19 Ago 17h43
Mano diz que Dunga não se preparou para ser técnico. Isso é verdade total? Opine
Mano Menezes declarou, na festa de lançamento dos vinhos de Galvão Bueno, que Dunga não se preparou para ser técnico.
A afirmação merece uma pequena análise.
Dentro de suas convicções sobre futebol, sob o ponto de vista excluvamente esportivo, Dunga foi um técnico mais do que aceitável nas convocações, treinamentos e jogos.
Seus números provam isso.
Convocou, treinou e jogou de acordo com a sua maneira de ver o futebol.
Ganhou muitas coisas.
Pedeu o mais importante, é verdade.
Mas tudo isso é, literalmente, do jogo.
Pode-se discutir convocações aqui, jogadores que deixaram de ser convocados acolá e tudo mais.
Mas, nestes pontos, ele teve o seu estilo, como teria qualquer outro técnico.
Dunga não se preparou, isso sim, para suportar e administrar as pressões e cobranças naturais dirigidas a um homem público que ocupa um cargo tão importante como o de técnico da Seleção Brasileira.
O problema está exatamente neste ponto: para ser técnico da Seleção, ou mesmo de um grande clube neste Brasil apaixonado pelo futebol, não basta fazer direito o ofício, ou seja, o trabalho esportivo de convocar, treinar, unir o grupo e jogar de acordo com suas convicções técnicas e táticas.
É preciso também ser treinado para assimilar qualidades de homem público, psicólogo, gestor e profissional de comunicação.
E isso é feito com racionalidade, equilíbrio e bom senso, e não com rolo compressor de emoções que ainda envolve a maioria das decisões importantes no mundo do futebol.
É preciso aprender a segurar o próprio ímpeto nos momentos de adversidade.
Diante de jornalistas ou diretamente com o público.
É preciso ter sensibilidade profissional para entender a hora de ceder e de contrariaras exigências das estruturas (veículos de comunicação, formadores de opinião, patrocinadores, CBF e por aí vai).
É preciso, enfim, ter a consciência plena de que técnico da Seleção precisa ser craque em tudo isso.
Ou então o técnico perna de pau em comunicação, por exemplo, derruba o técnico suposto craque à beira do gramado.
E leva muita coisa boa junto com ele.
Como muito bem aprendeu e declarou o próprio Mano, falar com repórteres e com veículos é falar com o próprio torcedor.
Os primeiros são os canais para conquistar os corações e as mentes do segundo.
Analisa Mano:
- Quando eu sou mal educado com um repórter, sou, em última instância, mal educado com o cidadão torcedor que está em casa.
É isso, Mano.
É isso, Dunga.
A melhor cobertura das Olimpíadas da Juventude Cingapura 2010 está aqui, no R7.













