11 Ago 06h00
Passione de verdade foram os Meninos do Mano. Mas a Globo achou melhor que você não visse. Pena… Opine
Fotos Jeff Zelevansky/Getty Images/AFP
Este texto tinha um título igual ao do escrito aqui ao lado pelo meu confrade Cosme Rímoli.
Mas vale a pena repetir.
Uma coincidência difícil de fugir.
Os privilegiados que acompanharam, por um único canal de tevê por assinatura, a alegre e instigante atuação da Seleção nos 2 a 0 sobre os Estados Unidos, às 21h desta terça-feira (10), se perguntam: por que a Globo, que tinha os direitos exclusivos, não transmitiu para todo o País esta partida tão cercada de novidades, de expectativas e tão bela no final?
Sim, porque foi a partida mais curiosa, interessante e prazerosa da Seleção nos últimos dois anos – e a empolgação dos comentaristas e profissionais do canal de tevê por assinatura traduziam exatamente isso.
Foi curiosa e interessante pela perspectiva da estreia de Mano e da renovação radical do grupo.
Foi prazerosa pelo futebol leve, gostoso, agradável e solar exibido pelos garotos da Seleção já nesta primeira partida.
A Globo não quis abrir um buraco em sua grade para transmitir a partida.
Na hora do jogo, exibiu sua novela das nove.
Um grande equívoco.
Como apenas 13 em cada cem lares brasileiros possuem tevê por assinatura, os outros 87% não assistiram ao vivo a bela atuação brasileira.
Pena.
A verdadeira passione da noite foram os meninos do Mano.
Os garotos jogando com alegria, em ritmo frenético, com muita movimentação.
Tudo isso num 4-3-3 muito dinâmico montado por Mano, com dois meias defensivos que sabem jogar e puxar o ataque com bons passes (Lucas e Ramires), um meia ofensivo de altíssimo talento (Ganso) e três atacantes rápidos (Neymar, Ganso e Robinho).
Ganso destruindo, dando elástico e passe de calcanhar.
Neymar, o melhor em campo, à vontade, como um veterano.
Robinho pela direita, Neymar majoritariamente pela esquerda e Pato centralizado.
O time com três atacantes que se deslocavam o tempo todo.
André Santos muito bem na lateral-esquerda, melhor do que os onze que passaram pela posição na Era Dunga.
Victor confiante no gol.
E uma surpreendente segurança na jovem e promissora dupla de zaga formada por Thiago Silva e David Luiz. Os dois estiveram ótimos.
Ganharam por dois gols, mas poderiam ter dado goleada.
Observações rápidas:
* Kaká, evidentemente, joga muito. Mas, recuperado, não terá sua entrada como algo automático depois deste belo começo dos meninos. Mano teria que voltar ao 4-4-2 para encaixá-lo. Ou então barrar Ganso, o que já é algo quase impossível. Claro que Kaká ainda pode ser muito útil. Mas vai ter que voltar a voar alto – porque a molecada está voando baixo.
* O mesmo ocorrerá com o goleiro Julio Cesar e o lateral Maicon, outros que ainda podem ser chamado no decorrer do trabalho de formação do grupo.
* Pato não comprometeu, mas também não convenceu como atacante referência, o tal matador, o homem centralizado que atua entre os zagueiros. Creio que Diego Tardelli também não é “o” cara, apesar de poder ser útil. É a posição em busca de uma promessa.
* Ramires e Lucas foram muito bem. Hernanes entrou no lugar de Ramires com um toque mais preciso, mas também mais lento. Precisa melhorar um pouco a agilidade.
* Perguntar não ofende: afinal, essa molecada (ou pelo menos Ganso e Neymar) já não estava batendo este bolão dois meses atrás?
Foi, enfim, um começo muito acima da expectativa.
Expectativa da imprensa, dos familiares dos jogadores, dos próprios jogadores e do próprio Mano Menezes.
E também dos privilegiados que puderam acompanhar a partida pelo cabo.
Será que a Globo vai deixar a turma fora dessa nos próximos jogos?
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