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Posts de 16/08/2010

16 Ago 18h19

Exclusivo. Hilton Marchioro, pai e acompanhante de Alessandra Marchioro nos Jogos da Juventude. “Ela disse: era melhor ter sido oitava do que quarta”

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alessandra wander roberto cob Exclusivo. Hilton Marchioro, pai e acompanhante de Alessandra Marchioro nos Jogos da Juventude. “Ela disse: era melhor ter sido oitava do que quarta” Wander Roberto/Divugação COB

O empresário paranaense Hilton Marchioro atendeu este blog, por telefone, às quatro da manhã de terça-feira (17).

Está em Cingapura acompanhando a filha, Alessandra Marchioro, 17 anos, uma das maiores revelações da natação brasileira, nos Jogos Olímpicos da Juventude 2010.

Cingapura fica do outro lado do planeta. É o menor país da região sudeste da Ásia.

Tem um fuso horário é de 11 horas à frente da hora oficial de Brasília.

Por isso, Marchioro atendeu o telefonema feito às 17h de segunda já na madrugada do dia seguinte, “de amanhã”, a terça-feira (17).

Na segunda-feira (16), Alessandra conquistou a quarta colocação na final dos 50 metros peito.

A nadadora largou muito bem. Liderou boa parte da prova mas perdeu a chance de ganhar uma medalha na braçada final.

Mesmo assim, é o melhor resultado brasileiro nestas Olimpíadas da Juventude até agora.

Às 19h28 da terça-feira (8h28 da manhã no horário de Brasília), ela disputará a final dos 100m livre.

Nesta entrevista, o empresário detalha a reação da filha com o quarto lugar.

E as expectativas para a final dos 100m livres, a prova mais clássica da natação.

O que a Alessandra disse para o sr. quando saiu da água?

Olhou para mim, pediu um abraço e disse: “pai, teria sido melhor a oitava colocação do que a quarta nessas circunstâncias. Dói muito”. Estava chateada, evidentemente. Não pelo resultado em si, muito honroso, sobretudo diante a nata do esporte no mundo, mas pelo que ela mostrou que poderia ter feito na prova...

Explique melhor.

Alessandra é recordista sul-americana desta prova. Aqui em Cingapura, até a semifinal, estava com o segundo melhor tempo da fase eliminatória. Na semi, caiu para quarto, mas diminuiu um pouco o ritmo para se poupar. Ela dizia ter gasolina para queimar e estava muito confiante em atingir o pódio. Sabia que poderia conquistar uma das três medalhas.

E o que aconteceu?

Na final, ela largou muito bem e liderou boa parte da prova. Aproximou-se da chegada com meio corpo de vantagem sobre a segunda colocada – muita coisa para uma prova de 50 metros. O problema é que ela errou uma braçada pouco antes de bater e perdeu parte do sincronismo. Isso, no bolo final, acabou custando o pódio. Acontece. Ela fez o tempo de 32s60, apenas 11 centésimos de segundo a menos do que a portuguesa que levou o bronze (Ana Rodrigues). Por isso que ela lamentou tanto.

Como foi o dia dela após a derrota?

Ficou triste na hora, mas não teve muito tempo para sofrer. Vinte minutos depois, estava na água para as eliminatórias da prova de revezamento. Ela também está muito concentrada para estes 100 metros livres...

Tem chances de medalha nos 100 livres?

A chance existe. Ela ficou com o quinto tempo geral na fase classificatória, mas a diferença não é grande. Nessas provas muito velozes, quando o atleta está bem e melhora seu tempo na fase eliminatória, tem chances de surpreender na final. Basta lembrar o caso do Cesar Cielo nas últimas Olimpíadas.

Alessandra tem patrocínio?

Financeiro e direto, ainda não. Recebe bolsa de estudo do colégio em que estuda, em Curitiba, e a Speedo fornece material de treino e de competição. Mas as coisas vão melhorar, estou certo disso. Os dirigentes e os veículos de comunicação estão dando apoio e visibilidade maiores.

Apresente sua família para o Brasil.

Somos quatro: eu, Mary, minha mulher, Susan, a filha mais velha, de 23 anos, e Alessandra, a caçula. Tenho uma empresa de informática em Curitiba. Mary é pedagoga, organiza cursos na área. Susan vai se formar em direito, é mais intelectual. E a Alessandra vocês estão conhecendo melhor agora...

Quais as chances de Alessandra para Londres 2012 e Brasil 2016?

Ainda há muita água para passar embaixo da ponte... Mas, com 23 anos, ela estará no auge no Brasil. Quem sabe ela não surpreende em Londres, com 19? Ela tem futuro. Mas só de estar aprendendo neste ambiente já me deixa satisfeito. É uma pilha danada. A gente, às vezes, nem dorme por causa da agitação...

É por isso que o sr. atendeu o telefone sem maiores problemas...

Pois é (risos)... O restante da família está aí no Brasil... até pensei que fosse a mãe dela... Agora vou tentar dormir.

Desculpe-me e boa noite.

Não se preocupe. Boa noite.

´

Acompanhe os Jogos Olímpicos da Juventude no R7.


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