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11 Jul 18h12

A Espanha é campeã do mundo. Iniesta é o cara. Um resumo da Copa em 25 toques e alguns chutes com endereço certo

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mandelanoestadio A Espanha é campeã do mundo. Iniesta é o cara. Um resumo da Copa em 25 toques e alguns chutes com endereço certo

* Acabou a Copa do Mundo da África do Sul 2010.

* Um novo país no clube dos campeões.

* Um campeão europeu fora da Europa.

* A festa de encerramento foi bonita. Modesta à luz das feitas em olimpíadas, mas de altíssimo nível se comparada às realizadas até agora em copas do mundo.

* A África do Sul está de parabéns. Copas e Olimpíadas devem ser feitas. É direito de sociedades que amam o futebol e o esporte fazê-las. No final, as recompensas em todos os aspectos, não só nos financeiros, superam os investimentos.

mandela 2 final 300x224 A Espanha é campeã do mundo. Iniesta é o cara. Um resumo da Copa em 25 toques e alguns chutes com endereço certo

* Há um novo país no clube dos vencedores. Muito bacana. E logo a Espanha, equipe que jogou mais bonito. Para quem, como eu, defende que nada na vida (e também no futebol) precisa abrir não da beleza, do encantamento, da elegância e do comportamento fino, está sendo lindo. Para técnicos, cartolas, jornalistas e outros amantes da tese salieriana de que, hoje, só a mediocridade constrói, foi uma punhalada no peito.

* Vimos também que organização, seriedade e disciplina são necessários, mas não é preciso clausura e masmorra. Até quando iremos tratar jogadores profissionais e adultos, no Brasil, como se eles fossem parte de uma malta iletrada, irresponsável, incapaz de raciocinar com bom senso, a precisar de vigia e de babá o tempo todo? Contratem ou convoquem jogadores sérios. Trabalhem nos momentos certos e relaxem nos momentos certos com os profissionais certos. Ponto.

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* No futebol brasileiro costuma ser assim: a gente tenta corrigir um erro radical de um período anterior com outra atitude radical. Aí, é óbvio: a gente erra de novo.

* A corda frouxa do período Parreira foi radical. Por isso deu errado. O fechamento exagerado de Dunga e de Jorginho foi radical para o outro lado. Por isso também deu errado.

* E ainda ficou aquela imagem feia de Jorginho, tido como o maior defensor do fechamento das concentrações brasileiras para as mulheres dos jogadores, flanando com a sua mulher o tempo todo nas instalações brasileiras na África do Sul. Não dá para fazer cada coisa em sua hora e buscar o equilíbrio?

* Felizmente, o equilíbrio foi a marca dos quatro técnicos que chegaram às finais. Foi a melhor lição da Copa. O melhor ponto entre a exigência de seriedade e de trabalho e os momentos de privacidade para descanso e relaxamento com segurança e confiança.

* A serenidade e a competência do técnico uruguaio Oscar Tabárez encantaram o mundo.

* O alemão Joachim Löw, a despeito das nojentas engolidas de meleca (os paulistas preferem catota), soube colocar seus jovens comandados para trabalhar sem grosserias, sem chicote na mão ou falsas lutas do tipo a-imprensa-está-contra-nós-e-vamos-provar-isso-para-todo-mundo. Bobagem. Ninguém provou nada – e nem ganhou nada.

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* Apesar da cara feia, o espanhol Vicente del Bosque está mais para um paizão à la Fiola no comando do Brasil do que para um técnico autoritário. Tem o carinho e o respeito de seus comandados. E, nas entrevistas coletivas, mostrou equilíbrio e educação enquanto seu time comemorava a vitória. E não a fúria tosca dos estraga prazeres.

* Por último, o técnico holandês Bert van Marwijk. Ele tem o equilíbrio e bom senso como as características mais elogiadas por seus comandados. O meia Sneijder destacou seu comportamento comparando-o ao de “idiotas como Dunga e Maradora” (são palavras do jogador holandês).

* Mestre Tostão lembra em sua coluna deste domingo (11) que, após a vitória sobre o Uruguai, na semifinal, os jogadores holandeses tiveram um dia de folga para passear e matar a saudade das esposas. E chegaram à final.

* Jogador de futebol não precisa ser tratado eternamente como alguém sempre disposto a passar dos limites. Ou a gente deve pensar que europeus conseguem isso porque são superiores e nós, brasileiros inferiores, jamais chegaremos a este ponto? Não. Jogadores sem responsabilidade não devem ser chamados, como em qualquer profissão. Ponto.

* Tomara que esses exemplos ajudem a melhorar o nível de gestão em nossos clubes e na Seleção Brasileira. Evolução. Progresso. Visão de século 21. Maturidade. Cartolas e técnicos preparados. Futebol é negócio sério e milionário. E não coisinha de gente conservadora e inculta com métodos e pensamentos do início do século passado.

* O futebol africano foi a grande decepção da Copa. Precisa se repensar. No geral, as seleções da África deixaram a desejar.

* A Costa do Marfim, considerada a melhor africana no início, mais bateu do que qualquer outra coisa. Ficou no meio do caminho de forma frustrante. E mesmo Gana, que foi até as quartas, mostrou um futebol bem menos inspirado do que o exibido em outros Mundiais.

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* Os africanos, na maior parte dos casos, adotaram a violência do futebol “pegado”. Não é isso. Organização é uma coisa. Exagero de pancada é outra. É assumir o lixo e o descartável da onda do futebol dito de marcação.

* A boa nova foi a recuperação do futebol sul-americano como escola. Quatro entre as oito seleções finalistas. Uruguai recuperando sua auto-estima depois de seis décadas longe do grupo dos vencedores. Paraguai dando esperança e alegria ao seu povo. Isso foi bonito.

* Tivemos, enfim, uma copa que começou modorrenta, ruim tecnicamente, com poucos gols e partidas melancólicas, mas foi melhorando no decorrer das rodadas. Não está entre as melhores, mas escapou com muita dignidade de merecer ser colocada entre as mais terríveis, com a de 1990 à frente.

* Paul, o polvo, é gênio. Acertou todas. Uma dica para os alemães: a melhor maneira de prepará-lo é à Espanhola, com muita páprica, batata e azeite. Fica uma delícia.

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* É isso. Esperemos, pois, 2014. Até lá. Melhor: até aqui.

Esporte? É no R7, claro. Confira.

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