17 Dez 07h44
Unificação com Taça Brasil é absurda. Criará o samba do Brasileirão doido. Opine
Fernando Soutello - Agif-Gazeta Press
Mérito, quando é o caso, é para ser reconhecido.
Mas quando é o caso.
Se a CBF fizer essa unificação de títulos brasileiros do jeito que ela está sendo cantada por aí, incluindo todos os títulos da Taça Brasil, disputada entre 1959 e 1968, e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão, a Taça de Prata (1967 a 1970), tornará oficial uma das maiores lambanças da história do futebol brasileiro e mundial.
E criará o samba do Brasileirão doido.
Tudo indica que, na próxima quarta-feira (22), a CBF anunciará a unificação total com a imagem de Pelé decorada com medalhas e prêmios dos seis títulos que passaria a acumular com a mudança.
A imagem explodirá em todo o mundo e provocará coceiras nas diretorias do Flamengo e do São Paulo, líderes atuais com seis títulos cada, embora a CBF não reconheça a conquista do rubro-negro em 1987.
A unificação é um equívoco esculpido em suor.
Por alguns motivos claros. Vamos lá:
* O Robertão, a Taça de Prata, gerou o Campeonato Brasileiro disputado de 1971 até agora. Foi efetivamente uma competição nacional, com volume e variedade. Merece ser considerada Brasileirão.
* O mesmo não ocorre, absolutamente, com o torneiozinho mixuruca que foi a tal Taça Brasil, aquele de 1959 a 1968, na suprema maioria dos casos uma merreca disputada por seis clubes.
* Odir Cunha, amigo, jornalista e escritor talentoso, dono de um texto de primeira linha, fez a pesquisa em que se baseia a CBF para provavelmente aprovar tudo. Apesar de ser santista de quatro costados, Cunha não legislou em causa própria (aceitos todos os títulos, o Peixe ficaria com oito). É sujeito sério. Colocou no papel o que achou correto de suas pesquisas. Só que seu argumento de que a Taça Brasil deve ser considerada porque não havia outro campeonato nacional está longe de convencer. Fosse assim, deveria ser considerado apenas um título para o Palmeiras em 1967. Neste ano, o Verdão conquistou a Taça Brasil e o Robertão. Ué, então, se o Robertão era o maior, que se considere apenas ele. Ou precisamos considerar campeões brasileiros os campeões da Copa do Brasil, que é um torneio nacional, a partir de 1971?
* Campeonato que merece ser reconhecido é torneio efetivamente nacional e plural. Se a Taça Brasil não era nacional e plural, não pode ser reconhecida como campeonato. Mesmo nos anos em que tenha reinado sozinha. Se na minha geladeira há só um prato com três colheres de arroz passado, eu até posso engolir aquilo para não morrer de fome. O que não deve se admitir é que eu fale depois que jantei decentemente.
* O Uruguai foi campeão de futebol nas Olimpíadas de 1924 e 1928. Não havia Copa do Mundo nesta época. Então precisamos transformar o Uruguai em tetracampeão porque não havia outro torneio mundial naquela época a não ser o das Olimpíadas? Certamente não. Aqui, como lá na Taça Brasil, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.
* O Flamengo foi campeão da chamada Copa União em 1987. Para mim e para muitos, provavelmente a maioria, é o legítimo campeão brasileiro daquele ano. Ao contrário do que se pensa, a Justiça não impede o Flamengo de ser declarado campeão. Proíbe apenas que o Sport também não seja considerado campeão. Então seria o caso de a CBF assumir oficialmente dois campeões naquele ano, o Fla e o Sport?
* Com 191 gols, Roberto Dinamite é, disparado, o artilheiro dos Brasileiros. Sempre nos ensinaram assim. Agora não é mais?
* A CBF resolveria tudo isso com Justiça - e sem espetadas bilaterais e pouco importantes - se reconhecesse o que deve ser reconhecido, ou seja, apenas os quatro Robertões de 1967 a 1970.
E você, o que acha?
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Como ficará o ranking de títulos se todas as taças Brasil e de Prata forem reconhecidas:
Palmeiras – oito (Taças Brasil 1960 e 1967; Roberto Gomes Pedrosa 1967 e 1969 e Brasileiros de 1972, 1973, 1993 e 1994)
Santos – oito (Taças Brasil 1961, 1962, 1963, 1964 e 1965; Roberto Gomes Pedrosa 1968 e Brasileiros 2002 e 2004)
Flamengo – seis (Brasileiros 1980, 1982, 1983, 1992 e 2009 e Copa União 1987)
São Paulo - seis (Brasileiro de 1977, 1986, 1991, 2006, 2007 e 2008)
Corinthians – quatro (Brasileiro de 1990, 1998, 1999 e 2005)
Vasco: quatro – (Brasileiros de 1974, 1989, 1997 e 2000)
Fluminense – três (Roberto Gomes Pedrosa de 1970 e Brasileiros de 1984 e 2010)
Internacional – três (Brasileiros de 1975, 1976 e 1979)
Bahia- dois – (Taça Brasil de 1959 e Brasileiro de 1988)
Botafogo – dois – (Taça Brasil 1968 e Brasileiro de 1995)
Cruzeiro – dois (Taça Brasil 1966 e Brasileiro 2003)
Grêmio – dois (Brasileiros de 1981 e 1996)
Atlético-MG – um (Brasileiro de 1971)
Atlético-PR – um (Brasileiro 2001)
Coritiba – um (Brasileiro 1985)
Guarani – um (Brasileiro 1978)
Sport – um (Brasileiro 1987)












