25 Jul 06h00
Institutos erram feio. É o samba da pesquisa doida. Manipulação ou apenas incompetência? De qualquer forma, é triste, muito triste…
Cena um.
Resultado da pesquisa do Instituto Vox Populi/Band/Portal IG com 3 mil eleitores entre os dias 17 de 20 de julho: Dilma Rousseff (PT) com 41% das intenções de voto, José Serra (PSDB) com 33% e Marina Silva com 8%.
Uma liderança folgada (oito pontos) de uma candidatura (Dilma) que, a se julgar apenas pelos dados do Vox Populi/Band/IG, estaria em marcha firme rumo à vitória ainda no primeiro turno.
Isso porque, diz o Vox Populi, a diferença entre a candidatura líder e a soma de todos os outros oponentes seria de apenas um ponto percentual.
E, ao mesmo tempo, a líder estaria crescendo bem mais do que a soma dos oponentes nas pesquisas espontâneas de intenção de voto.
Cena dois.
Pesquisa feita pelo Instituto Datafolha com 10.905 eleitores entre os dias 20 e 23 de julho: José Serra (PSDB) com 37%, Dilma Rousseff (PT) com 36% e Marina Silva com 10%.
A se julgar apenas pelas informações fornecidas pelo Datafolha, há um empate técnico clássico e uma disputa acirradíssima entre as duas primeiras candidaturas (Serra e Dilma).
Com vantagem de um ponto percentual para um candidato (Serra) que, de acordo com o Vox Populi, está oito pontos atrás da candidatura líder (de Dilma).
Considerada a margem de erro do Vox Populi, de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos, a melhor situação pró-Serra seria uma diferença de 39,2% a 34,8% a favor de Dilma.
A pior, de 42,8% a 31,2%, ainda a favor da candidata petista.
Por outro lado, levando em conta as margens de erro do Datafolha, de dois pontos percentuais para mais ou para menos, a melhor situação para Serra, no limite do erro a seu favor, seria uma liderança de 39% a 34% .
Uma diferença de cinco pontos percentuais a favor de um candidato que, apenas três dias antes, de acordo com a concorrência, tinha oito contra.
A pior para a candidatura tucana seria uma vitória da candidata petista por 38% contra 35% de Serra.
Lideranças folgadas de um lado.
Disputas acirrada do outro.
Alternâncias de um lado.
Candidatos que jamais passam o concorrente do outro.
Nem é preciso ouvir os argumentos de um ou outro lado para constatar o óbvio: trata-se do samba da pesquisa doida.
Há algo de muito estranho no no reino dos institutos de pesquisa.
Acho que eles deveriam sair à campo, neste final de semana, não para aplicar questionários, mas para tentar explicar porque essas coisas ocorrem.
Alguém está errando muito feio nesta campanha.
Se é por manipulação ou por incompetência, é preciso explicar, sob pena de ter o que sobrou de credibilidade reduzido a pó.
Ibope e Sensus estão vindo por aí.
O samba da pesquisa doida continuará a repicar?
De qualquer forma, é triste, muito triste.













