30 Jan 15h21
Baterista exige na Justiça R$ 4,5 milhões de Ivete. Mas ele teria sonegado imposto junto com ela. Haja caco de telha…
A gente boa e onipresente Ivete Sangalo encaixa, com todo o merecimento, uma grana federal com seus shows hiperlotados e DVDs hipervendidos.
Disso até os acarajés das baianas do Rio Vermelho sabem.
E ela poderá precisar muito mesmo desses encaixes, sobretudo se vingarem algumas broncas judiciais pregadas contra sua empresa, a Caco de Telha.
A principal delas, movida pelo baterista Antônio da Silva, o Toinho Batera, demitido por Ivete em 2010, promete dar muito trabalho.
Toinho, conta o repórter Leonardo Coutinho na mais recente edição da revista Veja, pede R$ 4,5 milhões na Justiça do Trabalho, em Salvador, a título de reparação de prejuízos trabalhistas.
É, sem dúvida, uma belíssima grana.
Mas esse nem é o problema principal, sobretudo quando do outro lado está Ivete Sangalo.
Qualquer um pode pedir na Justiça o que acha que o outro deve.
Cabe ao juiz aceitar ou negar o próprio pedido ou o total da causa.
Ou mesmo reduzir o valor se julgar a demanda exagerada, o que, a rigor, ocorre na suprema maioria dos casos deste tipo.
Em caso de condenação do acusado, existe ainda a possibilidade de um acordo judicial entre as partes, que quase sempre traz o valor a ser pago pago para um ponto mais próximo da realidade.
O pepino maior para Ivete é que, no processo, Toinho acusa a Caco de Telha, grupo empresarial da cantora, de fraudar o recolhimento de INSS e de impostos com mutretas na hora de pagar os músicos.
Na versão do baterista, o irmão e empresário de Ivete, Jesus Sangalo, teria obrigado 13 músicos, entre eles Toinho, a abrir uma empresa de figuração, a Banda do Bem Produções Artísticas.
Por meio desta Banda que de Bem pode não ter nada, os músicos recebiam seus salários.
Só que eles e a Caco de Telha declarariam, segundo a acusação, valores infinitamente menores do que o depositado nas contas.
Com isso, as parcelas do INSS e as alíquotas de impostos eram calculadas a partir dos valores pequenos declarados, e não dos outros, infinitamente maiores, que eram depositados nas contas dos músicos.
Disse Toinho Batera ao repórter:
- Sou um laranja. Quem administrava tudo era o Jesus. Nós só assinávamos os recibos.
No processo, Toinho disse que a declaração feita pelo contador da empresa dos músicos – o mesmo do grupo de Ivete – registrou que o baterista recebera R$ 5.53 mil tributáveis em todo o ano de 2009.
No mesmo período, os cheques depositados em sua conta pela empresa de Ivete somam R$ 600 mil.
Agora, um detalhe: se tudo isso for provado, a Caco de Telha merece uma pancada da Justiça e os músicos, outra, com a mesma intensidade.
Afinal de contas, neste esquema, eles também sonegaram – e muito.
Na prática, teriam tungado do INSS e do fisco todo o dinheiro a ser descontado sobre a diferença entre os recibos que assinaram e os cheques que receberam.
Apenas no ano de 2009, por exemplo, Toinho teria enrolado o imposto a ser pago sobre a diferença entre os 600 mil recebidos por e os 5.530 declarados em recibo.
Isso só no caso de Toinho.
Fora o resto. Fora os outros 12 músicos envolvidos no guarda-chuvas da Banda do Bem.
Ao que tudo indica, Ivete não sabia e nem aprova as irregularidades.
Tanto que, recentemente, afastou o vice-presidente Ricardo Martins e o proprio irmão Jesus do grupo.
Mas se isso for realmente fato, até pela sonegação de todos os lados, terá mesmo é que voar é caco de telha para todo lado.
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