Foto por Flickr
Agora virou moda abandonar crianças recém-nascidas no País.
Tivemos quatro ou cinco casos nos últimos dez dias.
A mais recente vítima desta tentativa disfarçada de assassinato, um bebê do sexo masculino com quatro ou cinco dias de vida, foi encontrada no quintal de uma casa da Vila Gustavo, região do Tucuruvi, zona norte de São Paulo, por volta de 18h30 desta terça-feira (26).
A mãe (mãe?) não teve sequer o trabalho de tirar a pulseira com o seu nome do pulso do menininho.
Deixou-o enrolado em cobertores do projeto Mãe Paulistana.
Aí eu leio que, se a mãe (mãe?) for encontrada, poderá ser autuada por abandono de incapaz e... perder a guarda do filho.
Como assim?
Alguém acha que perder a guarda do filho é punição para alguém que mostra querer, exatamente, a "perda" desta mesma guarda?
Por que essa e todas as outras mães não procuram uma instituição de guarda de criança para entregar o filho, explicando devidamente os motivos pelos quais não pode criá-lo?
Por que alguém acha que um constrangimento social, por maior que seja, pode justificar o ato de colocar em risco a vida de um bichinho indefeso desses?
Mesmo considerando o desequilíbrio e a fragilidade psicológica que costumam surgir neste momento do parto, até por transformações hormonais sofridas pela mulher, fica difícil de aceitar algo do tipo.
Essas mães (mães?) deveriam ser punidas com maior rigor.
Se toda mãe que julgar não ter condição de criar seu recém-nascido achar que a solução é abandoná-lo, a barbárie estará estabelecida.
E o pior é que, em praticamente todos esses casos, os pais (pais?) do bebê, encontrado vivo ou morto, acabam também localizados.
A sensação de que estamos de volta ao primitivismo é mais forte a cada cinco minutos...