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Posts de 01/10/2010

1 Out 06h31

Zico deixa o Fla. É o início – espantosamente prematuro – do fim do sonho de Patrícia

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zico ricardo ramos agif gazeta press Zico deixa o Fla. É o início   espantosamente prematuro   do fim do sonho de Patrícia Ricardo Ramos - Agif - Gazeta Press

Esta sexta-feira (1º) ficará marcada na história do Flamengo como um dos dias mais tristes do clube.

O pedido de demissão de Arthur Antunes Coimbra, o Zico, maior ídolo da história do Flamengo, do cargo de diretor-executivo do clube de maior torcida do Brasil, anunciado no início desta madrugada, apenas quatro meses após ser contratado, caiu como um míssil atômico no meio esportivo.

Ele ainda está muito fresco. Detalhes precisam ser apurados, esclarecidos e debatidos.

Algumas coisas já podem, no entanto, ser ditas:

* Zico sai alegando pressões e desconfiança. Ora, com todo o respeito, ele não sabia que seria assim? Caramba: o que sempre foi o Flamengo nas internas senão fofoca, jogo baixo nos bastidores e briga dos grupelhos que sempre se digladiaram na luta por poder.

* Acompanho o Flamengo há pelo menos 35 anos. Sempre foi assim. O Flamengo pós-bons tempos de Márcio Braga sempre foi a cara do Brasil pré-Lula: arcaico, falido, fragmentado, dividido, mal-administrado, decadente, sem controle e boicotado por muita gente primitiva, amadora, cafona e incompetente que, milagrosamente, conseguia se encaixar em suas estruturas. Sobreviveu e sobrevive a tudo isso porque é uma marca poderosa, uma nação amada, uma potência feita pelos 36,5 milhões de torcedores que o amam no Brasil e no mundo.

* Se eu, que estou longe dali, sei de tudo isso, como Zico, o maior ídolo do clube, que passou toda uma vida por lá, não sabia. E, se sabia, por que cedeu tão fácil assim, com apenas quatro meses, ou 12 semanas, ou 120 dias no cargo?

* Não esperava o ataque furioso dos setores retrógrados que sempre parasitaram a vida do clube? Ah, Zicão, se havia uma coisa certa de acontecer contra você seria o boicote da turma do contra.

* Você, Zico, foi convocado durante anos pela torcida rubro-negra, pela ala lúcida da imprensa esportiva, por seus amigos de geração, pelos seus fãs e pela banda boa da administração do Flamengo para assumir a tarefa de tirar o clube mais amado do País da lama administrativa, moral e financeira. Não se preparou para resistir, com força, vontade e ajuda da presidente Patrícia Amorim e de seus verdadeiros auxiliares, ao bombardeio, às calúnias e ao jogo baixo da turma do boicote, do quanto pior melhor? Não? Olha, Zicão, então, com todo respeito, mas se você não se preparou para isso, não deveria nem ter assumido.

* Na carta de demissão, Zico diz que sai do Flamengo por não merecer a desconfiança e o bombardeio vindo do Conselho Fiscal do Clube, presidido por Leonardo Ribeiro, conhecido por Capitão Léo. Zico acusa Capitão Léo e sua turma de inventarem que os filhos do ex-craque teriam influenciado e até se beneficiado com decisões e contratações feitas pelo Galinho depois de ter assumido.

* Como a denúncia é muito grave, Zico deveria ter detalhado em sua carta quais foram, exatamente, as acusações, quem as fez, quais foram as contratações criticadas por Capitão Léo e sua turma.

* Já que está de saída, e justamente por estas acusações, deveria descrevê-las claramente, com muitos detalhes, e explicar, também claramente, com todos os detalhes, porque Léo e sua turma estão errados e porque as queixas não têm fundamento.

* Zico precisaria dar os detalhes que convenceriam e provariam que as decisões de contratação, de gastos, enfim, todas as ações ligadas às acusações foram limpas e tomadas exclusivamente por ele, sem interferências indevidas de seus filhos ou de quem quer que seja.

* Mas Zico não fez isso na carta. Limitou-se a comunicar que estava de saída, a dizer que é motivo de desconfiança do Conselho Fiscal (sem citar Capitão Léo), a afirmar que hoje o Flamengo não oferece condições para que ele faça o que sonha fazer (como só descobriu isso agora, apesar de toda sua experiência, conhecimento do clube e das informações privilegiadas da gestão Patrícia Amorim?) e a prometer processar todos os que fizeram acusações contra sua família.

* Uma pena. Se Zico está completamente certo, como eu e a maioria acreditamos, ele perdeu uma belíssima oportunidade de detalhar este caso, deixar tudo esclarecido, mostrar para todo mundo o ponto falso das acusações contra sua família e colocar a turma contra a parede de vez.

* Zico é Rei Arthur, como diz um amigo, ou Deus Zico, como diz outro. Mas nem por isso está dispensado ou pode se dispensar de apresentar provas ou mesmo argumentos a seu favor sempre que isso for possível, oportuno e esclarecedor.

* Esta história das acusações contra o filho de Zico precisa ser muito, mas muito bem contada. Justamente porque, em primeiro lugar, envolve Zico.

* Como dirigente, Zico cometeu, é verdade, alguns erros. Demorou a demitir Rogério Lourenço, poderia ter fechado com um técnico melhor, mais experiente e com mais peso do que Silas, demorou de novo para recompor o time com a saída dos craques hexacampeões brasileiros e, quando o fez, trouxe jogadores fora de forma, acima do peso e de medianos para baixo se comparados ao que o clube tinha antes dele.

* Mas erros deste tipo acontecem. São perdoáveis no início de um trabalho como o assumido por Zico em um clube-caldeirão como o Flamengo. Nem é o caso de questioná-los ou de cobrá-los aqui e agora. O problema é a parte política.

* De qualquer forma, é o momento mais triste da história recente do Flamengo, comparável, para a torcida do clube, ao dia em que o craque Zico foi vendido ao Udinese, da Itália.

* Com este elenco fraquinho para um time do porte do Fla, o 15º lugar, o cheiro de Z-4 cada vez mais forte, um técnico arranhado com o elenco e o clima de ressaca da saída do Galinho, em mais uma vitória colossal do retrocesso no clube, a tendência é a de que o time escorregue ladeira abaixo, no Brasileirão, até o pé da tabela. Do título ao Z-4 sem escalas. Só o Flamengo mesmo...

* E por último: presidente Patrícia Amorim, onde estavam a senhora, os cartolas e os dirigentes do bem de sua gestão que não criaram uma blindagem mínima para proteger a atuação de Zico dos ataques dessa turma, dos mesmos que minam o clube e inviabilizam qualquer novidade administrativa no clube há décadas?

* Se a senhora e seus auxiliares não conseguiram fazer isso, que era o mínimo para trazer e manter o homem-símbolo dos sonhos da senhora, da ala do bem da sua diretoria e da torcida do Flamengo, vão conseguir fazer o quê aí dentro?

* Vão conseguir vencer a força desses opositores e levar à frente qual projeto realmente importante e revolucionário para alterar os caminhos retrógrados seguidos até agora pelo Fla?

* Patrícia Amorim é uma rubro-negra apaixonada que trabalha com verdade e honestidade para o clube, não há dúvida a respeito disso.

* Mas, ainda assim, estou desconfiado de que o sonho de renovação representado pelo seu mandato começou a acabar nesta madrugada, com incrível precocidade, no momento em que Zico postou em sua página na internet a carta de demissão.

Uma pena.

Leia mais sobre a demissão de Zico e o futebol aqui, no R7.

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1 Out 06h00

Marina vence debate chato da Globo. E Serra agradece

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debate globo marcos de paula ae Marina vence debate chato da Globo. E Serra agradece Marcos de Paula - AE

Ricardo Noblat, jornalista consagrado, meu ex-colega de revista Istoé, hoje titular do Blog do Noblat, tascou em seu Twitter ao início do terceiro bloco do debate dos presidenciáveis realizado pela Rede Globo na noite de quinta-feira (30):

- Não sei vcs aí, mas se eu estivesse em casa estaria cochilando...

Eu estava em casa.

E confesso: àquela altura tinha dado duas boas pescadas de cochilo. Na segunda, fui logo acordado pela Isadora, minha filhinha de sete anos, com uma providencial sacudida acompanhada de um “papai, o debate!”.

Amados amigos, não é por nada não, mas êitia debatezinho chatinho, sô.

Confesso que não teria resistido ao chamado dos deuses do sono se não tivesse de tascar essas mal tecladas sobre o encontro para o nosso canto.

Foi o último, pode ter sido o mais visto, mas esteve longe de ser o melhor e o mais útil.

José Serra (PSDB) não venceu, mas levou a melhor porque pode ter ganho um presente indireto da adversária Marina Silva (PV).

Isso porque Marina teve o melhor desempenho do debate, o que pode retirar votos preciosos da líder disparada das pesquisas, Dilma Rousseff, e forçar um segundo turno.

Marina estava segura e informada sobre as questões formuladas por ela aos oponentes.

Fez o certo: foi para cima e buscou, com perguntas diretas, o debate com Dilma e Serra, de quem precisa tirar votos para sonhar em ir para o segundo turno. Ao contrário do tucano, que mais uma vez evitou bater de frente com a petista mesmo precisando correr parte da montanha de votos da candidata do governo.

Em vários momentos, Marina deixou Dilma incomodada e de queixo travado com suas perguntas e réplicas.

No final, foi aplaudida pela turma de Serra, num misto de reconhecimento de sua boa atuação e agradecimento pela perspectiva de ela ter tirado votos de Dilma e, quem sabe, ajudado a gerar um segundo turno entre a petista e o tucano.

Dilma estava mais calma do que no debate da Record.

Foi um pouco melhor e não comprometeu.

Mas também não teve um desempenho exatamente bom.

Preocupada em estancar a perda de votos entre os cristãos, sobretudo as mulheres, agradeceu a Deus mais de uma vez, entre elas na despedida.

Quando escolhia quem responderia sua pergunta, optava sempre por Plínio de Arruda Sampaio (PSOL). Apanhava dele, é verdade, mas fugia do bombardeio de Marina e de Serra, que realmente poderia tirar-lhe votos.

Com isso, o debate terminou sem que Dilma e Serra fizessem uma única pergunta um para o outro.

Dilma morde muito facilmente a isca dos provocadores. Se for eleita, deverá ter mais cuidado com isso. Como presidente, precisando dar resposta pública a todo momento, isso pode ser perigoso, fatal até.

Mesmo bem treinada por sua boa equipe, a petista terminou a campanha ainda abusando de termos, expressões e frases complicadas, empoladas e fechadas, numa espécie de militantês difícil de ser entendido pelo cidadão médio.

Ela usa expressões como “objeto de sustentação política” sem traduzir coisas do tipo para o português mais simples. Nas próximas campanhas, precisará melhorar este ponto.

Serra saiu como chegou. Nem brilhou, nem afundou.
O que, para ele, teria sido a morte e o enterro se Marina não tivesse mantido viva a chance, ainda que remota, de um segundo turno com seu desempenho.

O tucano limitou-se a usar a tática da réplica planejada.

Fazia uma pergunta a Plínio ou Marina sobre um tema, ouvia a resposta e, na réplica, baixava o guatambu em Dilma, em Lula e no governo federal, atribuindo ao trio a culpa por dados negativos em relação ao assunto em questão.

Até mesmo Plínio, que esteve solto e com timing e língua afiados nos debates anteriores, desta vez adotou um tom mais comportado, circunspecto.

Quis transformar o sucesso de suas participações anteriores em conquista. E saiu pedindo votos com um ar solene que tirou a maior parte da graça de vê-lo em ação.

Mesmo assim, se Dilma observasse como Plínio fala, talvez aprendesse detalhes preciosos.

O candidato do PSOL é o que se expressa com maior clareza.

Tem o “tempo de bola” mais eficiente.

É didático, sabe alterar o tom de voz e o ritmo da fala para destacar o que considera mais importante.

E percebe quando precisa “traduzir” palavras e termos complicados de política e gestão administrativa para a linguagem do cidadão médio.

Mas o tom de Plínio na noite desta quinta-feira (30), mais empolado do que o adotado em outros debates, prejudicou concretamente seu desempenho.

Resumo da opereta: triunfo leve de Marina Silva, a princípio vitória de Dilma no primeiro turno e uma remota possibilidade de segundo com a petista e o tucano.

Se o segundo turno rolar, que Serra agradeça e peça muita proteção para Marina.

No Jornal da Globo, após o debate, a apresentadora disse que o encontro favoreceu “as propostas e a troca de ideias”.

Uma maneira educada de dizer que foi... chatinho.

Acompanhe as eleições 2010 no R7. Estamos na reta final.

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