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16 Jun 15h48

Morumbi e Arena fora da Copa. Falta de garantia bancária. E não dá para financiar obra privada com dinheiro público a juro barato. Se for assim, minha obra privada também quer

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soccer city1 300x225 Morumbi e Arena fora da Copa. Falta de garantia bancária. E não dá para financiar obra privada com dinheiro público a juro barato. Se for assim, minha obra privada também quer

Os  estádios do Morumbi e da Arena da Baixada estão fora da Copa do Mundo do Brasil 2014.

No caso do Morumbi, não houve apresentação de garantia bancária para cobrir o gasto de R$ 630 milhões previsto no projeto que está valendo no Comitê Organizador Local da Copa do Mundo 2014, o COL.

Para que o amado amigo entenda, garantia bancária é um aval, uma fiança, uma carta, um documento assinado por um grande banco ou instituição financeira mundial afirmando que banca o que faltar das obras prometidas caos o cliente em questão, no caso o São Paulo, não tenha como pagar a dívida.

A função é a mesma de um fiador no caso de aluguel de um imóvel, aquele sujeito que assina lá se comprometendo a pagar o que o inquilino deixar de pagar durante o contrato.

Depois de muitas discussões, alterações de projetos e mudanças de prazo, São Paulo e Fifa acertaram um projeto com obras orçadas em R$ 630 milhões.

Como não conseguiu a garantia bancária para tudo isso, o clube paulista mandou um novo projeto, no último dia 12 de junho, com R$ 265.423.497,00 cobertos pelas tais garantias bancárias, ou seja, por avais de fiança de bancos.

Isso representa apenas 42% dos R$ 630 milhões considerados necessários para as necessidades discutidas e incluídas no projeto que estava valendo para o COL.

O COL considerou que o projeto válido é o de R$ 630 milhões.

Sequer levou em consideração o último enviado pelos são-paulinos, de R$ 265,5 milhões.

E tirou o Morumbi por não ter apresentado as garantias para a promessa de reforma de R$ 630 milhões.

O COL diz não haver mais tempo para esperar por essas garantias.

Na Arena da Baixada, a questão é muito parecida.

O Atlético-PR julgou inviável o custo da reforma e não encontrou parceiros particulares para realizá-la da forma como acertada com o COL.

E bancos públicos e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, se recusam a emprestar tanto dinheiro público para Atlético-PR e São Paulo, a juros reduzidos e subsidiados, para ser gasto em uma obra particular.

O BNDES e os bancos públicos estão corretos.

O Morumbi, como o amado amigo sabe, é um estádio particular.

Pertence ao São Paulo, um clube privado.

A Arena da Baixada, como o amado amigo sabe, também é um estádio particular.

Pertence ao Atlético-PR, outro clube privado.

A propriedade ou não de se realizar uma Copa no Brasil é outra discussão.

Mas não é justo o BNDES, um banco feito com o dinheiro dos impostos dos brasileiros, financiar, a juros privilegiados, benfeitorias milionárias que ficarão como propriedade de dois clubes particulares - o São Paulo e o Atlético-PR - e de seus sócios.

É possível discutir dinheiro público e a juros privilegiados até em estádios públicos como o Maracanã, o Mineirão ou o Pacaembu, por exemplo.

Mas esses, pelo menos, são equipamentos públicos.

Pertencem a prefeituras e a governos estaduais.

Ou seja: são do cidadão, e não de um grupo particular como o de sócios e dirigentes do São Paulo, do Atlético-PR, do Santos, do Flamengo, do Ceará, do Grêmio ou de qualquer outro clube.

Se for para entregar milhões de reais a juros privilegiados a clulbes ou entidades particulares, eu também quero.

Pegaria essa grana a juro baixo, colocaria na mão de um belíssimo administrador financeiro, receberia juros maiores, pagaria as prestações do BNDES ou de quem que fosse e ficaria com uma bela bolada de sobra.

Você também deveria querer, não, amago amigo da blogofera colorida?

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