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8 Out 06h00

Como é o teste que Tiririca poderá fazer na Justiça

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O juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Aloísio Sérgio Rezende Silveira, acatou duas denúncias do promotor Maurício Ribeiro Lopes.

Numa delas, deu, na segunda-feira (4), um prazo de dez dias para que os advogados do deputado federal eleito Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca (PR-SP), defendam seu cliente da acusação de que ele é analfabeto.

Ou seja: de que não sabe ler e nem escrever, o que anularia os 1,35 milhão de votos recebidos por ele, sua vaga na Câmara dos Deputados e também a eleição de outros três deputados que ele ajudou a rebocar para Brasília pela lei do coeficiente eleitoral, entre eles o delegado linha-dura da Polícia Federal Protógenes Queiroz, do PC do B (leia mais sobre este caso da “carona” nos votos aqui).

Se os argumentos da defesa não convencerem o juiz Rezende Silveira, ele marcará um teste de leitura e escrita para saber se Tiririca, de fato, lê e escreve minimamente.

É a exigência da lei para deputados federais, que têm a função de criar, propor e analisar o conteúdo de leis que valerão para todos os cidadãos.

A Constituição, lei maior do País, é clara: analfabetos são inelegíveis.

A lei não exige que o candidato tenha estudado em escola.

Se ele é autodidata (aprendeu a ler e a escrever sozinho), ou se foi alfabetizado em casa pela mãe, o pai, o avô, a irmã ou qualquer outra pessoa, não importa.

Está valendo.

Basta escrever a declaração de que sabe ler e escrever na frente de um funcionário da Justiça Eleitoral, comprovando a situação como se fosse uma certidão, e tudo certo, tudo moralizado.

Se o juiz não se convencer com a explicação dos advogados, Tiririca será submetido, depois do próximo dia 14 de outubro, a um teste dividido em duas partes.

Em uma delas, ele terá que ler um texto simples, em voz alta, diante de representantes da Justiça Eleitoral.

Algo do tipo “ontem choveu bastante. A água levou a sujeira que estava nas ruas para bueiros, que ficaram entupidos, provocando enchente em vários pontos da cidade de São Paulo. As ruas e avenidas ficaram congestionadas...”.

Ou qualquer coisa do gênero, que pode ter ou não como tema a eleição.

Depois, o candidato eleito será submetido a um ditado. Anotará palavras, frases ou um texto, tudo igualmente elementar.

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Se ele for mesmo analfabeto, seus advogados precisarão ser convincentes para que o juiz desista deste exame.

Isso porque, embora o conteúdo do teste seja simples, é quase impossível, para um analfabeto, se preparar em tão pouco tempo para fazê-lo.

E como se tudo isso não bastasse, o juiz Rezende Silveira ainda acatou outra representação do promotor Ribeiro Lopes, esta criminal, para investigar a acusação de que a declaração entregue por Tiririca à Justiça Eleitoral seria falsa.

Tiririca não preencheu o documento na frente de um funcionário do Tribunal Eleitoral, como orienta a lei e faz a suprema maioria dos candidatos.

Chegou com ela pronta e entregou no balcão.

Há indícios de fraude grave no documento.

Perícia do Instituto de Criminalística mostra “artificialismo gráfico”.

Isso significa, dizem os peritos, que “o autor dos manuscritos examinados possui habilidade gráfica maior do que aquela que ele objetivou registrar ao longo do texto”.

Em palavras mais simples: de acordo com a perícia, quem escreveu a declaração apresentada por Tiririca possui treino e cultura para escrever bem melhor do que aquilo e teve de se esforçar para desenhar, de forma artificial, aqueles garranchos entregues pelo candidato ao TRE.

No processo criminal, o promotor pediu também a quebra dos sigilos fiscal e bancário do candidato eleito, que, em entrevista à revista Veja, disse ter transferido todo o seu patrimônio para terceiros.

Se a denúncia for aceita neste processo, Tiririca poderia pegar até cinco anos de prisão, entre outras coisas, por falsidade ideológica, falsificação de documento e criação de dificuldades para os trabalhos da Justiça e da Receita Federal.

Pessoas próximas ao humorista afirmam que ele de fato não sabe ler nem escrever.

Um redator que trabalhou por um bom tempo com ele na TV afirmou que a mulher do comediante lê todas as falas em voz alta para o marido, no camarim, antes das gravações dos programas.

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Isso explicaria o alto grau de improviso e os “cacos” utilizados por Tiririca em toda a sua carreira.

Uma vez esquecido um texto que não pode ser lido novamente, rapidamente e a toda hora, o melhor mesmo, quando se pode, é improvisar.

Tudo indica que Francisco Everardo Oliveira Silva precisará mesmo de sorte.

Mesmo porque, se todas essas acusações forem levadas à frente pelo juiz, não bastará apenas saber ler e escrever...

Acompanhe as Eleições 2010 no R7.

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