28 Mai 18h06
Ritmo, boa trama, texto limpo, alternância, belas imagens, atores consagrados. E tome paixão. Tudo indica que a novela Passione será um grande sucesso. Opine

Adoro novela.
Na medida em que o trabalho permite, sou noveleiro.
Vu tentar escrever alguma um dia.
Nem que seja para escrever, guardar e pronto. Mas vou.
Estou com a sensação de que Passione será um sucesso.
Mais do que de atores e atrizes consagrados, novelas precisam de boas tramas, de cenários encantadores e de personagens com dramas, desejos e apelos que se identifiquem, aqui e ali, lá e cá, com os do amado público.
Novela é projeto longo, todos sabemos.
Para se manter no topo sem cansar, ela precisa apresentar trama consistente, ritmo e texto bom o suficiente para aguentar as reviravoltas que injetarão oxigênio no decorrer do caminho.
Em qualquer projeto de novela, abrigado no canal que for, super-atores consagrados e amados – um Tarcisio Meira, uma Fernanda Montenegro, um Tony Ramos, um Francisco Cuoco da vida – farão a diferença nos dez, 15 ou 20 primeiros capítulos, se tanto.
É o tempo para que o público deixe de considerá-los uma novidade consagradora, que justifique o tempo diário diante da TV.

Depois, se não houver o que precisa (trama boa, tempo bem marcado, alternância de situações, uma novela bem resolvida, tudo o que já foi citado, enfim), a coisa não anda.
E nem as estrelas são capazes de esconder isso.
Por isso, ousaria dizer que grandes autores são reforços mais importantes do que grandes atores (mesmo porque os primeiros acabam atraindo os segundos).
Passione dá a impressão de ter todos os elementos para que uma novela vire sucesso. E também super-atores consagrados.
As cenas na Toscana, no norte da Itália, são lindas de babar.
Praticamente todos os personagens estão envolvidos em pelo menos uma grande questão pessoal e outra amorosa.
Isso os aproxima do amado telespectador que senta diante da telinha todos os dias para mergulhar na fantasia nossa de cada dia.
Desde suas primeiras novelas no horário das sete, Silvio de Abreu se mostrou um mestre na tarefa de criar várias tramas e sub-tramas e resolvê-las rapidamente.

Como se elas fossem boas novelinhas dentro do novelão.
A técnica confere ritmo e diminui os períodos carregados da novela, sobretudo após os primeiros capítulos, quando a trama acaba de ser apresentada e quase toda novela mergulha num período carregado.
Em Passione, a tática novamente começa a funcionar.
Mais uma vez, Silvio de Abreu parece ter feito o dever de casa.
Vivemos hoje a paranóia da inovação.
Tudo tem que “ser” novo, “parecer” novo.
Ocorre que a pressa e a falta média de megatonagem criativa quase produzem fakes de coisas novas marcadas pela péssima qualidade.
Boas novidades são quase sempre, leituras e adaptações inteligentes do que os clássicos preservaram de melhor.
Passione está indo por esse caminho.
Silvio de Abreu, mais uma vez, fez o dever de casa certinho.
Se vai ser sucesso, o tempo dirá.
Eu apostaria que vai.
E você, amado amigo da blogosfera colorida, o que pensa sobre o assunto?

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