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30/03/2012 às 02:28:50
Eita .... viu somente 6 gols de Pelé ????
Só assistir Pelé Eterno ... tem mais de 400 gols lá ...
Não faltam jogadas não . Tem um negócio chamado Youtube que tem centenas de jogadas de Pelé ...
Quanto a cabeçadas ... Pelé também não era centroavante de origem ... Os centroavanted de origem de Pelé npo Santos foram Pagão, Coutinho, Toninho Guerreiro ....
Messi em 8 anos fez 10 gols de cabeça, 6 gols de falta ....
Marcos Assunção fez isso em gols de falta só esse ano que está começando ...
E desde quando "conduzir bola" e " habilidade " é parametro ??? Denilson também tinha uma "habilidade " incrivel ....
E a palavra "habilidade" serve prá um monte de coisas, né ???
Habilidade em defender, em chutar , em fazer embaixadas, em costurar , em desenhar .... em fazer gols ....
Ronaldinho Gaucho era outro " melhor que Pelé " um tempo atras ... abafaram o caso ... -
25/03/2012 às 10:50:53
Apesar de não ser muito fã de argentinos, tenho que admitir que MESSI é melhor que PELÉ apenas por um motivo: MESSI joga mais bola que PELÉ!
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21/03/2012 às 22:08:46
Assisti ao jogo televisionado entre Brasil e Itália na copa do México, em 1970, e não vi nada de mais em Pelé. Depois disso, ele atuou por mais 7 anos e nada de jogadas espetaculares. Pode ter sido o maior artilheiro do século, mas jogador, na minha opinião, está muito aquém. Duvido que Pelé tinha a habilidade de Messi, nem conduzia a bola como ele. E os gols por sobre os goleiros. Quanta tranquilidade. Talvez faltem jogadas ou gols gravados de Pelé, até porque a televisão no Brasil teve início em 1950! Até hoje, conheço apenas os mesmos seis gols de Pelé que sempre passam na tv. Para quem fez mais de 1000! Vamos parar de saudosismo. O melhor de todos os tempos é Messi. E nem adianta falar que Pelé era bom de cabeça e Messi não, pois Messi não é centroavante de origem. E mais, apelar para gols de cabeça não dá! Pelé é mais um.
5 Out 06h00
Para eleitor, um Clô vale 147 Ésperes e quase 20 Timóteos
Foto: Divulgação
Dois candidatos a deputado federal por São Paulo tentaram explicitamente herdar pelo menos uma parte do contêiner eleitoral do estilista e apresentador de tevê Clodovil Hernandez, eleito para o Congresso em 2006 com nada menos do que 493.951 votos: o cantor Agnaldo Timóteo e o estilista de vestido de noiva Ronaldo Ésper.
Clodovil morreu em 17 de março de 2009, em Brasília, em consequência de um acidente vascular cerebral, conhecido como derrame cerebral.
Timóteo, do Partido da República, o PR, pedia no horário eleitoral "ajuda para terminar o trabalho do meu amigo Clodovil".
Ésper, filiado ao Partido Trabalhista Cristão, o PTC, o mesmo de Clodovil, de quem era desafeto, disse em entrevista a Marina Novaes, do R7, que "queria sim, o votos" do recordista que, na opinião dele, "não tinha timing político porque não era muito tolerante, não tolerava nem a própria sombra".
Pois bem: o castigo para a alfinetada post mortem veio dentro de um vaso afanado de cemitério, estilo Medici, com a grife CH.
Nesta eleição, Timóteo teve 25.172 votos.
Ésper, a mais estupenda decepção desta eleição, da qual esperava sair como puxador, com pelo menos 150 mil votos, chegou à mixaria, à merrequinha de 3.354.
Resumo do alinhavo: para o eleitor paulistano, um Clô vale 19,62 Timóteos e 147,27 Ésperes.
Terá sido uma coisa cármica, meu amor?
5 Out 06h00
Luxa e Fla: um salva outro ou os dois afundam abraçados
Enquanto escrevo este texto, o técnico Vanderlei Luxemburgo deixa a Gávea e volta para casa, no Rio de Janeiro.
Leva no bolso do paletó a proposta para ser técnico e também uma espécie de manager, o gerente organizador do futebol do Flamengo neste resto de temporada, com a função de gerir o departamento de futebol opinando ativamente nas contratações do clube.
Sob o ponto de vista do esporte e do momento de cada um, poucos casamentos na história do futebol brasileiro foram tão convenientes e oportunos quanto este.
De um lado do altar, o Flamengo, numa draga de dar dó, tentando sobreviver ao abandono, em momento e de maneira errada (com um torpedo de celular para a presidente Patrícia Amorim, que sempre o tratou como ídolo sagrado e não teve seu torpedo de resposta comentado, Galo?), do comandante Zico.
E sobrevivendo também aos quatro meses de gestão mediana, pouco ambiciosa em relação ao time atual e de escolhas péssimas e caras do Galinho para o elenco em seus quatro meses de diretor-superintendente de futebol.
E ainda à desorganização, à briga política interna que o consome o clube de dentro para fora e à força absurda de dirigentes amadores como Capitão Léo.
E aos estrambóticos e inaceitáveis modelos político, estatutário e regimental do clube, todos carentes de reformas urgentes, que colocam o presidente e seus dirigentes escolhidos, na prática, como subordinados desses dirigentes amadores e até mesmo dos grupos de oposição na maioria das decisões, processos e escolhas que podem efetivamente melhorar o clube.
E por último, e como consequência de tudo isso, tenta sobreviver a uma campanha medíocre, em que o time mergulha de ponta, com força e vontade, rumo à zona de rebaixamento, ao Z-4.
O Flamengo erra tanto, mas tanto, dentro e fora de campo, em todos os seus escalões, que parece lutar milimetricamente, no capricho, para atingir esse objetivo.
Uma meta vergonhosa, que, atingida, certamente dará muito combustível para gargalhada dos adversários: ser provavelmente o primeiro clube rebaixado da Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro no ano seguinte ao que foi campeão.
Do outro lado do altar, o carioca Vanderlei Luxemburgo da Silva.
Cinco vezes campeão brasileiro da Série A, uma da Série B, oito vezes paulista, duas vezes mineiro, uma vez carioca, uma vez capixaba, uma vez campão da Copa do Brasil, uma do Rio-São Paulo, recordista de pontos no Brasileirão e um dos campeões de títulos nacionais.
Ex-atleta do mais célebre grupo da história do rubro-negro, o de Zico, Júnior, Leandro & Cia, e torcedor apaixonado e assumido do clube.
Um técnico muito capaz, com rara visão de jogo, provavelmente o melhor do País nas tarefas de alterar e arrumar uma equipe durante o jogo.
Mas também um técnico que, apesar de tudo isso, não realiza há muito tempo um trabalho digno de seu currículo exemplar.
E que, em função disso, foi taxado de decadente por muitos dias atrás, ao deixar o Atlético-MG após péssima campanha no Brasileirão.
Não acredito em decadência para um técnico desta qualidade aos 58 anos.
Vanderlei conhece futebol.
Não desaprendeu.
As circunstâncias podem tê-lo colocado em situações complicadas e as conquistas não vieram.
Mas, com sua capacidade técnica, é certo que elas voltarão a surgir.
Pedro Vilela-Agif-Gazeta Press
Mesmo porque o Brasil tem o futebol mais competitivo do mundo, o que inclui outros técnicos e clubes igualmente competentes, que também sabem e precisam ganhar.
Agora, é inegável que Flamengo e Vanderlei, os dois noivos, precisam dar com urgência, neste exato momento, uma nova prova de que ainda conhecem do riscado.
Uma prova de que ainda merecem o respeito e a tradição sempre ligados aos seus nomes.
Na metáfora deste casamento, duas pessoas abaladas por dentro e por fora se unem para uma ajuda mútua.
Se tiverem força e não sucumbirem ao mais fácil e errado, têm chances concretas de se salvarem.
Mas se não tiverem tenacidade, honra e caráter, certamente morrerão juntas e abraçadas.
Ainda mais rápido do que se estivessem separadas.
Vanderlei e Flamengo estão assim.
Os dois possuem inquestionáveis qualidades e estrondosos defeitos.
Tomaram que somem as primeiras e neutralizem os segundos.
Não convém perder esta oportunidade.
Nestes termos e circunstâncias, mas também com esta grandeza, poderá ser a última.
4 Out 18h52
Passo a passo, o momento em que o campeão Tiririca votou
Amados amigos da blogosfera colorida,
Acompanhei, na manhã de domingo (3), a votação do candidato Tiririca, o campeão de votos para deputado federal nesta eleição, em todo o País, com mais de 1,3 milhão de seguidores.
Embolei-me entre a jornalistada, tomei muita cotovelada e pontapé mas valeu a pena.
Ajudei também Eliane Costa e o câmera Felipe Costa, meus competentes colegas de R7, a fazer o vídeo que está no final da reportagem.
Quem ainda não viu, que nos dê a honra e aproveite. Um abraço.
Foto: Eduardo Marini
Tiririca vota e, humilde, diz:
“Nem sei se eu vou ser eleito”
Palhaço fica pouco tempo na seção eleitoral
e brinca com boato de que teria morrido
Eduardo Marini, do R7
Rua Apeninos, Bairro da Aclimação, zona sul de São Paulo, 9h10 da manhã chuvosa deste domingo (3).
Jornalistas trocam cotoveladas e palavrões enquanto cercam o candidato-celebridade que acaba de votar na 172ª seção da sexta zona eleitoral paulista, numa das salas de uma faculdade.
Em meio à manada revolta, o repórter do R7 pergunta aos berros, como era possível, ao candidato:
- O senhor votou em quem para deputado federal?
O cearense de Itapipoca Francisco Everardo da Silva, o palhaço Tiririca, 45 anos, o auto-proclamado abestado, responsável intelectual por criações estéticas da estirpe de Florentina e de Eu Sou Chifrudo, olha para trás, diminui um pouco o ritmo da caminhada e pensa.
Dois segundos.
Pensa.
Um sorriso desamparado.
Três segundos.
E, enfim, a resposta:
- É, né? Federal, né? Cês num são fácil não...
Francisco Everardo da Silva, o palhaço Tiririca, o abestado, é candidato a deputado federal em São Paulo pelo PR (Partido da República).
De acordo com os institutos de pesquisa, deverá bater todos os recordes em números absolutos de votos deste tipo de eleição proporcional no País.
Os mais otimistas – de sua equipe e do PR, que espera eleger outros com o desempenho do candidato – falam num contêiner lotado com algo entre 900 mil e 1,1 milhão de votos.
Tiririca chegou para votar pouco antes das nove da manhã.
Desembarcou de um Toyota Corolla Preto na companhia da assessora de imprensa, do filho Everson Tirulipa e de Nana Magalhães, sua mulher há 13 anos, uma morena que ao lado dele tem a beleza efetiva amplificada algumas vezes pela verdade sempre cruel dos distanciamentos estéticos radicais.
Tiririca não estava de Tiririca.
Foi de Francisco Everardo mesmo: camisa pólo azul e calça jeans.
Sem peruca tosca, sem chapéu de palha torto, sem calças a desafiar curvas que a rigor jamais podem ser desafiadas e sem aquelas camisas de estampas indescritíveis.
Visivelmente espantado com a confusão, sempre cercado pela manada revolta de cinegrafistas, repórteres e fotógrafos, Tiririca entrou na faculdade, caminhou até a sala de sua seção, votou, saiu e foi para a porta do carro com rapidez.
Tudo em apenas 12 minutos.
Depois de ter caído em algumas ciladas da imprensa nos últimos dias, entre elas uma que questionou sua capacidade de ler e de escrever, limitação que pela lei impede as pessoas de serem candidatas, Tiririca passava a sensação de que não estaria ali nem por um decreto se fosse possível a um concorrente não votar e, mesmo assim, não se queimar.
Parecia estar ali exclusivamente porque não votar, para um candidato, pega mal.
Uma sensação absolutamente compartilhada por familiares e assessores.
Enquanto caminhava de volta, limitou-se a responder às perguntas com monossílabos e lugares comuns como “vamos esperar a apuração” e “minha intenção é fazer o máximo para os pobres”.
Na porta do carro, a reportagem do R7 quis saber qual foi sua reação ao saber do boato, espalhado pela internet neste sábado (2), de que teria morrido.
- Pois é rapaz: tomei o maior susto quando soube que morriiiiiiii – assim mesmo, num grito, puxando o í nos agudos que costuma dar.
A jornalistada parou de se acotovelar por alguns instantes para rir da piada do abestado.
Perguntado se ainda iria correr outras seções com figurões de seu partido, para dar aquela forcinha, saiu-se com essa:
- Mas rapaz, eu nem sei se eu vou me eleger! Como é que posso ajudar os outros, essa turma, toda essa gente que vocês estão falando, menino?
A manada foi obrigada a parar novamente de se acotovelar para rir de outra piada do abestado.
Esta, a melhor do dia.
Ainda tem muito de eleiçao pela frente. Acompanhe a melhor cobertura no R7.
4 Out 18h01
Eleitor dá vuvuzelada na candidata-vuvuzela. Ótimo
Uma certa Dirlene Rodrigues, candidata a deputada estadual no Paraná pelo PPS (Partido Popular Socialista), passou a campanha inteira tocando uma infernal de uma vuvuzela na cabeça do pobre coitado do eleitor paranaense.
Dizia ela que a fanfarra era contra a corrupção, os políticos corruptos e o comportamento ético condenável.
Comportamento condenável, com todo respeito, é entrar na sala e na casa de milhões de pessoas desconhecidas, por meio da tevê, tocando essa porcaria.
Pois essa cidadã levou o troco: apenas 663 surdos foram capazes de teclar seu número nas urnas e apertar a tecla Confirma.
Ela ficou em 25º lugar em seu partido.
Com uma quantidade de votos 56,24 vezes menor do que os 37.291 votos conseguidos por Douglas Fabrício, terceiro colocado para estadual no PPS paranaense e último do do partido a conquistar uma vaga na assembleia legislativa do estado.
Bem feito.
Que curta a ressaca em silêncio e, na próxima, decida fazer campanha sem ofender os ouvidos e a inteligência do eleitor.
3 Out 12h49
A tensão dos candidatos vips no final de semana da eleição
Fiz esta reportagem no sábado (2) para o portal R7.
Quem leu gostou e se divertiu bastante com o lado humano dessas pessoas públicas.
Os amados amigos da blogosfera colorida que ainda não leram podem me dar, agora, a honra.
Aqui está ela. Abraço.
Celebridades candidatas vivem expectativa horas antes da eleição
Elas contam como estão enfrentando a tensão e o frio na barriga neste fim de semana em que podem se tornar parlamentares
Eduardo Marini, do R7
Reginaldo Rossi (foto acima), o Rei do Brega, Reiginaldo para os fãs, o autor de algumas das mais perfeitas peças do cancioneiro popular nativo, entre elas a antológica Garçom, interrompe a soneca na varanda de seu apartamento de frente para o mar da pernambucana Jaboatão dos Guararapes, região metropolitana do Recife, para atender a reportagem do R7.
Gentil e sincero como sempre, abre o jogo.
- Bicho, bicho, vou te confessar uma coisa: tô com medo. Mas é aquele medo que assusta e ao mesmo tempo empurra para frente.
De uma hora para a outra você tem uma caneta na mão, podendo fazer leis para mudar a vida das pessoas. Isso é muito poder.
Esses doidões aí que são candidatos a qualquer custo deveriam pensar nisso...
Mas você, Reiginaldo, tem medo do quê mesmo, bicho?
- Olhe, eu não temo perder o senso ético nem virar corrupto. Isso nunca. Não aceitaria bola ou corrupção. O que me assusta é a possibilidade de me enrolarem naquele jogo malicioso que rola nas assembleias. De repente, eu, marreco novo, sem entender direito o regimento e as regras da coisa, colaborar para projetos e interesses que não são os melhores. Esse é meu único - e grande - medo, entende, bicho?
Claro, bicho.
O R7 perguntou para personalidades candidatas a algum cargo na eleição deste domingo (3) como elas se sentem e se comportam nestes últimos momentos de campanha.
O que elas fazem e como aliviam a pressão nessas horas decisivas e tensas que antecedem a votação que poderá transformá-las em representantes dos interesses de um povo?
Reiginaldo, candidato a deputado estadual pelo PDT (Partido Democrático Trabalhista) em Pernambuco, é dos mais calmos.
O ronco forte na soneca, testemunhado pelo amigo que atendeu o telefone, comprova seu estado de espírito.
- Olhe, bicho, sinceramente: não deixo de dormir por essas coisas não. Depois de tanto movimento de campanha, chegou a hora de descansar, de voltar à rotina. Neste sábado eu vou comer uma calabresa com arroz e feijão aqui em casa mesmo, com a Celeide, minha mulher. No domingão, vou votar antes do almoço, comer um caranguejo e depois tirar um ronco. Se tudo der certo e Deus me permitir ser eleito, talvez eu tome umas quatro ou cinco doses de uísque com alguns amigos próximos para comemorar. Nem o Rei do Brega é de ferro...
Ex-professor particular de matemática e de física para alunos do primeiro grau, ensino fundamental completo, Reiginaldo, o criador de O Pão e de A Raposa e as Uvas, deseja trabalhar para a melhoria da educação pública em seu Estado caso seja eleito.
- O PDT tem uma tradição de ser o partido da educação. E isso é o que eu quero. Vou legislar para criar projetos de educação com arte e esporte nas escolas públicas pernambucanas. Nós temos uma molecada muito criativa e carente. E eu acho que essa turma só se livra dessas tentações marginais todas com esse trio: educação, esporte e arte.
O intérprete impagável das não menos impagáveis Tô Doidão e Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme faz de oito a dez shows por mês (“o Chitãozinho, o Zezé e esses amigos deles falam em 20, 30 shows mensais, mas isso é meio cascata, meio marketing”).
Acha que, na Assembleia Legislativa, poderá segurar oito mensais, “dois por semana”.
Reiginaldo começou a campanha, olhem só, mandando uma carta para avisar (“mandou uma carta pra me avisar/deixou em pedaços o meu coraçãão”) boa parte do eleitorado que era candidato a deputado estadual.
E que desta vez, ao contrário das ocasiões em que tentou ser vereador, iria fazer uma campanha mais séria e com reais intenções de resultar em uma vaga.
Mas o que apontam, afinal, os cálculos de sua equipe? Eleição?
- Olha bicho, é o seguinte: apesar do trabalho muito dedicado e profissional da equipe, nós não tivemos os recursos necessários para divulgar a candidatura para o mínimo de pessoas que pretendíamos. Se isso tivesse sido possível, posso te afirmar que poderia ter 300 mil votos. Como não foi, não consigo antecipar com precisão. O partido calcula que posso ser eleito com 30 mil. Se forem 150 mil, ficarei feliz. Se forem 50 mil, também. Se forem 30 mil, também. Se for menos e não der, também. Vou agradecer a Deus e continuar na luta do mesmo jeito.
Nada como a experiência. Na ala mais jovem, pop e funkeira do partido das celê reina a ansiedade movida e regada a muito barulho.
A dançarina e (vá lá...) cantora Suellen Aline Mendes Silva, a Mulher Pera, massa compacta e curvilínea de 23 anos, candidata a deputada federal no Estado de São Paulo pelo nanoscópico PTN (Partido Trabalhista Nacional), é a própria ansiedade com dois braços, duas pernas e uma cabeleira de responsa domada a chapinha.
Na noite de sexta-feira (1º), Suellen Pera se preparava para levantar, tremer e balangar o popozinho em um baile funk em Santo Amaro, região radical sul da cidade de São Paulo considerada “a maior cidade nordestina do Brasil”, com cerca de quatro milhões de habitantes vindos do Nordeste.
Minutos antes de sair de casa, ela aperta o laço cruzado do espartilho verde cítrico, espreme um pouco mais a cintura já sem qualquer liberdade e solta o ar dos pulmões para dar mais força à voz fina de talkie de boneca.
- Ai, querido, não vejo a hora de chegar logo esse domingo da eleição. É tanta responsabilidade, tanta... Eu dancei desde menina, mas essa coisa de política é diferente...
Suellen Pera é uma moça simpática e de atitudes educadas.
Uma vitória para uma menina pobre, nascida em um bairro pobre de Guaratinguetá, no vale paulista do rio Paraíba, que, assim como a mãe, levou muita pancada do pai manguaceiro até o elemento tomar outro rumo na vida.
Criada pelos avós maternos, só completou o ensino fundamental (“não era só ler e escrever como a Justiça Eleitoral colocou no meu registro. Eu sei mais um pouco do que isso”, defende-se”).
Começou a trabalhar ainda adolescente, “dimenor”. Foi babá, empregada, atendente. E um pouco mais tarde, em São Paulo, dançarina de forró e axé em “bicos” em programas de TV.
Nessas idas e vindas conheceu o companheiro com quem vive até hoje. Quando o partido a convidou a ser candidata, partiu dele o maior incentivo para que ela aceitasse o desafio.
Criadas por ela ou não, Suellen Pera tem propostas curiosas.
Como apanhou muito do pai e, sobretudo, o viu agredir sua mãe, ela deseja, por exemplo, esquentar ainda mais a chapa da Lei da Maria da Penha, que pune essa covardália que bate em mulher.
- Quero alterar essa lei para que o cabra fique preso direto, sem fiança ou habeas corpus, se for provado, por exame de corpo delito ou qualquer outra coisa, que ele correu mão na mulher dele. Acho o cara bater, pagar e sair muito leve.
Quer também baixar de 18 para 16 anos a idade mínima para o jovem tirar carteira de motorista e frequentar motel.
- Se eles votam com 16 anos, porque também não podem conduzir um carro e namorar em paz?
Com essas cartas na manga, Suellen Pera acredita que terá apoio dos jovens.
E não é modesta quando é incentivada a chutar quantos votos terá.
- Uns 200 mil. Ou maaaiisss (diz prolongando o aaaa...).
E, em seguida, pergunta ao repórter:
- Fala sério: você não achou minhas propostas legais?
O repórter responde que, sinceramente, achou. Sobretudo a relacionada à Maria da Penha.
Mas legislar não é fácil. Ainda mais no Congresso Nacional...
- Mas olhe: eu tenho uma equipe boa, que vai me ajudar muito. Se eu for eleita, vou largar a fruta de lado por um tempo e estudar muito, começando por esses meses antes da posse, para não fazer feio.
Largar a fruta?
- É, a Pera.
Ah, bom.
No Rio de Janeiro a candidata a deputada estadual pelo PSH (Partido Humanista da Solidariedade) Renata Frisson, a Mulher Melão, apelido inspirado numa abundância muito mais hiper-dimensionada do que propriamente doce, não garante que irá largar a fruta.
Em seu último dia de campanha, fez corpo-a-corpo (até aonde essa expressão pode sugerir um ato político, claro) em Mesquita e em Nova Iguaçu, duas cidades da Baixada Fluminense com população majoritariamente de baixa renda.
Renata Melão acordou cedo para percorrer ruas e conquistar eleitores indecisos.
Optou por visitar comunidades carentes.
Diz pretender criar projetos relacionados a saneamento básico, saúde e educação. E, sobretudo, para tirar crianças do tráfico de drogas.
Ao que parece, o discurso empolado do campanhês, essas coisas bonitas para essas ocasiões nobres, foi bem afiadinho:
- Eu não aguentava mais chegar ver aquelas crianças de dez anos usando drogas, envolvidas com o crime organizado, andando armadas, viciadas em crack. Tem que dar um basta nisso ou seremos reféns da nossa própria sociedade.
Outro com o discurso bem alinhavado é o estilista Ronaldo Ésper, 66 anos, paulista de Jacareí, estilista, R$ 347,5 mil de patrimônio declarado à Justiça Eleitoral, ensino médio completo, candidato a deputado federal pelo PTC (Partido Trabalhista Cristão).
Em boa entrevista feita pela repórter do R7 Marina Novaes, Esper disse querer os votos das senhorinhas que são donas de casa. É uma clara cantada de quem espera herdar ao menos parte dos votos do também estilista Clodovil Hernandes, um dos recordistas de votos da última eleição, morto em março de 2009.
Disse também ter propostas de projetos para reduzir o máximo da participação parlamentar a dois mandatos, beneficiar empregadas domésticas e incentivar a moda brasileira no mundo.
Ésper disse que não irá acompanhar a apuração.
- Vou votar tarde para não pegar fila. No restante do tempo, ficarei trancado em casa. Ouvindo Beethoven e lendo a biografia do escravo Antínuo, um dos amantes do imperador romano Adriano (76-138).
Faz sentido, Ésper, faz sentido.
Em janeiro de 2007, Ronaldo Ésper foi detido em flagrante no Cemitério do Araçá, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, acusado de tentar roubar um par de vasos do lugar.
No horário eleitoral gratuito, ele chegou a ironizar o episódio quebrando um vaso.
O que ele faria se alguém tentasse, por exemplo, dar-lhe uma peça dessas de presente quando fosse votar?
- Depende. Se fosse um daqueles vagabundos e horrorosos eu quebraria na hora. Mas se for um bonito, tipo Medici, eu levaria correndo para a minha coleção.
Faz sentido, Ésper, faz sentido.
Colaborou Evelyn Moraes, do R7, no Rio de Janeiro.
3 Out 07h24
Entrevista: histórias curiosas sobre a Lei Ficha Limpa
Divulgação - www.marlonreis.net
Neste domingão cívico de votação, o blog faz uma homenagem à novidade mais relevante desta campanha eleitoral insossa: a Lei Complementar 135/2010, conhecida como Lei Ficha Limpa.
Proposta por iniciativa popular, com exatas 1.581.799 assinaturas, além do aval de outros 2,5 milhões de pessoas pela internet, no período em que foi discutida no Congresso, a Lei Ficha Limpa foi sancionada na íntegra pelo presidente Lula e publicada no Diário Oficial no último dia 7 de junho.
O texto da minuta original foi escrito por juristas do Estado do Rio de Janeiro.
Depois, em reuniões entre dezembro de 2007 e abril de 2008, em Brasília, este texto inicial foi aprimorado por representantes de organizações sociais, entre elas a Abramppe (Associação Brasileira dos Magistrados, Procuradores e Promotores Eleitorais), a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), além de entidades religiosas.
Essas organizações fazem parte do MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral), que tem na internet a página www.mcce.org.br.
O texto final recebeu ainda a colaboração preciosa de advogados, estudiosos e juristas como Aristides Junqueira, Carlos Alves, Gilberto Souza, Daniel Seidel, Fernando Neves e Edson de Resende Castro.
Em abril de 2008, o projeto de lei ficou pronto e foi apresentado à sociedade para a coleta de assinaturas.
Seria, portanto, um exagero dizer que a Lei Ficha Limpa tem um pai.
Mas boa parte do “piano” intelectual, técnico, burocrático e logístico dessa campanha foi carregado pelo juiz e professor Márlon Reis, atualmente em atividade no Maranhão.
Presidente da Abramppe, Reis ajudou a organizar as reuniões em Brasília que transformaram a minuta escrita pelos magistrados fluminenses no texto aprovado pelo Congresso e sancionado pela presidência da República.
Nesta conversa, Reis conta detalhes e histórias interessantes do belo processo cívico que transformou a Lei Ficha Limpa em realidade.
R7 - Como surgiu a ideia do Projeto Ficha Limpa?
Márlon Reis – A sociedade tinha conquistado, a duras penas, a Lei 9840, de 28 de setembro de 1999, para punir candidatos que compravam votos. Essa lei pegou mais de 600 candidatos entre 1999 e 2008. Mas as organizações sociais achavam pouco. Queriam uma legislação mais abrangente, que contemplasse outros crimes eleitorais.
R7 – Qual foi o primeiro passo?
Reis - Em 2007, juristas do Estado do Rio de Janeiro interessados na causa elaboraram a minuta inicial do que seria o Projeto Ficha Limpa. Em reuniões em Brasília, a Abramppe, a OAB, a Fenaj, instituições religiosas e outras entidades aprimoraram e reforçaram o texto até ele se transformar na proposta lida e assinada por quase 1,6 milhão de pessoas e avalizada por outras 2,5 milhões na internet.
R7 – Conte algumas histórias curiosas que ocorreram na campanha?
Reis – A primeira reunião foi feita em Brasília no dia 10 de dezembro de 2007. Em abril, o projeto estava pronto para colher assinatura. Nós achávamos, por exemplo, que tornar inelegível a pessoa que tivesse sido condenada apenas em primeira instância, no primeiro julgamento, por um único juiz, seria exagero, uma verdadeira caça às bruxas. Pensávamos que a condenação por um grupo colegiado de juízes seria o razoável. Mas deixamos a proposta de condenação em primeira instância no texto porque sabíamos que o Congresso iria aliviar para o colegiado. Se a primeira proposta fosse colegiado, eles levariam para algo ainda mais confortável. Dito e feito: colocamos a primeira instância e a lei final, aprovada, ficou no colegiado, como queríamos.
R7 – É verdade que extensão da condenação para os políticos que renunciam antes de perder o mandato foi colocada no texto sob encomenda para o ex-senador e governador do Distrito Federal Joaquim Roriz?
Reis – Não. Aliás, esse ponto surgiu de uma maneira curiosa. Em uma das últimas reuniões, com o projeto estava praticamente pronto, nos retoques, alguém, não me lembro quem, já cansado, como todos, pensou alto assim: “mas e os que renunciam para fugir da degola? Ficarão livres? O Ficha Limpa não traz nada para eles...” Um olhou para o outro com aquela expressão de “bingo!”. A turma até perdeu o sono naquela madrugada. E aí começamos a tratar do artigo. Foi assim.
R7 – O sr. lembra de algum problema durante a coleta de assinaturas?
Reis – Olha, foram momentos bonitos, de grande gratificação cívica. Mas, evidentemente, nem tudo foram flores. Pessoas de comunidades da Baixada Fluminense e de morros do Rio de Janeiro desistiram de assinar por causa da quantidade de documentos, endereço, telefone, dados e referências exigidas. Tinham medo de serem identificadas pelos traficantes e chefes da área que apoiam e recebem apoio de candidatos fichas sujas. Depois disso, recebi reclamações de que isso acontecia também em várias comunidades do Nordeste, inclusive na de João Lisboa, aqui no Maranhão. É a força nefasta deste estado com ares paralelos que é o mundo do crime.
R7 – Bom, os políticos acusados de serem ficha suja não receberam bem a campanha...
Reis – A gente naturalmente esperava por isso. Há algumas histórias curiosas. Vou contar uma engraçada, que presenciei. Durante a coleta de assinaturas, fizemos uma palestra para cerca de mil jovens num ginásio da cidade de Barra, no Piauí. Tinha gente de toda a região. Depois do encontro, nosso grupo recebeu a visita do prefeito da cidade na casa em que foi servido o jantar. Mostrei o projeto Ficha Limpa para ele. Ele leu, releu e disse: “não vou assinar. Projeto que pune quem ainda não foi julgado em última instância, transitado em julgado, no último recurso possível, é injusto. Não leva em conta a presunção da inocência”. E foi embora nervoso, de cara fechada. Assim que o prefeito saiu, um rapaz da cidade aproximou-se de mim e disse: “Doutor, claro que ele não vai assinar esse projeto. Nunca. É só o senhor puxar a capivara (ficha criminal) dele para ver um monte de condenação administrativa. Só tem pepino. A lista é maior do que o senhor”. Eu sorri para o rapaz, a gente jantou veio embora.
R7 – Ficou por isso mesmo?
Reis – Não. Esse cidadão foi condenado no ano passado. Perdeu o cargo. Não é mais prefeito da cidade.
R7 – Um apoio desses seria mesmo difícil, doutor...
Reis – Pois é...
2 Out 21h19
Explique ao português: Brasil emite título de eleitor mas o único documento não pedido para voto é… título de eleitor
Penso, como já disse aqui, que o Supremo Tribunal Federal fez bem ao liberar a rapaziada que não conseguiu tirar a segunda via do título de eleitor para votar no domingo (3) apenas com um documento que tenha foto, a exemplo das últimas eleições.
Opinei respeitando muito, até mais do que a minha própria opinião, os amados amigos que acham que o STF deveria ter mantido a exigência.
Muitos se manifestaram aqui, a favor e contra e medida.
Agora, preciso admitir uma coisa: a decisão do Supremo criou uma situação difícil de explicar.
E ainda mais difícil de entender.
Daquelas que, como a jabuticaba, só existem no Brasil.
Tente contar ao português, ao dinamarquês, ao francês ou ao finlandês o seguinte: o título de eleitor é o documento oficial entregue a todo eleitor no Brasil, mas o único documento não obrigatório para votar no País é o... título de eleitor.
Tom Jobim nunca esteve tão certo: o Brasil é realmente um país sui generis, muitas vezes surrealista e, efetivamente, impróprio para amadores.
1 Out 06h31
Zico deixa o Fla. É o início – espantosamente prematuro – do fim do sonho de Patrícia
Ricardo Ramos - Agif - Gazeta Press
Esta sexta-feira (1º) ficará marcada na história do Flamengo como um dos dias mais tristes do clube.
O pedido de demissão de Arthur Antunes Coimbra, o Zico, maior ídolo da história do Flamengo, do cargo de diretor-executivo do clube de maior torcida do Brasil, anunciado no início desta madrugada, apenas quatro meses após ser contratado, caiu como um míssil atômico no meio esportivo.
Ele ainda está muito fresco. Detalhes precisam ser apurados, esclarecidos e debatidos.
Algumas coisas já podem, no entanto, ser ditas:
* Zico sai alegando pressões e desconfiança. Ora, com todo o respeito, ele não sabia que seria assim? Caramba: o que sempre foi o Flamengo nas internas senão fofoca, jogo baixo nos bastidores e briga dos grupelhos que sempre se digladiaram na luta por poder.
* Acompanho o Flamengo há pelo menos 35 anos. Sempre foi assim. O Flamengo pós-bons tempos de Márcio Braga sempre foi a cara do Brasil pré-Lula: arcaico, falido, fragmentado, dividido, mal-administrado, decadente, sem controle e boicotado por muita gente primitiva, amadora, cafona e incompetente que, milagrosamente, conseguia se encaixar em suas estruturas. Sobreviveu e sobrevive a tudo isso porque é uma marca poderosa, uma nação amada, uma potência feita pelos 36,5 milhões de torcedores que o amam no Brasil e no mundo.
* Se eu, que estou longe dali, sei de tudo isso, como Zico, o maior ídolo do clube, que passou toda uma vida por lá, não sabia. E, se sabia, por que cedeu tão fácil assim, com apenas quatro meses, ou 12 semanas, ou 120 dias no cargo?
* Não esperava o ataque furioso dos setores retrógrados que sempre parasitaram a vida do clube? Ah, Zicão, se havia uma coisa certa de acontecer contra você seria o boicote da turma do contra.
* Você, Zico, foi convocado durante anos pela torcida rubro-negra, pela ala lúcida da imprensa esportiva, por seus amigos de geração, pelos seus fãs e pela banda boa da administração do Flamengo para assumir a tarefa de tirar o clube mais amado do País da lama administrativa, moral e financeira. Não se preparou para resistir, com força, vontade e ajuda da presidente Patrícia Amorim e de seus verdadeiros auxiliares, ao bombardeio, às calúnias e ao jogo baixo da turma do boicote, do quanto pior melhor? Não? Olha, Zicão, então, com todo respeito, mas se você não se preparou para isso, não deveria nem ter assumido.
* Na carta de demissão, Zico diz que sai do Flamengo por não merecer a desconfiança e o bombardeio vindo do Conselho Fiscal do Clube, presidido por Leonardo Ribeiro, conhecido por Capitão Léo. Zico acusa Capitão Léo e sua turma de inventarem que os filhos do ex-craque teriam influenciado e até se beneficiado com decisões e contratações feitas pelo Galinho depois de ter assumido.
* Como a denúncia é muito grave, Zico deveria ter detalhado em sua carta quais foram, exatamente, as acusações, quem as fez, quais foram as contratações criticadas por Capitão Léo e sua turma.
* Já que está de saída, e justamente por estas acusações, deveria descrevê-las claramente, com muitos detalhes, e explicar, também claramente, com todos os detalhes, porque Léo e sua turma estão errados e porque as queixas não têm fundamento.
* Zico precisaria dar os detalhes que convenceriam e provariam que as decisões de contratação, de gastos, enfim, todas as ações ligadas às acusações foram limpas e tomadas exclusivamente por ele, sem interferências indevidas de seus filhos ou de quem quer que seja.
* Mas Zico não fez isso na carta. Limitou-se a comunicar que estava de saída, a dizer que é motivo de desconfiança do Conselho Fiscal (sem citar Capitão Léo), a afirmar que hoje o Flamengo não oferece condições para que ele faça o que sonha fazer (como só descobriu isso agora, apesar de toda sua experiência, conhecimento do clube e das informações privilegiadas da gestão Patrícia Amorim?) e a prometer processar todos os que fizeram acusações contra sua família.
* Uma pena. Se Zico está completamente certo, como eu e a maioria acreditamos, ele perdeu uma belíssima oportunidade de detalhar este caso, deixar tudo esclarecido, mostrar para todo mundo o ponto falso das acusações contra sua família e colocar a turma contra a parede de vez.
* Zico é Rei Arthur, como diz um amigo, ou Deus Zico, como diz outro. Mas nem por isso está dispensado ou pode se dispensar de apresentar provas ou mesmo argumentos a seu favor sempre que isso for possível, oportuno e esclarecedor.
* Esta história das acusações contra o filho de Zico precisa ser muito, mas muito bem contada. Justamente porque, em primeiro lugar, envolve Zico.
* Como dirigente, Zico cometeu, é verdade, alguns erros. Demorou a demitir Rogério Lourenço, poderia ter fechado com um técnico melhor, mais experiente e com mais peso do que Silas, demorou de novo para recompor o time com a saída dos craques hexacampeões brasileiros e, quando o fez, trouxe jogadores fora de forma, acima do peso e de medianos para baixo se comparados ao que o clube tinha antes dele.
* Mas erros deste tipo acontecem. São perdoáveis no início de um trabalho como o assumido por Zico em um clube-caldeirão como o Flamengo. Nem é o caso de questioná-los ou de cobrá-los aqui e agora. O problema é a parte política.
* De qualquer forma, é o momento mais triste da história recente do Flamengo, comparável, para a torcida do clube, ao dia em que o craque Zico foi vendido ao Udinese, da Itália.
* Com este elenco fraquinho para um time do porte do Fla, o 15º lugar, o cheiro de Z-4 cada vez mais forte, um técnico arranhado com o elenco e o clima de ressaca da saída do Galinho, em mais uma vitória colossal do retrocesso no clube, a tendência é a de que o time escorregue ladeira abaixo, no Brasileirão, até o pé da tabela. Do título ao Z-4 sem escalas. Só o Flamengo mesmo...
* E por último: presidente Patrícia Amorim, onde estavam a senhora, os cartolas e os dirigentes do bem de sua gestão que não criaram uma blindagem mínima para proteger a atuação de Zico dos ataques dessa turma, dos mesmos que minam o clube e inviabilizam qualquer novidade administrativa no clube há décadas?
* Se a senhora e seus auxiliares não conseguiram fazer isso, que era o mínimo para trazer e manter o homem-símbolo dos sonhos da senhora, da ala do bem da sua diretoria e da torcida do Flamengo, vão conseguir fazer o quê aí dentro?
* Vão conseguir vencer a força desses opositores e levar à frente qual projeto realmente importante e revolucionário para alterar os caminhos retrógrados seguidos até agora pelo Fla?
* Patrícia Amorim é uma rubro-negra apaixonada que trabalha com verdade e honestidade para o clube, não há dúvida a respeito disso.
* Mas, ainda assim, estou desconfiado de que o sonho de renovação representado pelo seu mandato começou a acabar nesta madrugada, com incrível precocidade, no momento em que Zico postou em sua página na internet a carta de demissão.
Uma pena.
1 Out 06h00
Marina vence debate chato da Globo. E Serra agradece
Ricardo Noblat, jornalista consagrado, meu ex-colega de revista Istoé, hoje titular do Blog do Noblat, tascou em seu Twitter ao início do terceiro bloco do debate dos presidenciáveis realizado pela Rede Globo na noite de quinta-feira (30):
- Não sei vcs aí, mas se eu estivesse em casa estaria cochilando...
Eu estava em casa.
E confesso: àquela altura tinha dado duas boas pescadas de cochilo. Na segunda, fui logo acordado pela Isadora, minha filhinha de sete anos, com uma providencial sacudida acompanhada de um “papai, o debate!”.
Amados amigos, não é por nada não, mas êitia debatezinho chatinho, sô.
Confesso que não teria resistido ao chamado dos deuses do sono se não tivesse de tascar essas mal tecladas sobre o encontro para o nosso canto.
Foi o último, pode ter sido o mais visto, mas esteve longe de ser o melhor e o mais útil.
José Serra (PSDB) não venceu, mas levou a melhor porque pode ter ganho um presente indireto da adversária Marina Silva (PV).
Isso porque Marina teve o melhor desempenho do debate, o que pode retirar votos preciosos da líder disparada das pesquisas, Dilma Rousseff, e forçar um segundo turno.
Marina estava segura e informada sobre as questões formuladas por ela aos oponentes.
Fez o certo: foi para cima e buscou, com perguntas diretas, o debate com Dilma e Serra, de quem precisa tirar votos para sonhar em ir para o segundo turno. Ao contrário do tucano, que mais uma vez evitou bater de frente com a petista mesmo precisando correr parte da montanha de votos da candidata do governo.
Em vários momentos, Marina deixou Dilma incomodada e de queixo travado com suas perguntas e réplicas.
No final, foi aplaudida pela turma de Serra, num misto de reconhecimento de sua boa atuação e agradecimento pela perspectiva de ela ter tirado votos de Dilma e, quem sabe, ajudado a gerar um segundo turno entre a petista e o tucano.
Dilma estava mais calma do que no debate da Record.
Foi um pouco melhor e não comprometeu.
Mas também não teve um desempenho exatamente bom.
Preocupada em estancar a perda de votos entre os cristãos, sobretudo as mulheres, agradeceu a Deus mais de uma vez, entre elas na despedida.
Quando escolhia quem responderia sua pergunta, optava sempre por Plínio de Arruda Sampaio (PSOL). Apanhava dele, é verdade, mas fugia do bombardeio de Marina e de Serra, que realmente poderia tirar-lhe votos.
Com isso, o debate terminou sem que Dilma e Serra fizessem uma única pergunta um para o outro.
Dilma morde muito facilmente a isca dos provocadores. Se for eleita, deverá ter mais cuidado com isso. Como presidente, precisando dar resposta pública a todo momento, isso pode ser perigoso, fatal até.
Mesmo bem treinada por sua boa equipe, a petista terminou a campanha ainda abusando de termos, expressões e frases complicadas, empoladas e fechadas, numa espécie de militantês difícil de ser entendido pelo cidadão médio.
Ela usa expressões como “objeto de sustentação política” sem traduzir coisas do tipo para o português mais simples. Nas próximas campanhas, precisará melhorar este ponto.
Serra saiu como chegou. Nem brilhou, nem afundou.
O que, para ele, teria sido a morte e o enterro se Marina não tivesse mantido viva a chance, ainda que remota, de um segundo turno com seu desempenho.
O tucano limitou-se a usar a tática da réplica planejada.
Fazia uma pergunta a Plínio ou Marina sobre um tema, ouvia a resposta e, na réplica, baixava o guatambu em Dilma, em Lula e no governo federal, atribuindo ao trio a culpa por dados negativos em relação ao assunto em questão.
Até mesmo Plínio, que esteve solto e com timing e língua afiados nos debates anteriores, desta vez adotou um tom mais comportado, circunspecto.
Quis transformar o sucesso de suas participações anteriores em conquista. E saiu pedindo votos com um ar solene que tirou a maior parte da graça de vê-lo em ação.
Mesmo assim, se Dilma observasse como Plínio fala, talvez aprendesse detalhes preciosos.
O candidato do PSOL é o que se expressa com maior clareza.
Tem o “tempo de bola” mais eficiente.
É didático, sabe alterar o tom de voz e o ritmo da fala para destacar o que considera mais importante.
E percebe quando precisa “traduzir” palavras e termos complicados de política e gestão administrativa para a linguagem do cidadão médio.
Mas o tom de Plínio na noite desta quinta-feira (30), mais empolado do que o adotado em outros debates, prejudicou concretamente seu desempenho.
Resumo da opereta: triunfo leve de Marina Silva, a princípio vitória de Dilma no primeiro turno e uma remota possibilidade de segundo com a petista e o tucano.
Se o segundo turno rolar, que Serra agradeça e peça muita proteção para Marina.
No Jornal da Globo, após o debate, a apresentadora disse que o encontro favoreceu “as propostas e a troca de ideias”.
Uma maneira educada de dizer que foi... chatinho.
























