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23 Mar 18h30

Briga chata essa de Ganso com Peixe. Não seria hora de esclarecer de vez a suposta venda de 25% do craque por apenas R$ 301 mil?

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ganso lucas uebel previewcom ae3 Briga chata essa de Ganso com Peixe. Não seria hora de esclarecer de vez a suposta venda de 25% do craque por apenas R$ 301 mil? Lucas Uebel / AE

É legítimo que o craque Paulo Henrique Ganso, 21, queira jogar na Europa.

Os salários são muito mais altos, os ganhos de marketing idem, a projeção bem maior, as condições de trabalho são melhores, o número de jogos por ano é menor e a garantia de espaço na Seleção sempre parece mais próxima.

É também compreensível que integrantes da família do craque Paulo Henrique Ganso desejem, individualmente, que ele não demore a ir para a Europa.

Ganso acaba de sair de uma contusão séria.

Contusão que lhe consumiu cinco meses de futebol quando ele estava no auge.

Diante disso, é normal mãe, pai, irmão, irmã, tio, tia ou namorada temer por algo do tipo: “e se ele arrebenta de novo o joelho, quem vai querer pagar por ele o dinheiro que hoje estão dispostos a encaixar?”.

Fosse ele meu filho, talvez eu pensasse assim.

E você também, não seja dissimulado, para dizer o mínimo.

Acho, portanto, todos esses sentimentos normais e justificáveis.

O que penso ser burrice é essa pressão do jogador e dos responsáveis por sua carreira para que se abram as porteiras de qualquer jeito.

Querendo jogar multa para baixo, adiando conversas, dando declarações dúbias e tudo o mais.

Adotar a cultura de brigar para trocar de clube é perder dinheiro e prestígio a médio prazo.

Dá perfeitamente para Ganso estabelecer sua transição sem esticar a corda desse jeito, como faz agora seu amigo Neymar.

E não como fez Robinho, que perdeu boas oportunidades profissionais embarcando nessa canoa de criar conflito.

Robinho está rico, mas poderia estar ainda mais rico.

Robinho joga lá sua bolinha, mas poderia ser muito mais respeitado.

Se Ganso não quis aumentar seu salário em troca de mais uma elevação de sua multa contratual, que dificultaria ainda mais sua saída, ok, é uma estratégia profissional.

Mas daí a querer reduzir a multa atual sem doar nada, sendo que o Santos, em função de negociações pouco esclarecidas, para dizer o mínimo, controla apenas 55% dos direitos econômicos, é desejar demais.

Deixe a multa como está, deixe seu salário como está e volte a jogar sua bola.

Falam que o jogador poderia fazer corpo mole se sua multa não for reduzida.

Se fizer isso, será um tiro no próprio pé.

Afinal de contas, um atleta que já teve uma contusão séria no joelho, se cai bruscamente de produção de uma hora para a outra, ou deixa de interessar aos grandes clubes do mundo ou será procurado por mixarias.

Seria ruim para o Santos, mais pior ainda para ele.

Quando Ganso for vendido para a Europa, mesmo que ele encaixe um percentual do dinheiro pago, o grosso de seus ganhos estarão apenas no início.

O Santos, por outro lado, praticamente encerrará seus ganhos – esportivos e financeiros – neste ponto.

Por isso é complicado pedir redução da multa – que na prática significará redução de proposta e de dinheiro recebido – assim, de forma pura e simples, unilateral, sem mais e sem menos, sem qualquer recompensa.

Que tal oferecer ao Santos, por exemplo, uma boa parte dos 45% que o jogador e seus representantes possuem em troca de uma redução da multa para facilitar a venda?

Seria uma boa troca, estão pensando nisso?

Sobretudo porque essa multa de 50 milhões de euros (cerca de R$ 117 milhões) foi fixada em contrato entre a DIS e Marcelo Teixeira, o presidente anterior.

Teixeira, que, como sabemos, tem uma relação muito boa com os empresários da DIS representantes do craque.

Tão boa que, segundo o atual presidente santista, Luís Alvaro de Oliveira Ribeiro, o Laor, está sendo acusado na Justiça, pela atual administração do Peixe, de ter vendido 25% dos direitos econômicos de Ganso a empresários e à propria DIS pela bagatela de 180 dólares, o que daria hoje cerca de R$ 301 mil.

Laor e a diretoria tocam neste assunto aqui e ali, mas me parecem muito tímidos diante de uma denúncia que, se for verdadeira, poderia representar um dos maiores escândalos da história recente do futebol brasileiro.

Não seria o caso, Laor e dirigentes santistas, de aproveitar este momento, esta disputa atual com Ganso e seus representantes, justamente os controladores da outra parte dos direitos do atleta, para discutir publicamente e esclarecer, em todos os seus detalhes, essa questão da suposta venda de 25% dos direitos econômicos do craque por apenas 180 mil doletas, ou cerca de R$ 301 mil?

Com riqueza de detalhes, minúcias processuais e coisa e tal?

Heim?

A propósito, publico novamente aqui o texto sobre essa suposta venda, que tasquei neste nosso canto no último dia 16 de março:

R$ 301.320,00.

Trezentos e um mil e trezentos e vinte reais.

Preço de um apartamento de classe média em um bom bairro de São Paulo.

Dinheiro insuficiente para comprar um entre os imóveis mais espaçosos da Praia do Gonzaga, a mais frequentada de Santos.

Mas, na cotação do dólar na tarde desta quarta-feira (16), seria por este preço, em reais, que Marcelo Teixeira teria vendido 25%, ou um quarto, dos direitos econômicos do jovem meia Paulo Henrique Ganso a empresários.

A curiosa transação teria sido feita por Teixeira no final de 2009, pouco antes de ser derrotado nas eleições do Peixe pelo atual presidente, o economista Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, o Laor.

Isso mesmo: US$ 180 mil, ou pouco mais de R$ 301 mil no câmbio médio atual, pelo direito de abocanhar um quarto de tudo o que um time do exterior poderá pagar por Ganso.

Quantia irrisória para a quarta parte de um jogador que tem multa rescisória para o exterior fixada atualmente em 50 milhões de euros, equivalentes a cerca de R$ 116 milhões.

Até o próprio Ganso deseja baixar essa multa pela metade, para facilitar uma proposta e a venda.

Detalhes que só reforçam a fortuna que vale o jogador.

Ganso dificilmente será vendido por menos do que 30 milhões de euros, ou R$ 70 milhões.

Para jogar por baixo, vamos imaginá-lo negociado por esses 30 milhões de euros (acho que tem espaço aí até para uns 40...).

Neste caso, os 25% que teriam sido negociados por Teixeira valeriam 7,5 milhões de euros.

Passsando para reais no câmbio médio atual, isso siginifica R$ 17,5 milhões.

Isso mesmo, 17 milhões e meio de reais, um valor quase 59 vezes maior que os 300 mil reais que teriam sido pagos a Marcelo Teixeira e ao Santos por esses investidores.

Isso considerando a venda em 30 milhões de euros. Logicamente, esse valor poderá ser maior.

Quem faz a denúncia é o próprio Laor, o atual presidente do Santos.

Em entrevista ao programa Na Geral, da Rádio Bandeirantes, Laor informou que o clube entrou com uma ação na Justiça questionando esse valor de venda de 180 mil dólares e a própria transação, que teria sido feita no apagar das luzes da gestão Marcelo Teixeira.

Nós, jornalistas, precisamos acompanhar este caso e este processo mais de perto.

Entrevistar Laor, Teixeira e os compradores.

Confrontar a versão de um dirigente com a de outro e a dos dois com a do comprador.

De qualquer forma, por qualquer ângulo que se olhe este caso, ele parece realmente esquisito e estranho, isso para dizer o mínimo possível diante do que sabe dele por enquanto.

Se os termos da negociação forem realmente esses expostos pelo atual presidente do Santos, estamos, por qualquer ângulo que se olhe, diante, sem exageros, de um dos maiores escândalos da história do futebol.

Pensem comigo.

Se a venda foi limpa, ninguém embolsou nada por dentro ou por fora e o Santos realmente recebeu apenas 180 mil dólares por um quarto dos direitos de Ganso, provavelmente o mais habilidoso craque depois da geração Kaká e Ronaldinho Gaúcho, trata-se de um escândalo de falta de visão e de prejuízo para um clube como poucas vezes se viu, mesmo no ambiente nada saudável da administração dos clubes brasileiros.

E qualquer outra hipótese diferente desta, seja de valor declarado distinto do real, seja de supostas promessas de "recompensas" futuras, considerando o valor da venda colocado e contabilizado oficialmente pelo Santos as míseras 180 mil doletas, aí o caso passa a ser de polícia e de Justiça.

Estranho.

Muito estranho.

Esquisito.

Muito esquisito.

A história está apenas começando.

Quero acompanhar esse babado bem de perto.
Acompanhe o melhor do Esporte aqui. No R7.

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