19 Jan 12h14
Visitantes batem recorde para ver Maracanã em ruínas. Cacos do velho estádio serão vendidos como lembrança
A Fifa acaba de divulgar suas primeiras fotos oficiais do Maracanã em obras para a Copa de 2014.
Que o Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã, o Maraca para os ainda mais íntimos, é um templo mitológico, disso todos sabemos - e só os fracos e ralos de caráter negam.
Um mito é capaz de mostrar sua força de pé, renascido e até mesmo entre uma fase e outra, em obras, em escombros, em frangalhos absolutos, como é o caso desta sacra catedral do futebol mundial.
Nas fotos, o bichão parece um esqueletro fantasmagórico, esculpido em pancadas de bolas de ferro e inundado de concreto quebrado e ferro retorcido.
Pois bem: mesmo assim, na UTI, com o corpo castigado, furado e recortado, respirando por aparelhos quase inerte enquanto recupera a vida e o caminho, o grande sexagenário Maraca não para de bater recordes.
De acordo com a Superintendência de Desportos do Rio de Janeiro, a Suderj, órgão do governo fluminense que administra o Maraca, o estádio bateu recorde de visitas em 2010, justamente o ano em que foi destruído para a reforma.
Foram 188 mil visitantes, contra 160 mil em 2009 e uma média de 145 mil nos últimos dez anos.
Gente do Brasil e do mundo inteiro marca ponto na zona norte do Rio para viver um momento histórico e ver as ruínas que darão lugar ao moderno Mário Filho.
Para saudosistas como esses (e como eu) há uma bela notícia: o governo estadual promete construir no estádio, ainda este ano, um mirante de vidro para que turistas visitem o Maracanã mesmo em obras.
E mais: na saída, haverá pedacinhos do velho Maraca para serem vendidos aos visitantes por valores simbólicos, como foi feito na Alemanha com os cacos do Muro de Berlim.
Sensacional, não?
E eu, que acabo de voltar da Cidade Maravilhosa sem ter ido ver o Maraca careca?
Vacilo imperdoável.
Mas está decidido: assim que desembarcar novamente em terras cariocas, seguirei direto rumo à maravilha fincada entre a Praça da Bandeira, as linhas de trem de subúrbio da Central, a Quinta da Boa Vista, o campus principal da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e o saudoso bairro da Tijuca, que, para os iniciados, é um Rio de Janeiro à parte.
Vou levar meu pai, Velho Edson, que assistiu - mesmo - a final de 1950. Fugiu do Tiro de Guerra, levou aquela virada dos uruguaios na cabeça e ainda puxou uns dias de cana militar por ter largado o plantão.
Na nossa saída, não vou querer nem saber: exigirei que mandem para cá meu pedacinho de templo abençoado para eu chamar de só meu.
Para quem quiser informações sobre visitas ao Maracanã, o telefone para agendamento é (21) 8871-3950, de domingo a domingo, das 9h às 17h. O pedidos devem ser encaminhados por fax para o número (21) 2334-1627, aos cuidados da Vice Presidência de Planejamento e Controle.
O melhor do Esporte está aqui. No R7.













