas sabem que, nas atuais circunstâncias profissionais e financeiras, ele é tão ou mais importante fora de campo do que dentro dele.
Andrés Sanchez, Mano e os diretores do Timão sabem disso.
Não querem perdê-lo, acima de tudo, como parceiro comercial.
E, diante da dificuldade de Ronaldo para apurar a forma, e da briga constante com as contusões “chatinhas”, decidiram montar um time do Corinthians que não dependa da presença constante e nem do talento de Ronaldo para vencer e ser campeão.
Sempre que Ronaldo puder entrar no time, terá seu lugar, é claro.
Se ele recuperar o condicionamento e o futebol da primeira metade do ano passado, será o céu.
Mas se, ao contrário, ele passar a jogar de vez em quando, mas continuar a captar recursos e o time seguir engrenado, Sanchez, Mano e os dirigentes darão a missão do craque como muito bem cumprida.
Tomara que os torcedores pensem o mesmo.
E você, amado amigo, o que acha sobre o assunto.
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