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26 Jan 18h46

Ariadna e a frase do ano: “sou mulher e heterossexual. Nunca beijei uma menina na boca”. Existe mulher presa em corpo de homem? Opine

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andre arruda divulgacao rede globo Ariadna e a frase do ano: sou mulher e heterossexual. Nunca beijei uma menina na boca. Existe mulher presa em corpo de homem? Opine

André Arruda/Divulgação/Rede Globo

É da transexual carioca Ariadna Thalia, 26 anos, a melhor frase do ano até agora.

E também a melhor que eu vi nos últimos tempos.

À revista Contigo! desta semana, Ariadna fuzilou:

- Sou mulher e heterossexual. Nunca beijei uma menina na boca. Nunca me senti homem. Nasci, vivi e vou morrer mulher.

De acordo com a moça (por que não?), o sonho de ser mulher existe desde criança.
Sua família nunca teve dúvidas a respeito de sua sexualidade.

Ela teve sua primeira relação sexual aos 16 anos, mesmo período em que passou a tomar hormônios femininos.

E os tomou até fazer, tempos depois, a cirurgia que, vamos nos entender assim, tirou o sinal palpável símbolo de sua masculinidade, supostamente apenas física, e colocou em seu lugar uma outra identidade física, explícita.

Aquela da feminilidade com que ela sempre garantiu conviver, sem a menor culpa, em todos os pensamentos, atos, sentimentos, sonhos, paixões, palavras e omissões.

Ariadna é o caso clássico do que muitos psicólogos, psiquiatras e pesquisadores definem como uma alma de mulher aprisionada em um corpo de homem.

É uma teoria relativamente nova.

Foi desenvolvida e estruturada com provas científicas apenas nas três ou quatro últimas décadas.

E tão nova quanto polêmica: não faltam os que questionam esta tese com justificativas evolucionistas, orgânicas, filosóficas, religiosas e, claro, também científicas.

Os homossexuais e os movimentos ligados à causa nem gostam muito de relacionar a escolha sexual a algum fator físico, psicológico ou psiquiátrico.

Ao contrário: detestam.

E condenam essa atitude sempre que podem.

Acham que, na medida em que se adota esse caminho, abre-se um flanco para que, em pouco tempo, as pessoas passem a qualificar, a dar valor maior ou menor, a julgar boas ou más essas diferenças orgânicas.

Diferenças que mesmo a ciência e os cientistas não têm como consumado o fato delas existirem.

Ao se admitir diferenças vitais entre homo e hetero, poderia-se abrir caminho para rotular o homossexual como uma pessoa “organicamente menor” do que heterossexual supostamente “normal” e “sem alterações”.

Por isso, os homossexuais, em sua suprema maioria, afirmam se tratar apenas de uma questão de uma orientação que se tomou.

De preferência.

De opção.

De livre e democrática escolha individual para o seu próprio corpo.

O corpo, a única coisa no mundo sobre a qual o ser humano tem certeza de que será seu até o final da vida.

E que os não-homossexuais têm a obrigação de respeitá-los porque eles são cidadãos pagadores de impostos e submetidos às leis, como outros quaisquer.

E também porque a orientação escolhida, a opção por um caminho, por uma preferência, por estar ao lado de alguém do mesmo sexo, é uma questão que diz respeito e interessa apenas às pessoas envolvidas.

Parecem-me certos: vincular o homossexualismo a uma diferença física, anatômica ou orgânica poderia contribuir para teorias de seres humanos melhores e piores, maiores e menores, voltassem a assombrar a Humanidade.

Como se viu, por exemplo, no nazismo e em outros momentos da História.

Mas, no caso de Ariadna, a coisa é ainda mais profunda, mas não totalmente diferente, do que esta orientação conscientemente tomada pelos homossexuais.

Os especialistas consideram que o equilíbrio psicológico e o estado psiquiátrico de uma pessoa fazem parte de seu conjunto vital.

De seu “corpo de vida”.

De sua vida, portanto.

Tudo isso, na conclusão desses especialistas, justificaria a busca do encontro entre o sexo mental e o real.

A busca do transexualismo, a ação cirúrgica que unificaria cabeça, tronco, membro e – mais importante - mente.

A tese é polêmica.

Eu estou entre os que concordam com ela.

Considero possível existir uma mulher aprisionada em um corpo de homem ou vice-versa.

Um ser humano que tem o sistema sexual e reprodutivo de um sexo mas todos os outros apelos, sentimentos, vontades e visões de mundo relacionados ao outro sexo.

Tanto de um lado quanto de outro.

A ponto de existirem pessoas como Ariadna, que, mesmo tendo nascido com o sexo orgânico Y, jamais tocou e nem sequer teve vontade de tocar em alguém do sexo X.

Mas há muitos pontos e panos para manga envolvidos nesta discussão.

Por isso, desejo, mais do que nunca, conhecer a opinião do amado amigo da blogosfera colorida.

Você acha ser possível existir uma mulher aprisionada num corpo de homem, ou vice-versa?

Opine.

Defenda seu ponto de vista.

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