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Posts de 11/07/2010

11 Jul 18h41

Fúria campeã. Clube dos vencedores tem mais um sócio. Viva Iniesta. Viva todo volante que sabe jogar. Viva todo técnico que gosta de volante que sabe jogar. Dá-lhe polvo Paul…

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iniesta gol final 450 Fúria campeã. Clube dos vencedores tem mais um sócio. Viva Iniesta. Viva todo volante que sabe jogar. Viva todo técnico que gosta de volante que sabe jogar. Dá lhe polvo Paul...

Paul, o polvo alemão rei dos palpites, acertou mais uma.

Acertou todas – até as que os alemães não queriam.

Disse que a Alemanha perderia para a Sérvia. Perdeu.

Disse que a Alemanha perderia para a Espanha. Perdeu

Disse que a Espanha ganharia a final da Holanda. Ganhou.

O clube dos países campeões do mundo tem mais um sócio.

Brasil, Itália, Alemanha, Argentina, Uruguai, Inglaterra, França...

E, a partir de minutos atrás, a Espanha.

La Furia, a Fúria Espanhola, é finalmente campeã.

O cara é o excelente meia Andres Iniesta, autor do golaço que deu o título, aos dez minutos do segundo tempo da prorrogação após uma partida tensa, marcada pelo futebol preso das finais mas disputada com muita dignidade e lealdade.

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A batalha do Soccer City tem dois vencedores: a Espanha e o futebol bem jogado.

Viva Iniesta.

Viva Xavi.

Viva La Bruxa Verón.

Viva todo volante que sabe desarmar e também partir para o ataque, jogar bola e fazer gol.

Viva Vicente del Bosque e todo técnico que sabe que cabeça de área não precisa ser sinônimo de cabeça de bagre, aquela mula que só serve para dar coice nos outros em campo.

Tomara que os técnicos que dominam o futebol no brasil voltem a entender isso.

Os espanhóis entraram para a final nervosos como jamais estiveram na Copa.

Sentiram negativamente os efeitos da badalação e do entusiasmo criados em torno do belo futebol jogado por eles nessa Copa.

A isso foi somada a ansiedade natural de jogadores com a responsabilidade de defender seu país na primeira final em que ele disputava e conquistar o primeiro título de sua história.

Uma Espanha mais técnica e mais abalada contra uma Holanda um pouco mais equilibrada e pragmática nos contra-ataques.

Foi este o retrato do primeiro tempo.

Um primeiro tempo carregado, com um futebol medíocre e poucas oportunidades de gol.

O segundo tempo foi igualmente tenso, mas com um futebol um pouco mais rico.

Com maior posse de bola (55%) e muito toque no meio de campo, à espera da hora propícia para o bote, a Espanha entra na segunda etapa como queria, ou seja, dominando as iniciativas.

Mas quem teve a primeira chance clara, na metade do segundo tempo, foi a Holanda.

Em um contra-ataque  – haveria, claro, de ser um contra-ataque – o ponta holandês Arjen Robben aparece na frente do goleiro espanhol Casillas, que tira a bola com o pé esquerdo.

Um minuto depois, na resposta espanhola, David Villa perde o gol quase dentro da pequena área.

Logo depois, em outro contra-ataque holandês - claro, um contra-ataque holandês – Robben ganha na corrida de Puyol, sai na cara do gol e tenta driblar Casillas.

Mas o goleiro espanhol – perfeito, um dos destaques da partida, apesar da posse de bola maior da Espanha – toma a bola do atacante carequinha holandês.

A partida nervosa, com recorde de cartões amarelos para decisões de Mundiais mas disputada com lealdade, como toda final importante deve ser -  vai para a prorrogação.

Etapa inicial do tempo extra.

A Espanha mantém o domínio territorial e perde duas grandes oportunidades.

Na primeira delas, Fabregas chuta em vez de passar para um companheiro ao seu lado direito. Perde o gol.

Na melhor delas, Iniesta entra com a bola dominada na cara do gol, um companheiro ao seu lado esquerdo e outro no direito. Novamente, escolhe chutar em vez de passar a bola, e é travado por um zagueiro que se recupera.

Segunda etapa da prorrogação.

Três minutos: após jogada genial de Iniesta, o holandês Heitinga é expulso ao segurar a camisa de Torres. A muralha holandesa começa a ruir.

Dez minutos: Iniesta recebe de Fabregas, domina a bola e chuta forte, cruzado, sem chances para o goleiro grandalhão Stekelenburg, apesar de seus 1,97 metros de altura.

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Gol da Espanha.

Gol da Fúria.

Gol do craque Iniesta.

Gol da seleção que mereceu o título.

A Espanha é campeã.

A Fúria tem o título.

O clube dos campeões do mundo ganha seu oitavo sócio.

Com todo o merecimento.

Espanhóis sabem que polvo (pulpo) à valenciana é ótimo.

Mas querem Paul, o polvo palpiteiro, mais vivo do que nunca.

Ele deu sorte.

E fuídos da melhor qualidade para quem mereceu.

Esporte? É no R7, claro. Experimente de novo.

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11 Jul 18h12

A Espanha é campeã do mundo. Iniesta é o cara. Um resumo da Copa em 25 toques e alguns chutes com endereço certo

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mandelanoestadio A Espanha é campeã do mundo. Iniesta é o cara. Um resumo da Copa em 25 toques e alguns chutes com endereço certo

* Acabou a Copa do Mundo da África do Sul 2010.

* Um novo país no clube dos campeões.

* Um campeão europeu fora da Europa.

* A festa de encerramento foi bonita. Modesta à luz das feitas em olimpíadas, mas de altíssimo nível se comparada às realizadas até agora em copas do mundo.

* A África do Sul está de parabéns. Copas e Olimpíadas devem ser feitas. É direito de sociedades que amam o futebol e o esporte fazê-las. No final, as recompensas em todos os aspectos, não só nos financeiros, superam os investimentos.

mandela 2 final 300x224 A Espanha é campeã do mundo. Iniesta é o cara. Um resumo da Copa em 25 toques e alguns chutes com endereço certo

* Há um novo país no clube dos vencedores. Muito bacana. E logo a Espanha, equipe que jogou mais bonito. Para quem, como eu, defende que nada na vida (e também no futebol) precisa abrir não da beleza, do encantamento, da elegância e do comportamento fino, está sendo lindo. Para técnicos, cartolas, jornalistas e outros amantes da tese salieriana de que, hoje, só a mediocridade constrói, foi uma punhalada no peito.

* Vimos também que organização, seriedade e disciplina são necessários, mas não é preciso clausura e masmorra. Até quando iremos tratar jogadores profissionais e adultos, no Brasil, como se eles fossem parte de uma malta iletrada, irresponsável, incapaz de raciocinar com bom senso, a precisar de vigia e de babá o tempo todo? Contratem ou convoquem jogadores sérios. Trabalhem nos momentos certos e relaxem nos momentos certos com os profissionais certos. Ponto.

mandela 3 final 300x225 A Espanha é campeã do mundo. Iniesta é o cara. Um resumo da Copa em 25 toques e alguns chutes com endereço certo

* No futebol brasileiro costuma ser assim: a gente tenta corrigir um erro radical de um período anterior com outra atitude radical. Aí, é óbvio: a gente erra de novo.

* A corda frouxa do período Parreira foi radical. Por isso deu errado. O fechamento exagerado de Dunga e de Jorginho foi radical para o outro lado. Por isso também deu errado.

* E ainda ficou aquela imagem feia de Jorginho, tido como o maior defensor do fechamento das concentrações brasileiras para as mulheres dos jogadores, flanando com a sua mulher o tempo todo nas instalações brasileiras na África do Sul. Não dá para fazer cada coisa em sua hora e buscar o equilíbrio?

* Felizmente, o equilíbrio foi a marca dos quatro técnicos que chegaram às finais. Foi a melhor lição da Copa. O melhor ponto entre a exigência de seriedade e de trabalho e os momentos de privacidade para descanso e relaxamento com segurança e confiança.

* A serenidade e a competência do técnico uruguaio Oscar Tabárez encantaram o mundo.

* O alemão Joachim Löw, a despeito das nojentas engolidas de meleca (os paulistas preferem catota), soube colocar seus jovens comandados para trabalhar sem grosserias, sem chicote na mão ou falsas lutas do tipo a-imprensa-está-contra-nós-e-vamos-provar-isso-para-todo-mundo. Bobagem. Ninguém provou nada – e nem ganhou nada.

mandela 6 final1 A Espanha é campeã do mundo. Iniesta é o cara. Um resumo da Copa em 25 toques e alguns chutes com endereço certo

* Apesar da cara feia, o espanhol Vicente del Bosque está mais para um paizão à la Fiola no comando do Brasil do que para um técnico autoritário. Tem o carinho e o respeito de seus comandados. E, nas entrevistas coletivas, mostrou equilíbrio e educação enquanto seu time comemorava a vitória. E não a fúria tosca dos estraga prazeres.

* Por último, o técnico holandês Bert van Marwijk. Ele tem o equilíbrio e bom senso como as características mais elogiadas por seus comandados. O meia Sneijder destacou seu comportamento comparando-o ao de “idiotas como Dunga e Maradora” (são palavras do jogador holandês).

* Mestre Tostão lembra em sua coluna deste domingo (11) que, após a vitória sobre o Uruguai, na semifinal, os jogadores holandeses tiveram um dia de folga para passear e matar a saudade das esposas. E chegaram à final.

* Jogador de futebol não precisa ser tratado eternamente como alguém sempre disposto a passar dos limites. Ou a gente deve pensar que europeus conseguem isso porque são superiores e nós, brasileiros inferiores, jamais chegaremos a este ponto? Não. Jogadores sem responsabilidade não devem ser chamados, como em qualquer profissão. Ponto.

* Tomara que esses exemplos ajudem a melhorar o nível de gestão em nossos clubes e na Seleção Brasileira. Evolução. Progresso. Visão de século 21. Maturidade. Cartolas e técnicos preparados. Futebol é negócio sério e milionário. E não coisinha de gente conservadora e inculta com métodos e pensamentos do início do século passado.

* O futebol africano foi a grande decepção da Copa. Precisa se repensar. No geral, as seleções da África deixaram a desejar.

* A Costa do Marfim, considerada a melhor africana no início, mais bateu do que qualquer outra coisa. Ficou no meio do caminho de forma frustrante. E mesmo Gana, que foi até as quartas, mostrou um futebol bem menos inspirado do que o exibido em outros Mundiais.

mandela 7 final1 300x226 A Espanha é campeã do mundo. Iniesta é o cara. Um resumo da Copa em 25 toques e alguns chutes com endereço certo

* Os africanos, na maior parte dos casos, adotaram a violência do futebol “pegado”. Não é isso. Organização é uma coisa. Exagero de pancada é outra. É assumir o lixo e o descartável da onda do futebol dito de marcação.

* A boa nova foi a recuperação do futebol sul-americano como escola. Quatro entre as oito seleções finalistas. Uruguai recuperando sua auto-estima depois de seis décadas longe do grupo dos vencedores. Paraguai dando esperança e alegria ao seu povo. Isso foi bonito.

* Tivemos, enfim, uma copa que começou modorrenta, ruim tecnicamente, com poucos gols e partidas melancólicas, mas foi melhorando no decorrer das rodadas. Não está entre as melhores, mas escapou com muita dignidade de merecer ser colocada entre as mais terríveis, com a de 1990 à frente.

* Paul, o polvo, é gênio. Acertou todas. Uma dica para os alemães: a melhor maneira de prepará-lo é à Espanhola, com muita páprica, batata e azeite. Fica uma delícia.

mandela 5 final 300x225 A Espanha é campeã do mundo. Iniesta é o cara. Um resumo da Copa em 25 toques e alguns chutes com endereço certo

* É isso. Esperemos, pois, 2014. Até lá. Melhor: até aqui.

Esporte? É no R7, claro. Confira.

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