22 Jun 13h38
A França baixou a guarda e chamou os sul-africanos para o paraíso. “Vamos, enfiem uma goleada no nosso time!” Mas a África do Sul não foi capaz de ser feliz…

Assim que a partida da rodada final do Grupo A começou, nesta terça-feira (22), a França abaixou a guarda.
E chamou a África do Sul para ser feliz.
Seus jogadores pareciam dizer:
- Amados amigos sul-africanos, resolvam isso logo. Metam uma goleada na gente e se classifiquem com o empate entre México e Uruguai. O jogo lá está zero a zero. Façam logo o serviço, vamos...
E a seleção da África do Sul parecia responder:
- Mas a gente não consegue. Não temos força para isso...
A apatia francesa na primeira etapa foi constrangedora, quase suspeita.
Os jogadores recuaram na ameaça de não entrar em campo, mas pareciam ter adotado uma grande operação tartaruga.
Davam a impressão de querer ver o adversário enfiar um pacote de gols para colocar fogo de vez na crise por que passam neste Mundial.
A defesa, em linha burra de quatro, abria espaços no meio de forma quase amadora.
Malouda olhava o jogo.
Ribery não se esforçava entre os zagueiros.
O forte e rápido Cissé estava apagado.
Até mesmo na expulsão de Goucuff, que poderia ao menos ser discutida, foi aceita pelos franceses com uma resignação surpreendente e imperdoável.
A impressão era de que não sentiram o cartão vermelho do companheiro.
Final do primeiro tempo: dois a zero para a África do Sul, um jogador a mais e todo o time francês aparentando um desinteresse que fazia quem estava assistindo ao jogo sentir vergonha por eles.
O cenário estava pronto para mais dois golzinhos sul-africanos e a festa.
Mas a África do Sul, como deixou entender, não conseguiu.
Nem teve medo, mas não foi capaz de ser feliz.
Perdeu parte do ímpeto e do ritmo no segundo tempo.
Cadenciou parte do jogo, algo inexplicável para uma seleção que jogava seu tudo ou nada em casa, com o estádio cheio e o apoio de praticamente todo o mundo.
Não correram o risco necessário ganhar uma classificação que estava praticamente fora de cogitação e voltou ao plano das possibilidades concretas por causa de mais um daqueles caprichos do destino.
Por isso, foram punidos.
O trem voltou à estação, mas os sul-africanos não acreditaram que isso fosse possível. Foram embora antes.
Já que o adversário não atendeu à convocação, a França, mesmo em crise, foi obrigada a lembrar, pelo menos por alguns minutos, que era França.
Fez o gol que praticamente sepultou as esperanças.
Resumo da ópera das vuvuzelas: a África do Sul é o primeiro país anfitrião de uma Copa a ser eliminada na primeira fase.
Uma pena.












