23 Abr 16h12
Filme Rio é uma maravilha. Brasil com autoestima em dia. Veja – se possível, em 3D
Fui ver a animação Rio com minha filha de oito anos num cinema 3D de Cotia, na região metropolitana de São Paulo, na noite desta Sexta-Feira Santa (22).
O filme é espetacular.
Desde já, um candidato a concorrer o Oscar de sua categoria.
O amado amigo da blogosfera colorida não deve perder.
Os atores Jesse Eisenberg e Anne Hathaway estão maravilhosos dublando o par romântico do desenho, as ararinhas azuis Blu e Jade.
Rodrigo Santoro também está ótimo emprestando voz ao cientista Tulio, que vai buscar Blu nos Estados Unidos para que ele, último macho da espécie, cruze com Jade, uma fêmea que está no Rio, e garanta assim a preservação dos bichinhos.
A história é delicada e muito bem desenvolvida.
Os diálogos, divertidos.
Apesar do clima de romance e de sofrimento, o filme resiste à tentação de mergulhar na pieguice.
A trilha sonora, organizada e em parte composta por Sergio Mendes, é bonita e animada.
O filme, com seus 96 minutos, não é grande nem pequeno.
E o Rio de Janeiro aparece divino, belíssimo, em imagens de tirar o fôlego, sobretudo quando vistas na experiência da 3D.
Rio é beneficiado por alguns clichês - mas eles estão na medida certa e, de resto, o que seriam das animações e homenagens se elas não pudessem recorrer, aqui e ali, a alguns clichês.
Acho até que o ótimo diretor Carlos Saldanha, que vive e trabalha em Hollywood, não abusou tanto dos lugares comuns como o Rio poderia permitir.
A praia está lá e aparece, claro.
Mas o grosso da trama é desenvolvida e resolvida longe das areias e da água salgada, entre algumas favelas e cenários deslumbrantes do centro antigo da cidade, do belíssimo bairro de Santa Teresa e do Sambódromo da Marquês de Sapucaí.
As cenas do balé de pássaros no início, de uma fuga na favela, dos vôos de asa delta e do desfile de uma escola de samba são de arrepiar e de emocionar.
No Brasil, a gente fala muito sobre arte.
Bate muita boca.
Critica o que o outro faz e, no final, faz pouca arte de fato.
Vive de instigar o fígado destruindo o alheio sem colocar nada no lugar.
Fica aquela matraca horizontal, mesquinha, pequena, feia, perniciosa, ciumenta, bairristazinha, ridícula.
O sentimento de obrigação de meter o pau em uma coisa pelo fato mero dela ter sido feita em outra cidade, em outro estado, por um não- bródi.
Acho isso um saco.
Um calo, uma boca torta de imbecis que, ainda por cima de tudo, nutrem a ilusão de que são grandes.
Aí vão uns camaradas como esse Carlos Saldanha, talvez até por viver longe desse bairrismo otário, e também do primadonnismo periférico que infelizmente ainda nos marca e caracteriza, e faz uma coisa bonita, bacana, positiva, elegante de verdade.
Sem dúvida, uma belíssima homenagem do carioca Saldanha ao seu Rio de Janeiro natal.
É bacana demais ver o Rio e o Brasil tratados desta forma em uma produção de Hollywood para o mundo.
Não deixe - mas não deixe mesmo - de ver.
De preferência, aperte o cinto e gaste mais um dinheirinho numa sala em 3D.
Tenho convicção de que você não irá se arrepender do investimento.















