4 Mai 06h00
Cariocão não teve craque. Teve o menos medíocre. E ele foi o goleiro Felipe. Opine
Alexandre Loureiro/VipComm
Não houve um jogador de linha craque do tecnicamente medíocre Cariocão 2011.
Alguém a respeito do qual se pudesse afirmar sem medo de errar: ele foi "o cara" do campeonato.
Não.
Houve, no máximo, alguns melhores entre a mediocridade geral.
Craque do campeonato existe quando alguém arrebenta na competição.
Quebra tudo.
Faz, visivelmente, a diferença.
Quebraram tudo, por exemplo, o corintiano Tevez no Brasileirão de 2005, o palmeirense Diego Souza e os rubro-negros Petkovic e Adriano no Brasileirão de 2009 e o tricolor Darío Conca em 2009.
Nestes casos, esses camaradas foram lá e fizeram a diferença.
A diferença entre a boa e a má campanha de seus times na competição.
A diferença nas principais vitórias.
A diferença que não deixa a gente ter dúvida na hora de colocá-lo um ou dois patamares acima até do grupo de jogadores muito bons de uma determinada jornada.
No caso de 2009, apesar do título rubro-negro, Diego Souza posicionou-se um degrau acima do Imperador e de Pet, que também foram ótimos, acima da média, e, afinal de contas, praticamente deram sozinhos o título ao rubro-negro.
Nos outros anos citados, os ótimos argentinos Tevez e Conca levaram de barbada, sem concorrentes à altura.
Em todos os casos acima, os atletas citados sobraram na turma.
E sobraram com muita folga.
Não foi o caso deste Cariocão medíocre em termos técnicos.
Em alguns momentos, Felipe, o meia do Vasco, colocou a cabeça para fora do mar de lama da mediocridade.
Em outros, foi a vez de Thiago Neves, do Flamengo, ter um destaque.
Em outros, mais fugazes, Leo Moura, Willians, Felipe Bastos, Fred e o jovem Bernardo apareceram.
Ronaldinho Gaúcho, diria Caetano Veloso, não foi proveito, foi pura fama.
Uma jogadinha aqui, uma firulilha acolá, e, no resto, só marketing.
É claro que jamais será o que foi.
Exigir tal coisa seria inocência.
Mas, ainda assim, R10 deveria ter feito ao menos uma partida que lembrasse seu passado glorioso, mas isso esteve longe de ocorrer.
Leo Moura, Thiago Neves e Willians, do Flamengo, o goleiro Jefferson e o atacante Loco Abreu, do Botafogo, Willians, Thiago Neves, Felipe e Felipe Bastos e Bernardo, do Vasco, além do tricolor Fred em alguns momentos, salvaram o campeonato da falência técnica total, vergonhosa e imperdoável.
Escaparam do limbo sem ter feito quase nada, num campeonato em que quase nada se fez.
Craque, repito, o campeonato não teve.
Teve o menos medíocre.
E esse jogador, por ter decidido três disputas de pênaltis no caminho do Fla ao título, pegando quatro pênaltis nas duas primeiras partidas (Botafogo e Fluminense) e levado três vascaínos apavorados a chutar para fora no terceiro jogo, é o goleitro rubro-negro Felipe.
Tomara que, no ano que vem, o menos pior tenha condição de ser chamado de craque, "o cara" ou, ao menos, o melhor da competição.
E você, o que pensa?
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