26 Set 06h01
Drama do Fla não é a chance de entrar no Z-4. O pior é parecer não ter bola para sair
O Flamengo perde novamente.
Desta vez por 3 a 1, para o não menos irregular e errático Palmeiras de Felipão.
Perde novamente em casa.
Perde novamente com incrível facilidade.
Perde, entrega a invencibilidade de nove jogos no Engenhão desde a abertura do estádio (sete vitórias e dois empates).
Com um meio-campo que não cria patavinas e um ataque que se recusa a fazer gols, foi só encaixar uma marcação especial para travar o excelente lateral direito Léo Moura e o Flamengo derreteu de forma comovente.
Se o Avaí vencer o Ceará neste domingo (26), em casa, na Ressacada, algo absolutamente normal, o rubro-negro inicia a semana em 16º lugar, como o primeiro clube fora da lista da degola, apenas dois pontos na frente do Atlético-GO.
Em outros termos: o Fla volta a sentir o cheiro dominante e o gosto forte de um ambiente bastante conhecido pelo clube: a zona de rebaixamento.
Mas, por incrível que pareça, o pior, para o torcedor rubro-negro, nem é isso.
Não é entrar na Z-4.
Não é o que o time deixou de fazer de bom até agora.
O problema é estar na boca para entrar lá e aparentar não ter a menor condição, talento e força para sair.
Este limitado elenco do Fla não passa a mais remota sensação de que, uma vez com os pés atolados na areia movediça do Z-4, conseguirá lutar na baba canibal do rabo da tabela com forças para superá-la e permanecer na Primeirona.
As perspectivas são terríveis.
O que oferece o atual elenco do Flamengo?
Um bando de gente fora de forma e sem fôlego para correr (Maldonado, Renato Abreu, Juan, Deivid, David e Jean, só para citar os mais importantes).
Um Petkovic que, inegavelmente, sabe jogar. Mas, aos 38 anos, a cada jogo segura menos tempo em alta performance. Atualmente, joga como Petkovic de 20 a 25 minutos em média, talvez 30 nos bons dias. No restante, vira espectador. No banco ou no campo.
Um meio-campo de gente que, além de se arrastar, não cria nada, não resolve nada. Burocracia e mediocridade total.
Uma defesa de gente sem o melhor tempo de bola em função da falta de forma. Todos.
E um ataque feito por Diogo, um ciscador de luxo (que, diga-se, está correndo, se esforçando e nem pode ser responsabilizado), e Deivid, uma sobra do atacante ágil de anos atrás, uma referência pesadinha, sem ritmo e completamente inoperante.
Por tudo isso, o maior problema do Flamengo é dar a impressão quase total de que, se entrar no Z-4, ah, meu amigo, não conseguirá sair de lá.
Esse time do Flamengo – ou parte dele – até pode ser preparado para 2011.
O problema é que, antes, é preciso fazer um trabalho: fugir da Segundona.
Trabalho que poderia ser menos complicado, sobretudo para o atual campeão.
Mas que os erros do Flamengo tornaram difícil.
Torcedor rubro-negro, é bom se segurar: lá vem motivo para você voltar a dar cabeçada na parede.













